" ESCREVER É PRECISO "

domingo, 10 de setembro de 2023

POEMAS CIENTÍFICOS

 14 - INTERTRANSDISCIPLINAR 


Palavra é trissílada,

três veses confirma

a perfeição nas Linguagens. 

Palavra é ato de serda pessoa.

Tal qual um triângulo equilátero

da Matemática e da Física,

óbvio, infinitessimal.

Com a Arte se faz a educação,

constrói a História,

conhece a Geografia

física e humana;

comporeende a Química

da vida que nos une

com moléculas, átomos e sentimento. 

Faz enetender a ciência

como algo relacionado com a Espiritualidade,

com a Filosofia, a Sociologia e a Antroplogia...

e que sem essa convergência intertransdisciplinar,

a lógica da vda,

 a Bio - logia,

não teria sentido. 

Palavra - Ação

um relacionamento

intertransdisciplinar. 


(Julho/1998)




15 - UNIDADE


Não vos preocupeis com leis,

puritanas leis.

Nao tornes complexo

a mistura dos nossos reflexos

senão fica desconexo

desconverge com o próximo.

Busque o sentimento.

Veja nestes versos o covexo

o sentido heterodoxo

da unidade no diferente.


(Julho/1998)




16 - SÍNTESE


Prático 

faço o futuro hoje.

Estático

regresso ao pretérito morto.

Existo

porque vivo o que sou.

Histórico

marerializo o dialético.

Científico

estudo a fé recional.

No meio das ideologias 

Eu sou a utopia. 


(Agosto/1998)




17 - POEMA DA LIBERDADE


A Liberdade é única e verdadeira.

Não existe uma outra liberdade.

O Ser e a Liberdade

são únicos entre si,

estão incluídos e intimamente relacionados.

 A ação e a palavra do Ser

revela o espírito da sua propria Liberdade.

A Liberdade é incorruptível.

A Liberdade comunica-Ação

em comum-unidade.

È superior a Lei.

É a própria Lei maior

a Superioridade do Ser Humano.

É a justiça da carne.

É o que move o Ser e o faz viver.

Isto é o Espírito da Liberdade.

A Liberdade é incondicional 

que traz o valor da alteridade,

da renúncia e do serviço.

Não herdamos a escravidão.

Somos filhos da Liberdade.


Nascemos para a Liberdade

e com ela somos Nova Criatura.

Essa é a verdade, por que 

a Liberdade é a Verdade.


(Setembro/1998)




18 - PERDE-SE NO ESPAÇO


Perde-se no espaço

vazio, abstrato e sobrenatural,

quem não produz conhecimento real,

concreto, histórico-dialético.

Foge da realidade e se aliena 

perdendo-se em seu oceano dogmático


O Ser Humano é a relação 

da realidade e consciência  

eixos determinantes em convivência 

do sujeito em sua História.


Filosofia-Ciência-Teologia

Dimensões da realidade humana

que faz o Ser se situar no tempo e no espaço.


(Setembro/1998)




19 - A ÁGUA E O DIAMANTE


A crise do neoliberalismo

é a crise do capitralismo financeiro,

da passagem do valor-trabalho

em mais eficiência e mais capacitação técnica,

sobre uma classe de desempregados. 


****************************************


A Água e o Diamante

de utilidade e valor

produtos da natureza

como bens de uso 

em qualidade e quantidade

ponto cetral e marginal

teoria do paradoxo

de um sistema social.


A Água e o Diamante 

ambos brilhantes 

de simples gotas 

mercadorias fundantes 

na relação trabalho 

dessa união, transforma,

expande, confunde, decide...


A Àgua e o Diamante 

objetos da necessidade e do desejo,

do coletivo e do indivíduo,

ambos da ação criadora 

que dá vida, beleza e poder. 


(Setembro/1998)




20 - COMO?


Sou casado com os livros,

com a poesia engajada

e com a verdade.


 Depois das interpretações,

agora a transformação.

O porquê das questões 

pelo como das relações.


Só nos resta uma coisa, 

não é a morte, com certeza,

mas uma esperança,

que é algo dinâmico e ativo.


Resta de nós e de cada um

uma decisão política

uma política decisiva.


**************************************

(Versos feitos dentro de um ônibus ao ir para o trabalho)

(03/12/1998)




21 - NOVO INSTANTE


Todo

instante

morre para 

o nascimento de um

novo instante.


É o sentido

do significado

no diferente

significante.


(Dezembro/1998)




22 - "A SERVIÇO DA VIDA E DA ESPERANÇA"


       É com o compromisso ético e científico que confirmamos o nosso grau superior. Continuaremos o nosso estudo na realidade prática, no contexto da fé com a vida. Começaremos agora a aprofundar o estudo racional da fé.

Diante de uma sociedade capitalista neoliberal, a busca continua no desafio de instaurarmos uma nova sociedade, onde os valores exigem solidariedade, justiça e perseverança.

Sabemos que a verdadeira Sabedoria vem de Deus, o Absoluto inefável, que com sua Palavra tudo criou e com sua Sabedoria formou a pessoa humana (Cf. Sb 9,1-2). Ela é quem dá sentido a vida e quem dirige a História (Sb 2 e 10).

Convivemos hoje com os avanços técnico-científicos, como instrumentos informatizados que a tende a sobrepor aos valores humanos, porém, jamais será a última palavra. Precisamos da reunião dos saberes, mas não a sua idolatrização. Precisamos da nossa unidade como cientistas construtores da nova sociedade. E precisamos também desmitificarmos o moralismo religioso, que muitas vezes atrapalha o caminho para o ecumenismo. Sejamos, portanto, cristãos livres. "É para a liberdade que Cristo nos libertou" (Gl 5,1). Esse é o nosso critério e método de experiência "a Serviço da Vida e da Esperança". 


******************************

* Mensagem que que li como orador em 06 de fevereiro de 1999 na formatura em Ciência da Religião. 

          


23 - ECOSOFIA  

Nostalgia de Deus 

que é a Beleza, a Bondade e a Verdade.

O Desconhecido que se fez 

conhecre no Verbo Encarnado.

 

Fala-se tanto de Deus hioje:

um Deus pessoa, livre,

Pai, Criador, Ser que é...

Deseja-se tanto a verdade

que nutre muito mais o ego,

o Eros e uma Nova Era esotérica...

Encontra-se Deus em tudo

nos agnósticos, panteístas, 

panenteístas, deístas,

no espaço e no âmago.

Fala-se tanto de Deus,

nunca se procurou tanto Deus,

esquecendo-se que 

Ele sempre Foi, É e Será

presença viva dentro de nós.

 

Soa no meio de nós

eco de vozes aglomeradas

enquanto um resto de pensadores cônscios

estudam ecosofia

respiram ecologia,

que inspira filosofia.


(Fevereiro/1999)




24 - DEUS E A HUMANIDADE


Não se pode entender Deus 

se não entender a pessoa humana.

Deus e a humandade

são uma unicidade.


Quando há uma 

compreensão da humanidade,

do mesmo modo,]

há entendimento 

da divindade.


Saber sobre Deus 

é saber sobre o homem e a mulher.

Ao estudar o homem e a mulher

estuda-se Deus.


A relação entre as pessoas 

é a relação com Deus.

O contrário de tudo isso

é a injustiça.


Deus é a justificação.


Não se pode entender 

Deus desencarnado

da realidade histórica.


Deus é anterior a religião

é preexistente;

 é paixão e razão.

É a ação comum-unitária 

na sociedade e em cada individualidade.


((Julho/1999)




25 - ROSA GATTORNO: A TESTEMUNHA


Novo ânimo na História se faz

nas culturas a razão ilumina

no sonho de Rosa Cristo vive

serena e forte de Amor e de Paz. 


Como um voo de uma ave no mundo 

se expande a "obra de Deus"

a memória das Filhas de Sant'Ana

abraçando a Terra e o Céu.


Testemunho, serviço solidário

anunciam a esperança na missão

vivendo em comunidade

o modelo da materna doação.


Com a fé escolheste o caminho

de servor com amor aos que sofrem 

 excluídos da sociedade

Rumo ao Reino da liberdade.


Com justiça e fraternidade

solidários na mesma ação 

evangelizando o mundo 

rumo ao Novo Milênio em Construção. 


(Musicado como hino em homenagem ao centenário da Congregação das Filhas de Sant'Ana. Agosto/1999)




26 - ENCONTRO 


Veja! Escute! Sinta! 


É tempo de encontrar-se .

A filosofia pede para te conhecer.

O mundo hoje precisa

que as pessoas se encontrem.

Só vejo desencontros

desencanto

abandono

tudo desabando.

Quando houver verdadeiros encontrros

haverá verdadeiros conhecimentos.

Conhcer é encontrar-se 

no encontro com o outro conhecimento.

Encontrar-se é conhecer 

os diferentes conhecimentos

na unidade de um noivo encontro. 


 (Maio/2000)




27 - EQUILÍBRIO


Viver é mais que existir.

Viver é manter o equilíbrio na existência.

Equilíbrio é um complexo ético 

que busca um apoio 

para se firma com prudência

entre dois pontos 

de um único segmento

que é a vida.

Equilíbrio é apoiar-se na própria vida

vivendo e aprendendo

entre um lado e o outro 

que já se encontra 

na interiorização do Ser.

O Ser faz o equilíbrio

a partir do seu interior

na escolha do próprio equilíbrio.

A existência fica apenas

nos pontos fixos e estáticos,

simples  e fáceis 

alvos da natureza.

A vivência é o equilíbrio 

na existência sendo 

plenamente. 


(Julho/2000)




28 - CORPO ESPIRITUAL


Somos corpo-espírito 

integralmente

formados

únicos, inteiros,

completamente plenos e infinitos,

com o poder cognoscível

e autoridade do sopro divino,

qie nos dá vida, ânimo e movimento,

e acima de tudo,

a verdade que liberta.


Somos livres no corpo-espiritual

dinamizados pela lei do espírito

pensados pela força racional da fé

semeados sob os valores superiores

para convergir no poder da união

e transformar o todo em coesão.

no conhecimento concreto do Ser.


(Julho/2000)




29 - PÓS-MODERNIADADE


Após

só depois de mim.

 Mundo quântico absoluto 

planetariamente relativizado.

Egocêntrico

cêntrico

cético

fechado e vazio.

Vida pessimista, frustrada,

sem sentido, tecnoestressada,

sem fé ou religião.

Ser da razão, sem Deus,

pós-metafísico,

mas virtualizado

pela libguagem televisionada

fantástica, dos espetáculos

descontextuculturalizados.

Mundo plural imaginário 

de conhcecimento complexo

encadeado em rede

computadorizado.

Gente clonada 

DNAsticamente

desertificada.

Terra desettificada,

Cosmo perdido!

Espectro de nós mesmos

sobressai dicotomizado da natureza,

fragmentada e desintegrado

como ecocida de seu próprio ecossistema.

Grita a ecosofia pela ecologia em extinção.

Grita os pós-modernos

Morra!

Decida!

Os imediatistas da finitude 

não percebem a sua própria infinitude.

Cegos da catástrofe

fogem para os teatros

litúrgicos e templos

iluminados de panacéia.

Pergunta-se:

Qual o sentido da vida?


(Julho/2001)




30 - E QUANDO A PRISÃO É A TERRA?

 

Preso de mim mesmo.

Além da prisão

que encarcera a nossa própria caverna.

Preso no armário ou num gabinete.

Preso num livro ou numa pessoa.

Preso numa multidão ou por ela.

E quando a prisão é a própria Terra?

Preso num planeta finito

infinitamente preso no Universo

que está preso ao Absoluto.

Cada preso, preso em si, 

e por isso, solto, livre!

Sem sentido de prisioneiro.

Prisão que não existe 

quando se vive a dimensão

da liberdade incondicional.

Quando se vive o EU em NÓS,

nas semelhanças e diferenças

e na individuação do ser.

E quando cada ser perceber 

que em sua totalidade

está preso à sua libedrdade

terá autocompreensão do sentido da vida. 


(Maio/2002)




31- MATRIZ DIVINA


No princípio era o nada 

(o algo)

e do nada tudo se formou.

 O caos foi ordenado

e o cosmo viu a Bomndade.


Do nada veio a semente,

o germe animado respirou.

O ser emessência e Verade movimnetou 

a existência da vida humana.


O corpo-espírito em carne

vivo historificado, inculturado, 

da criação evoluído,

no contexto planetário,

no limite do Infinito,

sempre ascendente, dinâmico e pleno.

Con-sagrado desde o princípio,

antes pensado na pré-existência.

Do Incriado à pessoa humana gerada,

advinda vida do útero único 

convergente para a Matriz Divina.


(Agosto/2002).




32 - SALMO


VEJA!

JAVÉ VIVE.

VEJO JAVÉ VIVO.

EVA VIU JAVÉ.

VIVA!


(Agosto/2002)




33- VOCÊ QUE NÃO NASCEU


Você que não nasceu

para conviver,

quer não nasceu 

para servir e ouvir,

que não nasceu 

para plantar, educar filhos, escrever e dialogar.


Você que não nasceu 

para trabalhar,

para amar  e se apaixonar,

se encontrar à noite

com cansaço e fadiga

e sentir prazer e dor.


Você que não nasceu 

para ler, escrever, votar, fazer política,

 rezar, dançar, ganhar, perder,

ter dúvida e fé, incerteza, ousar,

e saber que vai morrer.


Você que não nasceu 

para viver,

o seu problema é ter nascido. 


(Novembro/2002)




34 -  DIVINDADE


Divindade,

uma e única relação criadora de de tudo,

fonte da Vida e do Amor.


Em comum,

presente na mulher e no homem,

e em o Universo.


Núcleo de cada pessoa,

família, sociedade, cultura

e tradições religiosas.


Reino que re-une terra,

céu, ar, água, fogo e seres vivos.


 Sinal de um mistério visível,

sagrado de pleno equilíbrio cósmico

que converge justiça e paz.


Fiel que ordena o caos.


Perfeição que movimenta

a vida em liberdade

como causa e necessidade.


Ação e relação que transpira

harmonia e perdão.


Verdade que traduz

Beleza e Bondade.


Transcendente que está 

Aqui e Além. 


(Maio/2003)




35 - ÍNFIMO-IMENSO


O universo imenso 

e o ínfimo mônada,

na formação da Via-Láctea

se encontram cada vez mais unidos

com seus átomos, vírus e células.

Juntos como a Terra e o Céu,

como alua e o sol,

a noie e o dia,

contraído e expansivo, 

apaixonado e racional.

Eis que um ser surge,

os seres humanos vivos, 

animal-vertebrado-mamífero

dos primatas hominídeos

homo saoiens-sapiens,

pós-moderno, demente.

Pessoa

culturalmente gente .

Micro-vida no Cosmo

de sua interioridade,

para fora da complexidade.

E tudo é um todo

e uma totalidade

de profunda Beleza,

Sabedoria e Liberdade.


(Fonte: "O Fenômuno Humano" de Teilhard de Chardin)

(Junho/2003)




36 - POESOFIA 

- O DIÁLOGO DO CUIDADO -


O Erro de Platão está no seu 

idealismo e dicotomia de corpo e alma.

O mito da caverna vai além de Platão

er não se reduz no seu ser em si mesmo


A ideia criou corpo, tempo, instituições...

Vieram as interpretações,

as transformações,

as reformas,

o cosntrutivismo,

a recriação.


Questiona-se a verdade,

o absoluto, Deus, a morte...

Relativa-se.

Consensualiza.


A existência emerge.

A essência evolui.

E como um ponto de encontro

o ser humano percebe 

o cuidado de todo o começo,

a biogênese de tudo,

tal qual uma criança

brincando com a água

numa correnteza advinda 

de uma fonte longíqua

para a mensidão do oceano.


E diante do pequeno-grande

planeta Terra,

o diálogo do cuidade

desafiatoda a humanidade:

Salvar como?

Os versos cibernéticos tespondem:

Ou voce é "www.(ponto) com"

ou será ponto morto. 


(Janeiro/2004)




37 - O CIENTISTA E O JARDINEIRO


Imagine Deus ser um cientista 

e de repentre aprece a ideia 

de criar uma pessoa

para cuidar do seu imenso jardim

chamado Terra.

E essa pessoa como outra qualquer,

comum, complexa, insatisfeita,

começa a pensar:

Quem sou eu?

O tempo evoluiu

e o pensamento do jardeineiro 

alcançou a dimensão do espaço infinito.

Nunca imaginou somente como jardineiro.

Ou talvez, Deus, nunca seria compreendido 

em sua divindade,

senão, pela criação de um jardnieiro 

em seu paraiso terrestre.

Esse cientista causador da explosão cósmica,

 até hoje é incompreendido em sua plenitude.

E como um mistério,

convivemos entre a Terra e o Céu;

entre o nosso espaço exterior imenso 

e a infinitude da interioridade humana.

E como uma semente

que deu origem a todo o jardim, 

o jardineiro para e pensa:

É preciso cuidar de cada semente

para a contemplação do jardim.


(Março/2004)




 38 - O QUE ENSINAR?


O que ensinar?

O saber ser

com tantos saberes

com diversos seres.


Como ser com tantos seres 

sem ter o que comer?

Mas existe o que comer.

Ensinar a aprender a conviver.


Que adiante pensar e dizer que existe,

se viver é  maior que existir?

Como vivemos, morremos.

O que aprendemos, ensinamos

em busca de superarmos.

Viver em si só não basta

é preciso conviver com o diferente.

Em cada vida que nasce 

emerge um novo ensinamento,

um novo pensamento em evolução.

Ensinar a nascer de novo 

é desafio de nosso saber,

de reaprender,

de simplesmenete ser.


(Março/2004)




39 - LENTIDÃO


O Universo é lento

O sol é lento

A Estrela é lenta 

A Terra é lenta 

O Mar é lento

O Ar é lento

A Vida é lenta 

O Ser Humano é lento

A História é lenta

O tempo é lento

Só não é lento

A própria lentidão.

Quando menos esperamos

Tudo já tem passado. 


(Julho/2004)





quarta-feira, 16 de agosto de 2023

POEMAS CIENTÍFICOS

13 - PSICOPOESIA 


 O ser humano se relaciona 

de forma

cósmica

planetária 

e biopsicosocial. 


Cósmica porque 

está no Cosmos

é parte dos universos 

criado do Absoluto.


Planetária porque

está inserido na Terra

constextualizado no espaço-tempo

na geografia cultural

de sua nação

de seu país

de sua rua

de seu itinerário

de sua meta.


Biopsicossocial porque 

 é vida animada em sociedade

em comunidade

em família.

Ser corpo-espírito

movimento do seu próprio EU

interagindo como os outros no mundo. 


O ser humano é sempre uma busca

de si mesmo.

É uma pessoa que está para além de si.

Nunca se resume,

nunca se limita,

por sua natural insatisfação. 

(Junho/1998)

domingo, 30 de julho de 2023

POEMAS CIENTÍFICOS

 12 - INCÓGNITA 


Quem é você

que me aparece 

misteriosamente visível?

Fenômeno, quem ès?


O que é que envolve o corpo, 

invade a alma,

sem consulta,

instrospecta na infinitude 

da totalidade do meu ser ?


Como é poderosa a força 

humano-cósmica:

sentir o Absoluto

por sentir o Outro.


Em ti encontro 

essência e existência,

sentido e direção,

liberdade e lei,

caos e cosmos.


Quem és que penetra como a luz,

Bela, admirável e indizível,

inexorável Fonte

que transmite o mais puro e inesgotável Amor?


(Novembro/1997)

quinta-feira, 8 de junho de 2023

POEMAS CIENTÍFICOS

11 - ESTADO 


Comuna primitiva

selvageria, barbária,

civilização e estatização.


Estado de direito

e não de fato.

Fachada e farsa.

Ocaso de um Estado

do Bem Estar Social.


Crise politica demagógica

a favor da religação

com a Antiguidade.

Renasce um novo iluminismo,

ainda sobre o Positivismo-funcionalista. 


Estados desunidos e distantes, 

privatizados, urbanizados

em crise com o neoliberalismo.


Status quo

da privatização

do neoconservadorismo

da técnica sem ética

da Nova Era

dos sem-terra

da fria guerra

pelo mercado livre

ds desvalidios

de todo o governo

sem sentido.


O futuro é o diferente

totalmente novo

e não o indiferente

totalmente morto,

onde escolher

é uma luta interior.


(Outubro/1997)


domingo, 28 de maio de 2023

POEMAS CIENTÍFICOS

10 - ANTROPLOGIA FILOSÓFICA 


Quem é o Ser Humano em sua essência?

 É a somaticidade de uma epistemologia humana.

É em sua ontologia o ser o sere além de sua corporeidade.


É o Ser de sopro vital, animado e ativo,

transformador, científico e místico.


Que busca conhecer, sentir e viver, e não apenas existir.

Criador do saber e do poder.


O Ser Humano é uma vontade ,

vontade humano de liberdade e de Amor,

em crise com a verdade e a razão.

 

O Outro é o diferente que participa e que afeta

no mundo da subjetividade.


Subjetivo é a linguagem que transcende o natural.

Relaciona o pensamento evolutivo 

com o mundo e o Absoluto.

A palavra é a vida em dialética .


O Ser Humano é um Ser integral e  inacabado,

e em todos os sentidos,

assume as dimensões político-social.


O Ser Humano é de natureza cultural

substância de sua estrutura .


O Ser Humano é um animal lúdico 

que busca satisfazer as suas vontades,

tendo em si o seu próprio fim.


O Ser Humano é em sua totalidade 

um ser profundamente ético-religioso.

(apesar da demência).


O Ser Humano é em si uma autotranscendência 

como Ser existente e vivificante, personificado.

É em si consistência integral de corpo-espírito,

em forma de matéria

e em conteúdo substancial.

O Ser Humano, a partir do seu princípio,

está para além de si,

aberto ao infinito,

e portanto, vive como um fenômeno 

nas sua própria imortaluidade.


(Setembro/1997)

domingo, 23 de abril de 2023

POEMAS CIENTÍFICOS

  9 - MÁXIMA


Muito mito - minto.

Menos motim - modernismo.

Motivo: movimento.


Mundo mudo

manuscrito nos muros

em marcha de manifestação.


Metrópole de miséria

 monopólio do mercado

megera de manipulação e mediocridade.


Massa em massacre

- cremação marginal - 

em maxidesvalorização.

Matança em mansidão.


Milênios de História

de meta, método e mensagem,

de modelos anarcomoralistas. 


Memória, mística e missão,

movem militância em mudança:

Medita, mobiliza, mediação.


Matéria matura metamórfica.

Melodia do amanhã 

sem mandamento do medo,

sem morte e sem mistério.


(Setembro/1997)


sábado, 4 de março de 2023

POESIA COM ESPIRITUALIDADE



POESIA COM ESPIRITUALIDADE



"A espiritualidade é apenas uma. (...) é para os que estão despertos. (...) é causa de União (...) se ocupa com o Ser.". (Teilhard de Chardin).

"Ciência, Filosofia e Religião convergem necessariamente nas vizinhaças do Todo. Convergem, digo bem; mas sem se confudirem, e sem deixarem, até o fim, de abordar o Real sob ângulos e planos diferentes.". "Ser mais é unir-se cada vez mais.".  (O Fenômeno Humano. T. de Chardin. São Paulo: Cultrix, 1986, pp. 19 e 25).


“Sua história, poesia e trajetória de vida me levam a acreditar que apesar desses dias inglórios os que estarão aqui depois da gente saberão agir de uma forma tal que não cometerão os erros que a gente infalivelmente comete. Você é pra mim uma referência no movimento, na poesia e na vida. Não exemplo, não se trata disso, é um pensador, filósofo que tem o dom da poesia e a síntese de quem parece que conhece a linha de chegada da luta... Um abraço.”. (Augusto Cesar Tavares).

 

Augusto, sua vida com toda literatura inerente e a criatividade que tem de recriar a própria vida, também me faz repensar pelo seu pensamento, mesmo sabendo que passamos, mas deixamos marcas históricas em nossa categoria de quem ensina e aprende, sempre na luta em sala de aula, entre amigos, semeando amizade com gente que aponta e nos diz: Professor! Sua vontade se junta a de muitos que têm o sonho acordado no coletivo pela dignidade. Pela poesia voamos alto com discernimento, a partir dos mais vulneráveis. Paz e bem! (Jonas Serafim).





1 - PRÓLOGO DE UMA TEO-BIOGRAFIA


Da teogonia do Caos - a Gaia e o Eros

a teo-poesia líquida do ar

o ponto supremo de atração solar 

entre a ciência e a espiritualidade

 

e na minha teo-biografia de vida

converge no que transvejo

na teo-física da espirito-sofia 

no infinto abscôndito 


entre  o homo sapiens e o homo demens

no enconro do Logos com a Terra

relutante ser de sentido 


itinerante entre tantos animais 

num ecossistema finito

que clama ecoeficiência.

(Janeiro/2023)



2 - UNIDADE DIVINA


Tudo é a Unidade

O nada não existe

O vazio não existe

O Todo é o que existe na Unidade

Somos células da Unidade Divina.

(Marco/2023)



3 - CAUSA IMATERIAL


 Desde cedo nos apegamos ao corpo

como criança somos sementes em tese

crescemos juntos com o pensar do germe

evoluímos num complexo composto.


 Da carne que somos, transcendemos

ressurgimos emergindo no tempo

passamos como passa o vento

vivemos como sementes perenes.


 Do apego para o desprendimento

com o desejo imaterial

eleva-se o pensamento.


 Do extranatural conexo ao afeto

pela serenidade empática

expande-se o ânimo.

(Março/23)



4 - VIDA CONCEBIDA 


Pela consciência aceitamos

a nossa vida concebida

com a liberdade.


Pelo sentimento olhamos

e alcançamos as estrelas 

molhando os pés na praia.


Pelo que somos

pensamos

e transcendemos. 

(Março/2023) 

 


5 - VIVER É UM ATO POLÍTICO


Viver é um ato político.

A vida é uma realidade dinâmica

repleta de desafios

no seu precurso histórico.

Muitos não têm onde reclinar a cabeça

ou o próprio chão onde pisa como

                         acolhimento.

Somos o que somos a cada dia,

na resistência e na luta

de um novo amanhecer

possível de fraternidade.

(Abril/2023)



6 - CHEGA UM TEMPO


‌ Chega um tempo em que você aprende

A amar diferente, pensar dissemelhante,

Falar moderadamente

Agir com mais cautela.


‌Chega um tempo em que o cansaço

Se refaz e  torna-se revigorado,

A leveza desperta veloz

O silêncio explode em sabedoria.

Chega um tempo em que se reflete profundamente

Caminha livre sem querer chegar

Chega no limite e continua a caminhar.


‌Chega um tempo em que tudo está consumado

O tempo não conta na convergência da Natureza

O Universo nos absorve em sua totalidade

(Maio/23)



7 - O SER HUMANO É TEMPO-ESPAÇO

 

‌Escrevo o que me fortalece e eterniza

no tempo-espaço do ser humano que sou,

ocupando-me na dimensão tridimensional,

útero-terra-transcendência.


‌O ser humano é tempo-espaço, meta-físico,

contração e mistério,

vida e fé,

ágape.


‌Experiência vivenciada, sentida agora,

sentimento partilhado,

esperança,

essência.


‌Transito numa linha elástica e sutil

com profundidade,

repleto,

inteiro.

(Maio/23)



8 - FÉ


‌O sentimento é vulcão que explode.

O pensamento respira explosão.


‌Eu penso e respiro uma causa coletiva.

Sou enfático demais nas expressões.


‌Do âmago escorre o magma fundante,

o sentido da essência humana.


‌Nada de bibliolatria.

Motivação: fé.

(Maio/23)



9 - CORAGEM


‌A estrada não tem fim.

Vá! Pode seguir em frente.

Coragem! Ânimo!

Tome a dicisão certa

E ouse caminhar sem medo.

No meio do caminho da vida

acontecem coisas estranhas.

 Às vezes, as pessoas não percebem

o tamanho do ponto inicial de um caos

que começa no percurso da vida.

É preciso coragem para enfrentar seu ego.

Ouse desconstruir o conhecido

com bravura e destemor.

Afoite-se! Encorage-se!

Atreva com proeza e confiança.

(Junho/23)



10 - UM PONTO


Um ponto central começa a crescer

e marca com um sinal cruzado

com mais um ícone transversal

formando um pequeno círculo

dentro da imagem tridimensional

inversamente proporcional

entre os pontos cardeais

tudo envolto a um grande círculo.

(Junho/23)

 


11 - ÁTOMOS TRANSCENDENTAIS 


Tem tanto conhecimento

que a gente tem que aprender.

E não temos tempo suficiente

para aprender tanta coisa.

Não vamos aprender todo conhecimento.

Existe um universo todo dentro de um átomo,

não damos conta de saber a sua totalidade.

Levamos conosco todo o sentimento

e algo de nós fica presente no universo.

Somos átomos transcendentais

como luz ardente em chamas.

Assim, estamos no universo terreno, 

como o oceano é outro universo na Terra,

no multiverso estamos como um ponto.

No nosso mundo

a democracia é a arte da política.

Na imensidão da transcendência

a espiritualidade é a essência da humanidade.

Na micro vida vibra energia quântica,

inteligência, consciência e sentido.

Na essência do ser, a fonte insaciável 

da sublimidade e da plenitude.

Como partículas subatômicas inter-relacionamos, ondulamos.

Sentimos a grandeza no invisível, ritualizamos,

refletimos na conectividade da ação holística.

Por crer, criamos. Revelamos. Eternizamos.

Somos luzes sensíveis, atraídas, cientes.

Somos pensamento vivos de uma gota infinita.

Na infinitude percebemos a magnitude.

(Julho/23)



12 - VIDA RESISTENTE


      Vida resistente.

És forte, firme e bela,

admiravelmente consagrada,

inigualável, única para ser plena.

     Vida integralmente,

patrona, ampla e soberana,

acolhedora de todo ecossistema,

abençoada, iluminada, inspiradora,

     matriz de sabedoria e maestria,

ensina a todos a viver na amizade,

ensina no seu tempo esperançoso,

     ser ousado e corajoso,

ser íntegro e amoroso.

ser melhor na convivência.

          A vida não é um luto.

É luta que reluta todo dia,

caminha na estrada construindo,

edificando a casa humanamente.

     Vida viva vivente.

É construtora em busca de paz.

Existe sendo criativa.

Compartilha a boa semente.

     Princípio da bela amizade.

Itinerante sempre em missão

sobre tensões sociais.

     Essência da existência em evolução,

fundante, ecumênica e sincrética,

itinerante para o horizonte pleno. 

(Julho/23)


13 - CÉU E TERRA


 Céu e Terra 

sagrada relação

alimenta e sustenta

descansa no Universo

com todo cuidado

revigora a vida

com sentido e direção

para a finalidade cósmica 

superando adversidade

com firmeza e confiança 

permanente na esperança

da relação consagrada

em abundância

e ação para o bem 

cumprindo a promessa

da eternidade.

(Julho/23)



14 - A PEDRA


‌A pedra no caminho expressa sentimento.

É algo enfático de sentido.

Não é qualquer coisa.

É princípio de tudo.

É semente de vida.

Flor pensante do vulcão.

É um acontecimento inesquecível.

É peso, leveza, firmeza, energia, segredo.

É matéria construtora.

Corpo primitivo.

É cálculo da natureza insistente no tempo.

Pedaço de minério da planta animal.

Camada terrestre contemplativa no universo.

Composição química sagrada.

Poeira.

Lápide.

(Julho/23) 




15 - O AMOR VENCERÁ


O amor vencerá sempre.

A amizade semeará sentido na vida.

O afeto fortalecerá as relações.

A empatia revigorará a união.

O conhecimento conduzirá para a liberdade.

A história contará a realidade autêntica.

O olhar da criança ensinará o bem.

A fraternidade unirá a justiça com a paz.

O companheirismo avivará a bondade.

A benevolência será a nossa finalidade.

 (Agosto/23)




16 - CONEXÃO MÍSTICA 


Ânimo imanente relevante da fé,

reconhece-me neste corpo,

na matéria natural,

nos seres existentes,

refaz-me renovo em Ágape,

como oferenda para viver,

no Ethos e no Eros,

na vibração de um mantra,

na dimensão imaginária,

na pele ecológica terrena,

sendo essência do oráculo,

no caminho transcendental,

na relação do esquilibrio,

na razão do coração.

(Agosto/23) 




17 -  INIMIGO


O inimigo é dissimulado

tem muita criatividade

envolve-se com calúnia

provoca toda maldade

é o grande adversário

criador da falsidade.

 

‌ O inimigo é um tentador

é um gênio da opressão

intimida, desune, mata,

rouba e causa destruição.

Conhecido por coisa-ruim

desde o tempo da Criação.

 

‌O inimigo é traiçoeiro

 e aflige com escravidão,

é nocivo para sociedade.

causador de toda opressão,

é a mentira e não a verdade,

Não é benção, é maldição.


(Agosto/23)



18 - 🙏🏿 MOSTEIRO 🙏🏿

‌Mosteiro, mistério, me sinto

Profundo, encoberto, admirável.

Meditante pelo claustro áfono,

Extático na mística do encanto.


‌Templo enigmático teísta

No alto da serra, o púlpito,

Proclama o canto das aves

Arrebata-me cúltico e eleva.


‌Santuário que abriga ritos

Revela relíquias, unge em silêncio

Acolhe-nos com inspiração.


‌Imagem semblântica da fé

Que abriga o ser pensante

E extasia a mente em devoção.


(Mosteiro dos Jesuitas - 27/08/2023)




19 - MEDITAÇÃO


‌Retiro-me

Esperançoso

Gratificante

Fortalecendo-me.


‌Reflexivo

Transcendente

Refaço-me

Pensativo.

Relacionando-me

Convivendo

Aprendo.


‌Concentracão

Humanizando

Meditação.

(Set/23)




20 - COMO SABER QUEM SOU


‌Como saber quem sou 

Sem ao menos me conhecer?

Se observo no outro tantos detalhes

e muito menos em mim?


‌A vida oferece escolha

Que a gente às vezes deixa na ilusão

Enquanto o tempo vai passando

Vive-se bem menos sem ter decisão.

O passado já ensinou bastante

Nos caminhos amargos e com muita dor

Mas a esperança que nos fortalece

Faz-nos resistentes e com mais fervor.

Nossa história sempre nos ensina

Que entre a guerra e a paz temos esperança

E unidos na luta da vida 

Seremos honrados pela confiança.


‌Só podemos saber quem somos

Sabendo de si pela união.

O saber que se faz unido

Une toda força na revolução.

(Set/23)




21 - VEJO


‌Vejo distante no horizonte

O espaço da vida crepuscular,

Um caminho infinito e escrito,

Um oásis entre as nuvens,

Um riacho de estrelas,

No brilho do sol sobre a trilha riscada no mar.


‌Vejo além as imagens transcendentais

Nos limites da admiração que revela sentido

A vida, a beleza, o saber, a poesia...

A fronteira e as possibilidades

O amanhecer na travessia que inspira o ser.


‌O encantamento da vida brilha no ar

Renasce em nossos inventos

Engrandece os instantes e os momentos

Em nossas pequenas atitudes.


‌Vejo a revelação da história no ciclo da vida

No curso da existência e no limite

No conhecimento que não se pode saber 

Na idade do eterno cósmico, é o sinal.


‌Vejo pessoas morrendo entre as guerras

Sem horizonte de ver um novo amanhã.

E a paz tão sonhada entre as nações

São desenhos utópicos de um cenário

Nos olhos das crianças que acenam um novo olhar.

(Setembro/2023)




22 - A BUSCA


‌Busco em mim uma revelação

A vida que respiro

Entre as contradições

A finalidade.


‌Encontro-me sempre em mim mesmo

Na finidade do meu ser

Saio de mim à procura do sujeito que sou

Externo-me na convivência.


‌Revelo-me em mim e em coro

Comigo está meu eu desconhecido

Dentro de minha essência, a luz.

A semente de uma árvore frutífera.


‌Sou o sentido além da existência 

O começo estendido nos confins

A descoberta do sentimento

A busca incessante do meu ser.

(Setembro/2023l




 23 - SONHO PLANETÁRIO 


Sonho com um mundo possível

Saciado de pão e de paz

Sem guerra e sem violência

Com gente amável e vivaz

Amantes da vida e da poesia

Com amizades verdadeiras

Criativas e confraternas

Solidárias e companheiras

Um sonho planetário

Ecológico, livre, sem fronteiras.

(Setembro/2023)




24 - VOX ET LEX


"Cogito, ergo sum" et sentio.

Salutatio!

Corpus meum,

lux veritatis, 

semper fidelis,

honoris causa,

vita reali,

in vita populi,

in vita Dei.

Hic vox et lex:

Fraternitas et iustitia socialis

cun bona fide,

cun caritate et benignitate.

Pax et bonum!


(Setembro/2023)




25 - CORES 


Branca verdade da paz

unida a igualdade lilás

com o azul celeste da sabedoria

envolve-se no verde florestal da esperança

no amarelo da criatividade

e na alegria das lanranjas

encontra-se a vermelhidão do amor

e com a síntese do preto da elegância e do respeito. 


(Setembro/2023)




26 - CASULO


Casulo

Guarda-me na tua esperança.

Cuida e Protege a vida.

Envolve-me em tua beleza.

Que neste invólucro eu reconstrua meu ser.

(Setembro/2023)



27 - VOZ ECOANTE 


* Sou o ar e o líquido da terra ensolarada,

sou sem ser silêncio, sendo uma voz ecoante

com outras vozes na praça.


* Sou o corpo que pergunta, fala e sente.

Sou uma música ou uma pequena semente

vociferando no meio de muita gente.


* Tenho um tempo para o mundo que não é só para mim,

vou aprendendo com as pessoas,

com os livros, com a natureza,

e penso como ser melhor 

convivendo com as indiferenças,

tantas crenças,

e com tantas falácias.


* Minha voz presa e sufocada

quer falar o amor maior,

quer dizer o sentimento de ser livre, ter a voz e a vez,

ir além do trivial.


* Escrevo os poemas independentes e fora dos padrões,

versos livres com língua afiada sobre o que escuto, 

e ouvindo os desabafos,

ouso dizer que se muda quando aprende,

e aprende quando ensina.


* Sei que o pensamento faz o corpo sentir

e falar com o Sagrado

é falar consigo mesmo.

Viver de fato não é só existir.

Viver faz pensar.

O corpo me pergunta. 


* Sou o hálito profundo da minha existência 

sem levar nada.

Não tire de mim a cor do som.

Eu sou meu próprio alento.


* Depois do fôlego 

ainda existe vida, acredite.

Não morre a última palavra 

que respira aos quatro ventos na imensidão

pelo afeto natural.


* Não sou além de um ser humano

e sendo já não sou muito.

Sou um sopro complexo

e nada mais.


(Setembro/2023)




28 -  CONTEMPLAÇÃO

 

A contemplação

no imenso universo

refaz o nosso ser,

reúne ao princípio.

 

Em adoração

contemplo o que vivo,

reflito numa flor

a presença do espírito.

 

A nossa Criação,

semente de origem,

em nossa existência,

floresce em nosso ser.

 

Vivemos como luzes,

com o gosto da matéria,

na Terra sob o sol,

admirando o ocaso.

 



29 - SENTIDO HUMANO 

 

Meu coração sente uma vontade brigando com a razão,

escolhe coisas impossíveis imaginando como simples.

Sinto a sede dos impulsos

entre as pessoas e a minha pele.

 

O meu espaço é bem amplo na própria finitude,

e como um grão acolho o teu universo para uma viagem plena.

Oráculo! Constelações! Ninfas guardiãs!

Vivifica a vida.

 

Ando no tempo poético

na rotina da realidade que fere,

que me faz repensar, que me sacode pro alto.

E no tempo perdido escrevo

a canção amante e tento desvelar o sentido humano.

 

O mundo não é a gente, se não apenas enquanto vivemos.

E a essência de nossa vida não é simplesmente viver.

Somos uma caravana

e o sentido humano estar na passagem de conviver.

 

A minha vida transcende o meu espaço 

e o pensamento alheio tenta me julgar 

falando coisas ao vento,

mas a boa poesia me inspira para outro lugar além-mar.

Não tenho como ficar ouvindo pseudos monólogos.

 

O que sou consiste em estar sendo no simples convívio,

no sentido humano de ser sempre bem melhor,

mas as crueldades, as desigualdades e injustiças,

me transportam e transformam o meu grito,

sobre o sentido da vida que foi transgredido.

 

O meu viver é dialético,

no que sinto em vida com os outros sentidos,

vida, terra, sopro…

 

O tempo cuidará de nós 

e o nosso ser desvelará,

na mais forte e bela afeição,

no rosto do sentido humano.

 

(Setembro/2023)




30 - NADA

 

Nada, não amanhece,

não existe, é vazio de sentido,

não tem tempo nem espaço.

Onde pode estar o nada?

Cadê o nada? Como desfaço?

 

Nada, não consta na natureza,

em lugar nenhum se encontra.

Indefinido, ausente, invisível.

O não ser. O inexistente.

Sem nenhuma localização.

 

Nada nem é uma contraposição.

Não se imagina, nem nada é.

Não se sabe nem pode saber.

 

Com os olhos fechados, oculta visão;

profundo infinito, imensidão;

algo possível, uma idéia, ilusão;

mas, nada, é nada não.

 

Nada não é nem mesmo a morte

que é uma transformação natural.

Nada, nem é também negação.

Nada, nem é um simples não. Nada, é nada.

 

(Outubro/2023)




31 - MÍSTICA E MATÉRIA

 

Sentindo na carne do meu ser

encontro novas epidermes

em rostos grafados nas ruas

ultrapassando as luzes.

 

Pensando com a Terra

na longa sobrevivência

unindo mística e matéria

vislumbramos a imanência.

 

Transcendendo a realidade.

do que sinto, penso e vivo,

vou no caminho da certeza

mesmo sabendo que duvido.

 

(Setembro/2023)

 

 

 

32 - AUTO NASCIMENTO

 

Não vou fazer poesia para agradar

ou escrever um livro só por gosto popular.

No outdoor estava escrito em grafite:

nos arrancam tudo e nos chamam de contribuintes.

Luto por um mundo possível

sabendo que a luta é de resistência

e nem tudo permanece

e as coisas mudam.

 

O que você faz e pensa

e sempre te sacia?

Ainda não sabe?

Pois tem gente pensando por você

enquanto dorme.

 

Das ideias vêm a paz ou a guerra.

Por isso é preciso pensar bem.

E o que temos nas mãos

se ergue junto com a voz.

 

Às vezes vejo transeuntes alheios,

nas ruas pessoas vulneráveis,

as escolas sem novidade.

A cidade corre e dorme

e repete a mesma rotina

sem sentir o som de si mesma.

Tento inovar o costume,

discernindo os desafios ortodoxos,

enquanto vivo.

 

O tempo passa muito rápido,

um resto sobrevive,

outros não sei como vivem.

A esperança que também morre

não espera a morte.

A dor está na pele.

 

O amor é outra forma de dor

que os viventes sentem

e entre a paixão e a razão

todos são sobreviventes.

de uma sobrevida,

um auto nascimento

 

As nossas vidas não são nossas.

Elas são da Terra.

Não se iludam

com os trabalhos precários.

Não diga que tudo está perdido.

Persevere lutando,

a luta muda a vida.

O caminho nós construímos.

 

Cada um decide por si mesmo,

não o que passou;

o coletivo marca o porvir.

 

A virtualidade faz dormir

e a realidade desperta do sono.

Até quando

seremos servos

de uma elite tirana?

 

Apesar da dor, ame.

Sinta a voz do coração

renascendo como flor,

emergindo do asfalto quente.

Mesmo com a rejeição,

renasça! Ressuscite!

 

(Outubro/2023)

 

 

 

33 - FERMENTO NA MASSA

 

Somos como sementes

semeadas na Terra para florescer,

virarmos árvores frutíferas em cada amanhecer,

e com o passar do tempo vamos transcender.

Seremos poeira cósmica noutro viver.

 

A vida cotidiana é cheia de possibilidades

e o caminho a seguir convida para a liberdade.

A estrada da vida estende-se ao horizonte

e se expande entre diversos conhecimentos.

Podemos mudar a realidade de amanhã

O pretérito servirá para ensinar o coletivo

a saber como seguir nos ventos impetuosos.

 

A história que passou será como semente

e como fermento na massa crescerá.

 

Temos muito o que fazer além da poesia

e a arte vai inspirar a vida.

Como pássaro relutante contra as gaiolas vis

devemos renascer no novo ser itinerante,

na práxis de Patativa que canta:

"É melhor escrever errado a coisa certa

do que escrever certo a coisa errada"

Assim, o canto da vida terá encanto e brilho.

 

(Outubro/2023)

 

 34 - LAPSO

Alheamento ausência confusão

 Descuido deslize desvio distração

 Engano equívoco erro espaço

 Falha falta gafe

 Hiato ínterim interrupção intervalo

 Lacuna lapso

 Parêntese pausa período

 Vácuo vírgula

 

(Outubro/2023)




35 - O TEMPO NÃO VOLTA

 

O tempo não volta para nos salvar do espaço

que ocupamos como sementes evolutivas

que rompemos na molécula da matéria ativa

desgastando-nos no próprio oxigênio

como predadores terrestres

guerreando uns contra os outros.

 

Desperdiçamos sem noção por conta egocêntrica,

pensando num status, na arrogância narcisista,

causando guerras.

 

A vida não é para ser destruída.

Há uma sobrevida além dos ventos.

(Novembro/2023)

 

 


36 - SOBREVIVER

 

Como o tempo anda com a gente,

encontrei algumas tempestades,

semeei notícias que o vento levou

e as pedras urbanas sufocaram.

O casamento bateu em minha porta

e junto com o trabalho era o meu estudo.

Estudar veio depois. A luta era sobreviver.

Sobreviver com luta, leitura, poesia e fé.

Tantos poemas escritos que fiz e faço

sobre o papel e o chão de sangue da cidade,

como os versos revolucionário de Bertolt

e a ousadia das pinturas do amor de  Frida.

Tantos lugares que não conheço e lá quero chegar

para sentir o ar da paisagem como um beijo,

enamorar à noite no jardim do corpo,

e tocar o ponto mais sagrado de tudo.

Abraço apertado em cada braço aberto,

em sentimentos indiferentes desejo o melhor,

apesar da fome e das guerras entre as nações,

apesar do espírito neoliberal.

O que o tempo me diz senão sobreviver,

e ainda ter que negociar com a elite que oprime?

Verás que uma professora não foge à luta

e assim canta Clara Nunes, Rita Lee, Bethânia, Leci…

Agora um neopentecostalismo patriótico

pregando como parlamentar da nação,

andando com maquineta e Bíblia,

precipitando sobre os afastados.

As famílias levam os dilemas pras escolas

e os freireanos fazem a interlocução dialógica.

Enquanto isso o feminicídio e a homofobia

aumentam, como as queimadas na Amazônia.


(Novembro/2023)




37 - ANDO COM AS PLANTAS

 

Quando vejo crianças das ruas chorando

lacrimejo no peito o lamento oprimido

por serem esquecidos nos guetos urbanos

e ninguém atende o seu choro e o seu grito.

Quando me vejo entre amigos realizados

celebrando a vida em família com alegria,

reflito em conjunto os conflitos sociais,

mastigo, e  tantos sem comer uma bóia fria.

Vejo o tempo passar e muitos passam como vento.

O mal é sempre uma questão mais profunda,

gritante no interior da realidade insana.

Enquanto a paz e a felicidade não chegam

ando também com as plantas que conversam

e nos canteiros entre os carros, versejam. 


(Dezembro/2023)


 

  38 - MORO EM MIM

 

Moro em mim como a Terra na Via Láctea,

enraizado em Pindorama da América do Sul,

vivendo entre urbanos da miscigenação,

 compartilhando Instagram.

 

E nos poucos abraços, um verso triste.

 

O instante contente, o clímax.

 

O corpo pede uma sombra, um oásis.

 

Meu habitat simboliza o mundo

incluindo o céu, o seu, os coletivos.

 

Em minha morada, oráculo de mim mesmo,

ressurge a utopia da profundidade do eu em nós.

 

E das raízes de nossa gens nativa,

Márcia Kambeba aclama:

“Os filhos das águas dos Solimões”.


(Dezembro/2023)




39 - GOTAS E GRÃOS

 

Meus pensamentos flutuantes sonham

com a visão estelar cósmica terral,

raciocina a vida como folhas ao extremo,

frutifica afeto transcendental.

 

Nosso ser vivente em mística respira,

historifica no mundo um sentido,

evolui e deixa muitos caminhos,

seguindo adiante rumo ao desconhecido.

 

O mundo criado e reinventado

passa com as vidas vindas e idas,

e vai de forma contínua no infinito,

ininterruptamente reconstruindo.

 

Além, vai meditante versos,

esvoaçando entre as estrelas,

entre gotas e grãos de areia,

vívidos, translúcidos, retornando ao princípio.

 

(Dezembro/2023)



40 - CARNE VEGETAL TERRENA

 

Uma luz amanheceu em minha vida

e no anoitecer cresci não de repente.

No pulsar dos ciclos solares

algumas metamorfoses.

 

Para onde vamos?

O caminho que seguimos para onde nos levará?

Que dimensão encontraremos na meta-história?

Como e em que portal entraremos?

 

O que queremos é uma possibilidade.

O mundo é uma passagem.

O sol também é limitado.

O instante vivido é a eternidade.

 

Como pode existir tanta violência,

guerras, fome, desflorestamento?…

Como não aprender com os animais?

É preciso renascermos humanos.

 

Por que nascer um coração de pedra?

Não será a vida humana uma porção da Terra?

O erro desumano está em não ser humano.

Humanize-se! Refloreste-se! Cordialeze!

 

Não se separe da carne vegetal terrena,

sabendo que o paraíso ilumina no coração,

e a natureza ensina o caminho a seguir,

realizando o ser em sua grandeza original.

 

(Dezembro/2023)



41 - NOVO AMANHÃ

 

Sou peregrino de um caminho contínuo

onde os passos deixam marcas na rocha

e o agora precisa reconstruir o novo amanhã.

 

Quantos já passaram e não viveram

o sentido elevado humanizante,

e o que existe é vital para florescer.

 

Em cada pessoa uma esperança viva,

em cada casa uma luz para brilhar,

em cada olhar uma história contemplativa,

e no caminho o reflexo de cada um.

 

O horizonte nos aponta um sinal

com um canto inovador que questiona:

como será o amanhã dos nossos filhos?

 

Em cada amanhecer os desafios,

as carências de tantos corações,

as notícias das guerras infindáveis,

mas a vida vencerá!

 

A união entre as nações é uma utopia,

e ser fraterno e solidário é a saída.

É preciso ir além da imaginação.

É preciso atitude de paz.

 

O caminho da vida é longo

e cada um faz a sua travessia no seu tempo

e assim estamos em movimento.

 

O novo amanhã já começou hoje,

cabe a nós pintar a tela do dia

e o habitat do jardim planetário

de novo amanhecerá.

 

(Prainha. - Aquiraz. 27 graus. 31/12/2023)

 

 

42 - FATOS VELADOS

 

A voz que sai pela escrita

não deixa de sangrar a tinta viva

de fatos velados nas doutrinas,

e por não me calar indignado,

resisto e reluto permanente,

convivendo sóbrio, mas descontente,

entre sócios ébrios e astutos do ópio.

 

A fala ecoante exilada,

sofrida na carne marginalizada,

oprimida no estigma da história,

encontra-se a beira da estrada,

revoltando-se contra a ideia alienada,

no martírio dos contestados,

subsistindo com direitos sonegados.

 

O clamor ressoante e ressurgente

ocupa os despertos conscientes,

revela aos desvalidos penitentes,

os ventos fortes tempestuosos,

e um novo sentimento atencioso,

refaz-se renovante e vai avante,

eclode e arrebenta o pensamento.

 

(Janeiro/2024)

 

 

43 - RETORNO

 

Terra diz agora

a tua resposta

deste progresso

sei que não gosta

por ser retrocesso

e não renascença

por isso reage

revida, reinventa.

 

Gaia, Orbe, Adamah

Habitat humano

revolta, mas volta

vem renovando

re-úne a humanidade

refaz-nos húmus

gens amáveis

todos inclusos.

 

Ressurge mundo

reaparece pronto

como semente

que faz estrondo

que se reconstrói

reveste-se de novo

exige respeito

para todo o povo

 

Um portal se abre

para o amanhecer

vislumbra-se um véu

que nos faz reler

pela gratidão

e afeto como adorno

tudo com afeição

um possível retorno.

 

(Janeiro/2024)



44 - CAUSA DOS OPRIMIDOS (sentido vital)

 

Quando discerni pra vida

numa manhã esquecida

procurei acordado caminhar

ao encontro de um horizonte

mesmo entre olhares indiferentes

que sempre tentam fazer a vida ruir

e apesar de alguns desencantos

tenho um princípio de luta

no sonho da causa dos oprimidos

com firmeza permanente

sem desistir e sendo resistente

por ser motivado na dignidade

sendo paciente em cada dia

sabendo dos afetos da diversidade

e como na noite de tantas luas

percebo mais um dia no porvir

que vai anunciando a dinâmica da vida

em cada nascimento existente

como o ar audaz vivente e essencial

entre nós transeuntes que me faz enxergar

o sentido vital que nos movimenta.

 

(Fevereiro/2024)

 


45 - GRATIDÃO

 

Reluto na vida contra inimigos

por causa de um sonho livre

reflito sobre tudo o que existe

vendo no racional o maior perigo.

 

O sofrimento é uma grande prisão

legitimado por tantos poderosos.

Gente com atos tenebrosos

que criam guerras e solidão

 

O amanhã do chão romperá

com a verdade ecoante no ar

no tempo recriado pelo perdão.

 

Vejo na paz uma pequena semente

com a força do ser resistente

com a grandeza viva da gratidão.

 

(Fevereiro/2024)



46 - CHÃO, FLOR, SOM

 

Chão, flor, som,

voz, eco, sol.

Ilumina a vida fértil e sublime.

 

Clareia o nosso horizonte,

desvenda e afeta,

define a verdade

com a luz da liberdade sensível.

 

Emerge e reconduz o vento

nos pensamentos serenos imersos na fraternidade.

 

Envolve e inspira o advento do novo caminho

semeando as flores na terra

fazendo renascer o ânimo em cada ser vivente.

 

Semente benéfica, rebento do solo,

esboço marcado na pele sentida,

remexe a Terra e os astros do firmamento,

ventila rajada da recriação.

 

Raios solares, farol!

Guiai a sonda da consciência terrena.

 

(Janeiro/2024)



47 - ONIPOTENTE

 

Ó onipotente,

Deus, bendito!

E acredito em tua plenitude,

e na gratuidade.

Em silêncio escuto tua voz revelada

que ensina a cordialidade.

Esplêndida Terra que nos acolhe,

sol que nos ilumina,

mar de imensa mística,

inunda-nos

de total serenidade.

Enigmática e bela presença,

és o sacro mistério,

refaz-nos no próximo arco-íris,

ou na chuva que virá.

Pela floresta nos conduz

e nos ensina a reflorestar.

Anima-nos no barro original

no amor maior.

Onipresente e cônscio de tudo,

Sábia luz,

Ó eterna divindade,

ocupa-nos com a tua mente.

 

(Janeiro/2024)


 

48 - CONVIVER

 

Como conviver

se não quiser mesmo reaprender

compartilhar o amor

confraternizar

e ser solidário

com todo acolhimento?

 

Coexistimos na convivência

com as nossas conversas

nas relações coabitadas,

no imaginário social popular,

na arte viva

que transforma o ser por dentro.

 

Somos terra,

sementes vivas pulsantes,

os mais novos sobreviventes,

e conviver

exige muito cuidado

como flor emergente.

 

Nossa história é nosso paradoxo,

racional e demente,

contínua e repetente,

com uma vasta tecnologia,

técnica e ruína,

ainda insensível à natureza.

 

Cada desejo humano

precisa ser altruísta,

ser empático e desapegado,

ser irmanado,

nutrir-se do bem,

precisa mesmo renascer.

 

(Janeiro/2024)

 


49 - FRAQUEZA FORTE

 

Numa inspiração heterodoxa,

no contraponto do caminho,

encontro uma fraqueza forte

que sopra com fervor

uma faísca em centelha de lampejos

como uma musa em sinfonia

e com entusiasmo ilumina-me

e estimula minha motivação

com viveza e alento,

com desapego e despretensão.

Tanta ação, tenta ação.

Despreocupe-se! Ocupe-se!

Abnegue-se com bravura,

com desambição,

sem ânsia, dúvida ou impulso.

Na indecisão ou na incerteza,

alente-se sem ímpeto

com a generosidade,

com a empatia bem determinada.

Sinta-se sensível na liberdade.

Autêntico, seguro e disposto.

Sinta-se no ócio.

 

(Fevereiro/2024)



50 - SENTIDO DOS GESTOS 


O significado/sentido dos gestos

da natureza e dos humanos,

no imaginário da linguagem e do sentimento,

toca com profundidade 

a terra aquática vegetral carnal.


O sinal acena a coragem para desnudar-se;

arriscar-se no tempo-espaço;

aventurar-se como a luz

que invade a mata, as casas e os corações.

Sem precisar escrever.

Só fazer. 


Os descaminhos da vida podem 

se transformar no caminho,

em contramão aos preconceitos

- posto que tudo está em movimento - 

como andar na escuridão da noite

e perceber as estrelas como bússolas. 


(Fevereito/2024)



51 - ESPAÇO-HABITAT


Como um navio em alto mar 

flutuo na trajetória do horizonte,

atravesso as tempestades navegantes,

intento com os meus monstros a lutar.


Espectros do meu abismo,

reluto, restauro-me, refaço;

como um terrestre ser náutico,

em vasta vereda peregrino.


Recriando novos ciclos mutantes 

no envolvimento de nuvens relutantes,

escuto o canto eólico na chuva.


 Eis o espaço-habitat, o meu abrigo,

o mundo amplo, e eu, um ser pequenino,

no mar social sem ternura.


(Feveriro/2024)



52 - SÍNTESE

 

No princípio eu me inspirava na ingenuidade

mas isto me causou uma grande imaturidade

encontrei um mundo criado e bem abençoado

parecia até que nada havia sido colonizado

e entendendo pelo tempo de convivência

comecei a enxergar e discernir com consciência.

 

Durante muito tempo no processo evolutivo

fui crescendo e refletindo com o jeito pensativo

questionando o sentido que a vida nos ensina

descobrindo um caminho que a natureza prima

e reconstruindo o roteiro na dinâmica da história

vou seguindo na dialética da minha trajetória.

 

No limite da vida outra dimensão é apresentada

questionar agora se serve pela gratidão que fala

e a finalidade da vida traz o epílogo em síntese

que anuncia o novo tempo possível e humanize

e ao chegar o amanhecer do ciclo da existência

encontra-se a convergência no ponto da essência.

 

(Fevereiro/2024)



53 - UM NOVO CANTO

 

Rompi doutrinas

entoei um novo canto

rasguei versos obsoletos

e segui meu caminho.

Saí de mim mesmo

enfrentei o mundo

sabendo dos perigos

falei e falo o que penso

gritei para o alto

buscando seguir meu objetivo

apesar das indiferenças.

Me arrisquei passando sobre pontes

e fui iludido

no amor e na política.

Pensei sobre os descaminhos

mas sobrevivi até aqui.

Morri para não morrer na guerra.

Morri de amor.

Aprendi a viver com o perdão

Sei que é bem melhor

ser pela gratidão.

Andei pelas pedras

observei o caminho a frente

e nos passos adiante

deparei com desafios complexos.

Senti a empatia

em cada transeunte anônimo

e procurei o rosto sagrado.

No tempo vivido encontrei amigos

e cuido do jardim.

Os contratempos vêm

mas é preciso continuar a caminhada.

Pensei ir além do contexto histórico

atravessando os limites das fronteiras

resistindo a dura realidade

em meio a tempos tenebrosos.

Sei que a vida é bem dinâmica

e ensina com paciência.

O que o vento levou

e não podemos mudar

permite olhar o que vem adiante

e todos seremos convocados

e o desfecho será nosso.

 

(Fevereiro/2024)



54 - CULTURA URBANA 

 

As ideias estão cada vez mais velozes

e a cultura urbana banalizada.

Da boca sai um ruído enfadonho com fumaça 

de pessoas que não querem saber de política.

Outros abandonaram a militância

preferindo a zona de conforto.

Alguns lutam e resistem nas ruas

e feridos seguem firmes de cabeça erguida.

Reflito sobre tanta subalternidade social

e vejo o sentido da vida na construção da dignidade.

A natureza aponta sinais e nos questiona:

Como vamos dignificar a humanidade? 

 

São tantas as informações pela mídia,

pelas redes digitais a oferta de um mundo virtual.

O ideal na realidade está nas ruas com os famintos.

Os muros nos revelam as frases de desordem

com olhares julgadores de pedestres.

Não vejo os ideais fora dos sujeitos históricos.

Noto que o progresso é destruidor 

Sinto que o momento é de acolher os desamparados.

Não dá mais para continuar com desamor.

 

Vamos adiante. O caminho está à nossa frente.

Encontrei muitos cascalhos e espinhos.

Os protestos alertam e ecoam nas praças 

Vamos adiante. Nossa união é indispensável.

Temos uma tarefa e uma missão neste mundo.

Nossa vida não está mais afável.

 

(Fevereiro/2024)

 


55 - TRANSPARÊNCIA

 

No mundo em que vivo vive a transparência,

mas eletrônicos virtuais trazem intrusa frequência.

Disparam fogos em cada ano novo,

sem querer saber do renascimento preciso,

e só me reconhecem por um registro ou um visto.

Sigo na contramão de tantas doutrinas,

instauro meu caminho e ando com a comunidade.

A natureza tem protestado em todas as nações,

enquanto os dormentes vivem alheios

debochando dos que lutam contra os grilhões.

Vou adiante na base com os vulneráveis

translúcido, consciente e com nitidez.

Reinvento o dia sem esperar acontecer

e em cada ser percebo um pouco de tudo,

sabendo que no fim ficamos desnudos.

Enquanto respiro translado no amor

em minha ânsia de alegria e dor.

Sinto agraciado pela serenidade

ocupando o corpo íntegro com a natureza,

fazendo meus passos mesmo sem ter certeza.

Sou uma semente como um grão de areia

incumbido em transbordar como uma gota,

convocado a brilhar entre as fronteiras,

vislumbrando um horizonte afável,

onde a justiça e a paz sejam companheiras.

 

(Fevereiro/2024)

 


56 - SHALOM! VIDA!

 

Na história humana, às vezes insana,

das catacumbas relembradas,

viaja o pensamento em chamas

e ainda se escuta a voz trêmula,

sob o trabalho terceirizado,

dominado e aburguesado.

Apesar da insanidade,

vem no asfalto a folia do carnaval.

Anawê! Axé! Namastê!

Shalom! Vida!

 

Da racionalidade veio a tirania.

Veja a ironia. A vida sendo vazia.

Na rotina da modernidade

vejo templo em cada esquina.

Diversidade de divindades.

Nas calçadas ficam os famintos

sob os olhos da injustiça.

E cada dia advindo

na dor e no canto:

Shalom! Vida!

 

A dor social sangra

nas margens do lixo e da lama.

Nos rios escorrem a indústria

que desemboca no mar.

Do mar vem o pescador cantor

que alimenta os filhos.

A noite a cidade dorme

entre tantos com fome.

No amanhecer o sol acorda.

Shalom! Vida!

 

Ouvindo os pássaros matutinos

no compasso da liberdade

fazendo o ensaio da amizade

com o batuque do samba Brasil.

Em cada criança sorrindo

sente a esperança ouvindo

trazendo o vento da paz.

Do ventre da terra aflora a justiça

no imenso terreiro criador.

Shalom! Vida!

 

A terra sacode a poeira

e eleva ao céu sobre o oceano.

Desce os trovões com os tambores

de lado com os seus amores.

Reluz um imenso clarão

da lua-mãe companheira

abrigando os filhos seus

em coro clamando viva!

A paz é o único caminho.

Anawê! Axé! Namastê! Shalom! Vida!

 

(Fevereiro/2024)

 


 57 - UMA ESPERANÇA NA TERRA

 

Passando pela opressão da distopia,

descrevi um conhecimento utópico,

vendo o que os velhos colonos faziam,

constatei num ponto um diagnóstico,

lendo os resquícios dos que não morriam,

vi nos nativos um protótipo,

resistentes refazendo a história

manifestando hoje em sua memória.

 

Percebi o crime de genocídio

sobre autóctones escravizados,

a vida aborígene destruída,

na terra sendo tudo queimado,

o sonho de um próspero paraíso,

com o povo africano subjugado,

li em Frei Bartolomé de Las Casas,

o massacre que hoje vejo em Gaza.

 

Além dos desafios territoriais

encontra-se também o racismo,

vejo a destruição dos vegetais

e a invasão do capitalismo,

as desigualdades sociais

e o vil poder mortal do machismo…

Apesar do desespero da guerra,

Existe uma esperança na terra.

 

(Março/2024)



58 - FORÇA ORIGINAL (Sopro Vital)


Temos o mesmo chão comum,

mas para onde vamos?

Para que serve tanta riqueza

quando há milhões de famintos?

O que somos senão um sopro

diante da imensidade?

Os poemas escritos não são frutos

de fatos verídicos?

O tempo vivido não é o ser vivente

em culminância cósmica?

Percebe-se no ciclo astral

as vicissitudes e o equilíbrio.

Cada passo dado traça o caminho

que converge para o mesmo ponto.

Em cada canto do mundo e do imaginário

está a presença viva da força original.

Todos os sons existentes no universo ecoam:

Ânimo! Sopro vital!

Quem somos nós, afinal?

Qual o verdadeiro sentido de ser?

Nosso corpo ocupa o espaço no tempo

sinalizando nossa existência

como humanos em processo de sobrevivência.

Vidas que se foram sem ser vividas,

sem honra e sem um verdadeiro abraço,

atropeladas pela injustiça,

acolhidas apenas no chão de sangue.

Sangue que germina nova vida

que apela e clama por ser oprimida.

E da voz popular aguerrida

se abre um caminho emergente,

vocifera um canto de um amanhecer pela paz.

 

(Março/2024)

 

 

59 - PÃO E PAZ

 

Enquanto estou vivendo

o respiro vai expirando

a terra, o ar e o mar, ensolarando

amar amando

o cheiro cheirando

o verde queimando

a luz iluminando

o jornal sangrando…

 

Desde o princípio não era assim

desde Caim ficou ruim.

 

Vivemos em conexão

moramos no mesmo chão

avançamos ao fundo do oceano

e no espaço infinito

muito pouco na interioridade.

 

O que adoramos?

duvidamos

esperançamos

ritualizamos

encantamos

inventamos o saber saboreando.

Que sabor falta ser provado?

 

Autorrealizamos em vida.

Matamos e abençoamos.

 

De qual encanto precisamos?

Por que está lendo agora?

O agora é uma mutação

entre o céu e a terra.

 

Enquanto o humano se esvai

a matéria se encontra com a subjetividade

e se confundem.

 

Vamos de encontro ao firmamento imensurável.

Uma visão real paira ao vento

vagueia flutuante a mente

com asas do sentimento

seguindo a voz da luz

consciente vai avante

na busca do conhecimento

do pão e da paz

integral alimento

antítese da guerra

e o cenário entristece

pelo genocídio

desumana maldade

do racional vem o mal

vem as armas

assim não somos melhores

somos inimigos.

 

Sol de todos

clareia a cegueira bélica

cuida dos lamentos famintos

refaz o barro humano

olha a fumaça da pólvora

limpa o coração algoz

imagem da crueldade

que impede a subsistência

dos famintos que sem força

só tem o chão

e as lágrimas do coração

sem pão e sem paz

entre guerras frias e explosivas

pedaços de corpos

clama a vida. 


(Março/2024)



60 - SAPIÊNCIA

 

Vejo na correria dos acontecimentos,

no espaço dos mapas e no corpo do tempo,

explosões letais de vultoso extermínio,

e simultâneos nascimentos,

luzes emergentes que acendem a essência da chama.

 

A sabedoria chegará como o sol

e caminhará entre os olhares dos transeuntes.

O Princípio virá para uma nova Gênesis.

As partes do Todo regenascerão

como sementes espalhadas numa plantação.

 

Das florestas sairá um novo rebento

com a força de sua própria ciência

e um canto inaudito será bendito

e se fará conhecer pelo vigor da sapiência.

 

De tudo já visto na visão do horizonte,

estende-se a existência na extensão dos momentos,

acende o fogo do conhecimento,

renasce das cinzas a inovação,

entre a terra e o céu, inédita dimensão.

 

Vendo a amplidão da generosidade,

apesar da ultrajante malignidade,

segue a correção pela via humanística,

com o sentido entendido pelo cuidado,

com aproximação e afeto ponderado.

 

Por tudo vivido e a respirar,

fortalece a vida em cada amanhecer,

por cada partícula em cada ser,

por saber e sentir em se consagrar.

 

(Sábado de Aleluia - 30/03/2024)


 

61 - ARMAS

 

Armas sinalizam mortes

da brutalidade desumana,

do mórbido império desprezível,

de uma devastação insana.

Ícone de um suplício

da lógica da matança.

Desarmem-se! É o grito da paz!

Cessem com tudo que a arma faz.

 

Armas da mão genocida que explodem nações,

erguem-se violentamente guerras, bombas, canhões.

Imensa explosão!

Derruba e arrasta tudo o que está à frente;

desrespeita e mata até a última semente.

Carnificina! Imolação!

 

Não se arme. Ame! Defronte a demência,

demasia, loucura, paranoia ou fúria,

relute e resista pela ternura,

ressignifique tudo na convivência.

 

(Março/2024)



62 - BANDEIRA BRANCA

 

Bandeira branca!

 

Bandeira branca para a humanidade!

Basta com tantas mortes!

Como pode um ser humano ser fratricida?

Chega de invadir as terras;

de conflitos armados;

de tantos países em guerra;

de trabalho escravo.

Em nome da paz:

Não à guerra!

Peço bandeira branca.

 

Basta de política insana!

Parem de privatizar a água!

Acabem com a miséria

e com a contaminação agrotóxica.

Terminem com a violência!

Parem de guerra!

Chega de matar mulheres, crianças…

Onde está a esperança?

A Terra clama:

Bandeira branca!

 

“Fraternidade sim, violência não!”

Imagine não existir religião.

O essencial é fazer o bem.

Armas! Desarmem-se!

Tiranos! Desarmem-se!

Desarmados, amem-se!

Amados, irmanados, uni-vos!

Nações em desgovernança:

justiça e paz!

Bandeira branca!

 

(Março/2024)

 


63 - VIDA PLENA

 

Sou terra que refaz a humanidade

e eleva a poeira para o espaço.

Sou líquido quente em movimento

que inunda o pensamento.

Sou visível, subjetivo, místico,

que transcende a matéria.

Sou o som natural das imagens

no horizonte das ideias.

Sou um caminho a seguir

entre as pedras de outros caminhos.

 

As aves que se alimentam das flores

povoam o ambiente humano.

O mar com a sua imensidão

avança sobre nossa ignorância.

Os lugares intocáveis

como a luz penetrante

revelam uma verdade

que exige autenticidade.

O que somos na vida terrena

merece ser em vida plena.

 

(Março/2024)



64 - IRMANDADE

 

Meu pensamento flutua

e segue veloz inconsciente,

vai instintivo até na noite,

baila rotativamente,

sente o sangue das notícias,

entre sonhos e fatos reais,

que não muda em nada,

e parece que nada é demais.

 

Quando vejo os transeuntes

passando pela cidade

esquivando uns dos outros

mudando os seus olhares,

não sinto aproximação,

mas percebo a carência,

escuto muito barulho,

uma sociedade em falência.

 

Sabendo dessa vida corrida

com tanta agitação

cada um quer vender seu peixe

não importa o amanhã, não.

O ônibus, uma lata de sardinha,

e todo dia, um mundo de crueldade.

Penso qu’isso não será pra sempre.

Será que viveremos em fraternidade?

 

Não sei se um dia seremos fraternos,

e quiçá, haverá uma terra sem males.

Posso pressentir uma boa nova

e ver o verde com o voo das aves.

Ainda estamos distantes da paz

e da verdadeira liberdade.

Vivo cada dia com uma urgência

em busca da autêntica irmandade.

 

(Março/2024)



65 - EU SEI QUE VOCÊ NÃO VAI LER OS MEUS POEMAS

 

Eu sei que você não vai ler os meus poemas e

 nem vai olhar direito quando perceber uma

postagem com meu perfil. Vejo tantas informações,

leio publicações com várias realidades e imagens.

 

Sinto que cada um segue as suas prioridades.

No final de tudo, passamos sem deixar muita coisa ou quase nada.

E não levamos nada mesmo.

Que o amor ao próximo seja a nossa atitude

 

com a solidariedade de todo o dia.

Seria bom que cada um realizasse os seus sonhos,

ser feliz, viver no mundo em paz. Mas não é assim.

 

Mesmo sabendo que ninguém lê tudo de todos, 

sabemos que convivemos por um tempo e tudo

passa. Não se apegue tanto. Viva intensamente.

 

(Abril/2024)


 

66 - MINHA DECISÃO

 

Minha decisão

levou-me a caminho distante

que mesmo indo longe cheguei a me aproximar

da realidade com as pessoas e com a natureza,

com a liberdade decidida de um sonho,

com sentido e direção,

e que entre pedradas ainda consigo sobreviver.

No meu teto de vidro permite ver as estrelas;

nas madrugadas tem poesia com a lua;

no encanto do céu recrio novas imagens.

Pressinto os pensamentos alheios

na população, no jardim, nas crianças…

Escrevo as marcas do corpo coletivo

que luta a capoeira de resistência

e segue o vento livre pacifista

da minha decisão.

Vou a cada passo ao meu encontro

e voo sobre os montes das indiferenças.

E as correntes que pairam sobre a coletividade

permitem novas decisões.

 

(Abril/2024)



67 -VOU QUANDO FICO

 

Vou quando fico comigo mesmo no meu lugar,

no tempo que me identifica e me agarra, me enraíza.

Fixo em mim e sou com o todo.

Movo-me pelo pensamento.

 

Vindo do útero-cósmico sou como místico

e não tenho nada pra levar pro além,

apenas a poeira que se iguala ao chão da estrada,

e desnudo, não resta, senão, o último fôlego incerto.

 

Pensativo vivo o meu desenho,

pinto a tela no espaço da terra,

com os pés de areia das estrelas,

e revisto-me de realidade que dói.

 

Aos que se desesperam ou desistem de viver,

por motivos vários ou por simples acomodação,

digo que a luta pela vida é contínua

e a continuidade dessa luta deve ser viva.

 

Aos que têm desesperança, revigorem-se.

Até as pedras evoluem ao longo do tempo.

Viver é um ato de cada dia, de cada instante.

Esqueça as incertezas. Não polarize. Anime-se!

 

Sigo meu caminho com o coletivo vulnerável

sempre em diálogo com a paz.

Fico quando vou e deixo semeado o grão vital.

Vou quando fico, indo de volta de onde tenho vindo.

 

(Abril/2024)



68 - MINHA VIDA

 

Minha vida está no ar

e na terra ensolarada

paira sobre as águas

meu espírito interior.

 

O ar que respiro sou eu

se não fosse, não me entenderia,

viver também não saberia

morreria nos braços teus.

 

Vindos do pó, criados luz,

acolhe-nos, mãe Terra

materializados, não de pedra,

de carne frágil e resistente.

 

Sol de todos nós

que nos vê sem entender

o iluminismo e o poder

da racionalidade humana.

 

Água do nosso corpo

que bebe da fonte original

precioso líquido mineral

faz chover e fertilizar.

 

Floresta que nos sustenta

clorofila verde esperança

folhas com afeto de criança

ensina-nos a conviver.

 

Interioridade do meu ser

minha substância presença

mística que desvela a crença

reflete a minha intimidade.

 

Espírito vital do princípio

criativa concepção

pulsar do coração

respira, respira, respira…

 

(Maio/2024)

 


69 - UM DIA NA VIDA

 

Um dia na vida é uma imensidão

pode até não ser nada

mas tá difícil a convivência

como sempre tem sido na história

em cada instante que se respira

tem um ato de violência.

 

Um dia na vida é vaidade

na terra do sol e da lua

o espírito sofre no corpo

a existência tem algo mais

enraizada na floresta

um ânimo esperançoso.

 

Um dia na vida vai além

mergulha na escuridão interior

aprofunda na imensidade

ecoa na vibração do universo

fertiliza até nas rochas

recria na vitalidade.

 

Um dia na vida se cansa

mas não se esgota totalmente

enquanto se vive o presente

respira, inspira, transpira

transcende na imanência

integra-se no transcendente.

 

Um dia na vida eterniza

na alegria e na dor

na comédia e na tragédia

com empatia e amizade

com pão e poesia

um dia na vida não espera…

 

(Maio/2024)

 


70 - TERRA E ÁGUA COM A FLORESTA

 

Eu sou a minha própria perspectiva

num mundo em caos

Sou muito mais no coletivo como cardume

destemido para viver

na terra e água com a floresta.

 

Estou com a natureza viva

na fértil luz solar

no fogo ensanguentado

na legião humana

na terra e água com a floresta.

 

Sinto pelo caminho que ando

com os pés que pulsa com o coração

penso com a sensibilidade

com a comunidade

com a terra e água com a floresta.

 

Sigo com o povo oprimido

com a diversidade e inclusão

cantando junto com as flores

a memória da história

da terra e água com a floresta.

 

Sou a carne humana pela paz

sou com a criação sagrada

o corpo inteiro transcendente

missão terrena humanitária

na terra e água com a floresta.

 

Pela natureza ofendida

por cada semente em vida

para ser em plenitude

para cada ser vivente conviver

com a terra e água com a floresta.

 

(Maio/2024)


 

71 - O VENTO LEVA TUDO

 

O que me atinge em vida é a materialidade.

Não sinto carência de religiosidade.

Cheguei no tempo da maturidade,

da arte com a comunidade,

da luta contínua por liberdade.

 

Existo e sinto no  convívio,

na cidade entre tantos desafios,

com pessoas, plantas e animais,

com a necessidade do reflorestamento.

 

Escrevo e digito, mas o vento sopra tudo.

O abraço que nunca é demais, revigora.

Os questionamentos nos fazem repensar as possibilidades.

Em cada rua que ando percebo evolução e miséria.

O fogo queima, a água inunda, e o vento leva tudo.

 

No começo da vida, a luz.

Na trajetória da história, a realidade crua.

No horizonte panorâmico, a admiração.

Aprendi que os anos que tenho são poucos

para o projeto de vida e poesia.

 

Na força do vento flutuamos sobre a terra

com o vigor humano finito para a imensidão.

O vento sopra onde quer,

o sopro vital da misteriosa fé.

 

As folhas caem para transformar o mundo,

para o amadurecimento fértil da vida,

e quando num sopro, o vento leva tudo,

e o que criamos ou planejamos em nossa existência,

o vento carrega como sementes do nosso ânimo…

 

(Maio/2024)



 72 - BIOENERGIA
 
Nascemos.

Continuamos no nascimento.


Renascemos.

Produzimos várias situações de nós mesmos.

Nossa produção é contínua.

Reproduzimos reflexos e vibrações de nossos ancestrais.

Somos o outro.

O outro nos afeta.

Nos reencontramos em diversas manifestações.

 Nossa trajetória vai além do tempo-espaço.

Assim vivemos a vida.

Sincronizamos caminhos na aprendizagem pelos sentidos.

A realidade é feita nessa conexão com a materialidade.

Somos gênios cheios de estratégias.

Somos holísticos.

Somos bioenergia.

Nada está totalmente seguro em nós mesmos.

Nossa relação é o que nos constitui.

Quando permitimos o bem flexibilizamos o ser feliz

Transitamos na imanência e na transcendência.

Ecoamos energia.


(Maio/2024)



73 -  Leviatã

 

Sou do Ocidente da América do Sul

 

quando o sol aparece começo a voar

 

não vou discutir com a chuva

 

para que a gaiola

se o passarinho vem cantar no jardim livremente

 

disponho de forças para lutar nas ruas

 

todo dia tem dor

mas a vida é superior

qual o sentido da vida?

 

os afazeres do cotidiano

são motivos que dão sentido à vida

a vida é feita de dialética

de poesia, política, tragédia, razão, conhecimento…

 

nada é absoluto

conhecer é poético

é ciência

desvenda a lógica da natureza

a vida é uma antítese que contradiz a imensidão

 

o ser humano é livre para viver

independente e com autonomia

com sensação e imaginação 

caso contrário 

fica a mercê do pensamento alheio

subalterno

cada um é soldado de si mesmo

 

a religião prende

e eu sou um pássaro

a teologia do domínio

anuncia uma escatologia opressora

 

o Estado

forma de poder 

contrato social imposto

tudo de nós mesmos que somos

como um leviatã.

 

(Junho/2024)



74 - Resiliência

 

olhei p’ra lua

e lembrei da grandeza de sua mensagem

dizia a voz

observe a flor no asfalto

 

é vero

o desrespeito, a discriminação, o preconceito

são atitudes de pessoas sem amor

sem empatia e sem altruísmo

que causam tanta dor e sofrimento

na convivência humana

 

o vento refletia no meu rosto

flexível resistente estoico

sobre as adversidades antagônicas

a resiliência

 

no alto, sinto as estrelas

em baixo, somos população

força interna firme forte

difícil aos antipáticos

 a adaptação elástica

situação vulnerável

superação

 

nascemos humanos

não somos recicláveis

estamos em formação

o lugar é você

 

(Junho/2024)

 

 75 - Espiritualidade surrealista

 

Do núcleo da Terra para o oco espaço diluído

em algodão ensopado de éter entre carneiros

fui arrebatado para o céu

lá encontrei o onicriador

 

o sêmen escorreu na espuma das praias

lavou as serras

digitou a única lei

Amar 

na areia das caranguejolas

 

crianças desamparadas nos semáforos

saem de dentro do livro 

as cores se misturam com as bombas

a lua avermelha-se 

 

os corações deambulam pelos jardins

os sonhos governam e procriam 

do firmamento chovem pétalas coloridas

tintas fluem e viram aves como hábeas corpus 

 

o tempo

goteja árvores minúsculas

sobre gente gigante

em plantações de crânios com flores

na superfície 

e genitálias expostas

esporram páginas poéticas flutuantes em gozo

 

ondas vermelhas e azuis do mar como escada

no vento entre planetas

com TVs sangrando

explodem

do chão nasceu a vida

entre pinguins pavoas leões

num parque florestal 

do infinito panteísmo 

a biogênese dos mundos 

os germens guardiões em todos os portais

o magnetismo cósmico cerebral

moléculas floridas pedalantes

em bicicletas fluorescentes na via estelar 

 

vibrações musicais gregorianas

ecoam mantras

Terra amar tempo

amar tempo Terra

tempo Terra amar

 

 (Junho/2024)



 76 - alienação versus uni-vos 

 

científico marxista

veja a geração funk

o movimento punk

e a militância ativista

 

lgbtqia+

a fome que ainda mata 

a miséria que devasta

a Terra não está em paz

 

globalização em fluxo

tecnização para o luxo

mais-valia alienação 

 

então como encontrar saída 

uni-vos gente nativa

nações afro-inclusivas…

 

(Junho/2024)

 


77 - Pesquisador

 

Pergunta o pesquisador

sobre os objetivos 

e quais são os motivos

como um investigador?

 

Como fazer a abordagem

com metodologia correta 

e análise de novas técnicas

observando as linguagens?

 

Ciência e tecnologia

seguem uma epistemologia

sob um referencial teórico

 

e nas considerações finais

respeitem os animais,

e pela paz, faça novo histórico.

 

(Julho/2024)



78 - Cronograma

 

A vida do Planeta Terra

intervém com ar, sol, água e plantações

para crescer e multiplicar

hoje e além.

 

(Agosto/2024)



 79 - Racionalidade

 

Racionalidade

é juízo e sanidade

é próprio do pensamento

 

é lógica e razão

sensatez e percepção

é ética e entendimento 

 

é crença e inteligência 

é senso de coerência 

lucidez e conhecimento

 

é temperança e equilíbrio

é critério e sentido

é o discernimento 

 

é a simples humildade 

é um ato de caridade 

é puro sentimento

 

mas como pode o racional

demonstrar-se mais animal

e causar tanto sofrimento?

 

(Julho/2024)

                 


80 - CRONOS E KAIRÓS

 

Cronos

senhor do tempo

grandeza dos dias e anos

implacável força findável

quantificante finito

cálculo cronogramático

rotineiro e prático

Kairós

tempo vivido imprevisível 

Instante possível 

qualificante criativo

oportuno supremo

advento inesperado

travessia do mistério


Julho de 2024

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