Setembro passou,
com oitubro e novembro
Já tamo em dezembro.
Meu Deus, que é de nós?
Assim fala o pobre do seco Nordeste,
Com medo da peste,
Da fome feroz.
Jonas Livros
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
ITINERANTES DE GAIA
ITINERANTES DE GAIA (Chiller)
ITINERANTES DE GAIA
(Harrington)
Jonas Serafim
PERSOGANES DA HISTÓRIA E SUAS CONEXÕES...
EDSON/Socorro: Émerson
e Robson /Helena/ Neide
DUDA: Bruno e
Luciana
JONAS/Lúcia: Jonas
Filho e Luana Lúcia – Jesane: Débora(Paulo: Ana Esther e Benjamin) e Rebeca –
CREUZA: Natan
DORA: Stefanny:
Eric Esdras
JESSÉ/Graça:
Yasmin e Ítalo
JÔNATAS
A HISTÓRIA DE UMA FAMÍLIA ENVOLVENTE ENTRE CASAMENTOS, CRIAÇÃO, ESTUDOS, CONFLITOS... QUE COMEÇA EM OLINDA E FAZ UM CAMINHO ITINERANTE PELO O MUNDO PARA CONHECER OS CONTINENTES E FAZER NOVAS DESCOBERTAS... O segredo é contrastar a solidez de um ponto de partida marcante (como o calor e a cultura de OLINDA) com a promessa de uma jornada itinerante.
A aboragem realista foca nos detalhes práticos, sensoriais e cotidianos que mostram o peso real de uma mudança desse porte. O realismo nasce do contraste entre o apego físico à terra natal e o estresse burocrático e emocional de desestruturar uma vida inteira.
- Cidade dos Artistas: O Sítio Histórico atraiu pintores, poetas e intelectuais que passaram a ocupar e restaurar antigos casarões, dando à cidade um perfil boêmio e cultural.
- Dependência de Recife: Sem uma grande infraestrutura comercial ou de serviços próprios, os moradores ainda dependiam fortemente de Recife para empregos, bancos e compras maiores.
- Tradições religiosas: As procissões e festas religiosas mantinham-se como o centro da vida comunitária, tanto na parte alta quanto nos bairros mais distantes.
- Patrimônio e Restauração: O IPHAN intensificou ações de preservação, e o antigo Aljube foi tombado e transformado no Museu de Arte Contemporânea (MAC) em 1966.
- Crescimento da Periferia: Bairros como Peixinhos viram o surgimento de um comércio popular intenso na Estrada de São Benedito e o início do planejamento de novos loteamentos no final da década.
- Atividade Mineradora: A empresa Fosforita Olinda impulsionou a economia local e alterou a paisagem dos arredores com a extração mineral.
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- Na década de 1960, o bairro de Peixinhos, em Olinda, vivia um período de forte atividade industrial e crescimento populacional rápido, impulsionado pela presença de grandes fábricas, ruas de terra batida e uma forte identidade comunitária ligada ao Rio Beberibe.O Polo Industrial e o Trabalho
- A Fábrica Fosforita Olinda S/A, inaugurada em 1957 com a presença de Juscelino Kubitschek, era o motor econômico da região, produzindo fosfato e empregando centenas de moradores até fechar no final da década.
- O Antigo Matadouro Industrial de Olinda, em funcionamento desde o início do século, ainda movimentava a economia local e definia a paisagem do bairro antes de encerrar as atividades em 1970.
- A chegada constante de trabalhadores de baixa renda em busca de emprego nas indústrias acelerou a ocupação do solo e o crescimento demográfico da área.
A Paisagem e o Cotidiano- A atual Avenida Presidente Kennedy era chamada de Estrada de São Benedito.
- As vias principais ainda não tinham calçamento adequado, apresentando trechos de poeira ou lama conforme o clima.
- O comércio de rua na via principal era rudimentar, mas já fornecia gêneros alimentícios e materiais básicos para a construção de moradias simples.
- O Rio Beberibe, embora já sofresse com os impactos do crescimento urbano, ainda mantinha forte presença na vida dos moradores, diferindo do nível severo de poluição das décadas seguintes.
Cultura e Sociedade- O cotidiano era marcado por forte religiosidade popular, com procissões tradicionais pelas ruas do bairro.
- A vida comunitária pulsava ao redor das fábricas, feiras livres e festas de largo, moldando a identidade popular típica da periferia metropolitana de Olinda.
Se você tiver interesse em algum aspecto específico, posso detalhar mais sobre:- A história da Fosforita e a mineração na área
- A transformação do antigo matadouro
- O desenvolvimento das estradas e transporte na época
Capítulo
1: O Labirinto das Ladeiras e o Chão que Se Move
O suor escorria pelo pescoço de Helena, colando
os fios de cabelo na nuca, enquanto ela tentava fechar a terceira mala de lona
na sala da casa na Ladeira da Misericórdia. Olinda cobrava seu preço em calor
naquele final de tarde, mas o verdadeiro sufoco vinha de dentro. Pela janela
aberta, o som distante de um ensaio de maracatu subia o morro, misturando-se ao
barulho de fita adesiva grossa sendo puxada com força por Amaro. Ao redor
deles, a casa que outrora transbordava identidade parecia despida: marcas
quadradas de poeira nas paredes denunciavam os quadros já guardados, e caixas
de papelão empilhadas bloqueavam a visão do mar que brilhava ao fundo.
O plano, visto no papel meses atrás, parecia
uma aventura pedagógica e familiar brilhante. Na realidade crua daquela semana,
parecia um erro colossal. Amaro conseguira o contrato de gestão internacional,
uma oportunidade que exigiria saltar de continente em continente a cada dois
anos. A decisão de levar os filhos e estruturar a vida em trânsito fora
celebrada com brindes, mas agora a realidade batia à porta. Havia pilhas de
históricos escolares aguardando carimbos do consulado, certificados de
vacinação internacional amassados sobre a mesa e a difícil tarefa de decidir o
que cabia em 23 quilos por pessoa.
— Se não despacharmos esses documentos de
transferência da escola de Leo até amanhã, ele perde o ano, Amaro. Não importa
se estaremos na Europa ou na Ásia — disse Helena, a voz rouca pelo cansaço,
apontando para a papelada da escola do filho caçula. — A burocracia do mundo
não quer saber do nosso projeto de vida.
Amaro sentou-se em uma das caixas, limpando a
testa com a manga da camisa. O peso da decisão esmagava seus ombros. No quarto
ao lado, o silêncio da filha mais velha era o pior dos conflitos. Às vésperas
de iniciar a faculdade e vivendo o primeiro amor sério em Pernambuco, ela
encarava a viagem não como uma oportunidade, mas como um exílio forçado. O
casamento de Amaro e Helena, que resistira a duas décadas de rotina olindense,
já começava a trincar sob a pressão de perguntas sem respostas fáceis: Como
manter as raízes de uma criança que estuda cada semestre em um fuso horário?
Como proteger um casamento quando o conceito de "lar" deixa de ser um
endereço fixo e passa a ser uma esteira de aeroporto?
Helena caminhou até o terraço e olhou os
telhados antigos das igrejas que recortavam o céu avermelhado. Ela respirou
fundo o ar quente de Olinda, sabendo que aquela era a última noite em que
pisaria em solo firme por muito tempo. O trânsito pelo mundo estava prestes a
começar, e a família precisaria reaprender a andar sem chão. ("Trem das onze"...)
Técnicas
para Manter o Realismo ao Longo do Livro
A Rotina Invisível: Não foque apenas nos pontos
turísticos de cada continente. Mostre o cansaço dos aeroportos, a dificuldade
de achar os ingredientes certos no supermercado estrangeiro e as noites em
claro tentando entender o sistema de saúde de outro país.
A Evolução dos Estudos: Em vez de focar apenas
no aprendizado cultural, mostre as barreiras linguísticas reais. Um filho que
era excelente aluno em Olinda pode se isolar na escola internacional por
vergonha do sotaque ou por não acompanhar o ritmo em outra língua.
Conflitos Geracionais Descentralizados: Os pais
querem que os filhos valorizem a oportunidade, mas os filhos sentem raiva por
perderem a convivência com avós, amigos e namorados. Use essa quebra de
expectativas para gerar os principais dramas da trama.
Para continuarmos construindo esse realismo, me
conte:
Qual será o destino do primeiro desembarque da
família após saírem de Olinda?
Qual é a idade aproximada dos filhos (para
calibrar o peso dos estudos e das crises de identidade)?
Existe algum segredo ou crise pré-existente no
casamento dos pais que essa viagem vai trazer à tona?
Para continuarmos construindo esse realismo, me
conte:
Qual será o destino do primeiro desembarque da
família após saírem de Olinda?
Qual é a idade aproximada dos filhos (para calibrar
o peso dos estudos e das crises de identidade)?
Existe algum segredo ou crise pré-existente no casamento dos pais que essa viagem vai trazer à tona?
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Para começar um romance épico e multigeracional com essa magnitude, a abertura precisa ancorar o leitor nas raízes da família antes de lançá-los ao mundo. O segredo é contrastar a solidez de um ponto de partida marcante (como o calor e a cultura de Recife) com a promessa de uma jornada itinerante.
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Capítulo
1: O Peso do Chão e o Apelo do Horizonte
A brisa
do Atlântico que sobrava na Praia de Boa Viagem trazia o cheiro de sal, de
asfalto quente e da incerteza que rondava a família Cavalcanti. Da janela do
casarão antigo no bairro das Graças, o som do trânsito de Recife misturava-se
ao canto dos bem-te-vis e ao eco de uma discussão que já durava semanas. Sobre
a mesa de jacarandá da sala de jantar, não mudavam os pratos de bolo de rolo ou
as xícaras de café; mudavam os mapas, os passaportes e as ementas escolares
traduzidas para três idiomas.
Para
Amaro, o patriarca, Recife não era apenas a cidade onde nascera; era o chão
onde fincara suas raízes, seus negócios e o casamento de duas décadas com
Helena. No entanto, o mundo havia batido à porta deles na forma de uma
oportunidade irrecusável — e assustadora. A proposta de consultoria
internacional exigia que Amaro cruzasse oceanos, mas Helena impôs uma condição
que mudaria o destino de todos: a família não seria deixada para trás. Eles
iriam juntos. Não como turistas, mas como errantes, transformando a criação dos
três filhos e os estudos deles em uma sala de aula sem paredes, espalhada pelos
continentes.
— Não
podemos educar nossos filhos dentro de malas, Helena! — a voz de Amaro ecoou,
pausada pelo peso da responsabilidade. — Onde ficam os exames? Os amigos? O
casamento de nossa filha mais velha, que mal começou a ser planejado?
Helena
aproximou-se da janela, olhando para as águas do Rio Capibaribe que cortavam a
cidade. Ela sabia do risco. Sabia que conflitos explodiriam a cada nova
fronteira, que a identidade dos filhos seria testada e que a própria relação
com Amaro seria levada ao limite em quartos de hotel e fusos horários confusos.
Mas ela via além.
— Os
casamentos resistem ao movimento, Amaro. O que destrói uma família é a
estagnação — respondeu ela, virando-se com os olhos firmes. — O mundo está
mudando rápido demais. Se não os levarmos para conhecer a América, a Europa, a
Ásia... eles serão estrangeiros no próprio futuro.
No quarto
ao lado, os livros didáticos dividiam espaço com mochilas de lona. A contagem
regressiva havia começado. Dali a um mês, o chão firme de Pernambuco seria
substituído pela imensidão do céu, e os Cavalcanti iniciariam a maior e mais
turbulenta jornada de suas vidas.
(ônibus elétricos no Recife na década de 1960. Eles eram conhecidos como trólebus... para modernizar o transporte público da cidade.)
Estrutura
para os Próximos Passos
Para dar
continuidade a essa história envolvente, você pode estruturar os conflitos
centrais da seguinte forma:
· Casamentos em Xeque: Use a
distância da terra natal para testar os relacionamentos. Um casamento jovem
pode balançar com a falta de rotina, enquanto o casamento dos patriarcas
enfrenta o desgaste do cansaço físico e cultural.
· Estudos e Criação: Mostre o choque cultural na prática. Os filhos aprendendo história viva na Europa ou economia nos mercados da Ásia, mas sofrendo para se adaptar a diferentes metodologias e exames internacionais.
Os Conflitos de Identidade: À medida que a família viaja (por exemplo: saindo do Brasil para a Argentina, seguindo para a Europa e depois África), os filhos começam a questionar onde é o "lar" deles, gerando atritos com os pais que tentam manter as tradições recifenses acesas.
Para eu
ajudar a detalhar o próximo capítulo, me conte:
·
Qual é o primeiro continente ou país que
eles vão visitar logo após saírem do Brasil?
·
Quantos filhos o casal tem e qual a idade
deles (para definir os conflitos de estudos e romance)?
· (Você prefere um tom mais dramático e focado nos segredos de família ou mais focado nas descobertas culturais?)
[13/05/2026] Um dia bom e arborizado com a arte da criação,
com a ideia de uma viagem admirável pelos campos onde a vista alcança ou se
pode sentir naturalmente, e com gratidão contemplar o dia e a noite, pensando que
viver vale à pena...
ALERTA DE CATÁSTROFE!!! Uma bomba a notícia que o mundo recebeu ontem!! Já é de quase 100% a chance do super El-Nino ocorrer no final deste ano. Ou as autoridades se preparam ou veremos algo que nem em filme foi retratado. ICL. Eduardo.Moreira. [16/05/2026]
segunda-feira, 6 de julho de 2026
MENSAGEM DE UM POETA AMADO ... (2026 - 202... ) - 7º Caderno
MENSAGEM DE UM POETA AMADO
Bodas de linho ou renda (13 anos)
7º Caderno (2026-2027)
(772 a 851)
772 - Maracatu do amor
(ritmo do maracatu)
TUM túmtum tumtúm TUM túmtum tumtúm
TUM túmtum tumtúm TUM túmtum tumtúm
Ma raca-tué doa-mor ô ôô
Ma raca-tué doa-mor ô ôô
TUM túmtum tumtúm TUM túmtum tumtúm
TUM túmtum tumtúm TUM túmtum tumtúm
Ma raca-tué doa-mor ô ôô
Ma raca-tué doa-mor ô ôô
Chegou a Nação nascente do mar
escravizados com tambor a ecoar
ergueram a bandeira Nagô Iorubá
Mãe África, estrelas te viram a
navegar.
Guerreiros do maracatu a dançar
o samba que salva, ó salve Oxalá
das águas profundas emerge Iemanjá
batuque alegria, zabumba, ganzá.
Compasso apitou, maracás e agbê
rufa os tambores, agogô e gonguê
na marcação o canto não pode calar
Brasil africano chacoalha o xequerê
O lê lê lêlê vem cantar o refrão
levanta o estandarte e ergue a mão
abre caminho na rua a dançar
pisa no chão como um trovão.
Toca o atabaque tum túmtum tumtúm
Ma raca-tué doa-mor ô ôô
resiste no toque no riso e na dor
tum túmtum tumtúm tum túmtum tumtúm…
773 - Ode de um poeta
I
Ó poeta que canta as dores do mundo
ergue a voz para o alto como pássaro
reluta corajoso com o poder das
palavras
combate firme o pranto dos famintos
qual rocha defensora dignifica a vida
livre
e entre o céu e a terra, o rio e o mar,
depara com o sentimento mais profundo
com ecos do encanto que reivindica paz
que segue na luta contínua por onde
trilha
e vai em busca da causa que te motiva
e ainda estimula o corpo como semente
que germina a seiva revigorante
envolvendo todo o sentimento
do cuidado mútuo civilizatório.
II
Eis o grande astuto lírico e peregrino
sutilmente gentil e austero passarinho
recebe a recompensa das escritas
contra as guerras das indiferenças
protege a amada dos sequestradores
segue o vento apesar dos perigos
recebe de volta da terra a resposta
nativa
abrange teu sentimento a todo o povo
espalha a bonança em revoada
como brasa de anjos das florestas
que faz renascer a fênix resiliente
que do barro vivifica e transforma
apesar dos corações de pedra
percebe o humanismo no rosto do Outro.
III
Unido pela pulsação do sentimento
pelas veredas do jardim e dos cânticos
prediletos com as marcas dos passos
lembrando dos vulneráveis sobreviventes
entrelaça o mundo ao anúncio profético
rebaixando os tiranos dos tronos
guia, ó ilustre, mestre da esperança
os amantes encantados no engajamento
reconhece a existência do existente
o ser vivente em convivência
sendo acolhedor e hospitaleiro
sabendo do desapego que conforta
como o esforço do nascimento
que sente dor e alegria na dialética da vida.
774 - Linhas de um diário
Abri a gaveta e comecei a vasculhar…
roupas, desejos contidos, pensamentos…
O relógio na parede não parava de me
avisar o tempo infinito.
O momento é fugaz.
Descalço, solfejava uma música pela
sala
fazendo uma sonoridade dos meus relatos
triviais e pertinentes,
contra o vácuo dos caminhos insanos e
desolados que não chegam a nenhuma praia.
Estou vivo! É óbvio!
Não como um adorno nostálgico sobre um
chão ausente, silencioso e trágico.
Mas como alguém amoroso que segue um
futuro incerto engolido pelo tempo.
Meu corpo fala.
Paro para falar com as plantas
chuviscadas no ermo.
Penso no mundo interior e com a vontade
potente.
Vejo minha caricatura no quadro como um
labirinto que reflete a verdade budista do desapego.
Abro a porta de um trajeto e observo as
teias que nos conectam.
Sinto o amanhecer como uma chave dos
ancestrais
e uma força me faz escrever o que
sustenta para nutrir a história.
Como andarilho semeador da paz sigo em
frente
confrontando novas histórias.
Mas quem vai me ouvir?
775 - O amor é a lei
A sociedade humana pode ser um dia uma
vida fraterna?
Entendo as complicações e as angústias.
Mas enfrento aventurar.
− O amor é a lei.
Sinto a sensação de liberdade e afeto
quando ando pelo jardim entre os
pássaros.
Meu coração bate pesado com a leveza das
poesias.
Nunca é tarde para nada enquanto a
gente vive.
Assim sendo, aposto na alteridade, não
no anonimato ou na omissão,
para romper com o sistema que reduz a
pessoa em coisa.
Será que não conseguimos ser do modo
que se encontra no demasiadamente humano, com todo o saber e poder?
Estamos em contexto e em processo.
Não há espaço para a passividade ou
neutralidade, posto que isso é uma negação existencial.
A profundidade ética, moral e radical
do sujeito é o humanismo em liberdade e fraternidade,
no acolhimento com o outro e com a
natureza.
Portanto, nosso alimento diário
é que na existência de cada existente
a missão é pela boa convivência.
776 - Amárpolis
Quando resolvi seguir para Amárpolis
tomei minha decisão livremente
itinerante numa aventura de
curiosidades
buscando a sonhada felicidade
entre rios, cachoeiras e mares
existindo e vivenciando afetos
encontrando-me com a natureza
elevando a estima e o pensamento
sentindo a emoção no corpo inteiro
compartilhando ideias esperançosas
mesmo com os conflitos
que são como adubos na terra.
Fiz uma longa caminhada para Amárpolis
e continuo na travessia desse
sentimento
em cada manhã de sol ou de chuva
descortinando cada camada da utopia
entre véus da beleza que encanta
que faz sentir o sabor e o saber da
vida
guardado na viagem desse percurso
na passagem estimulante do encontro
compreendendo o significado da essência
tornando o imaginário em realidade
resistindo e vivendo momentos célebres
que dão sentido a cada instante vivido.
777 - Poética
Aqui tem
amor e paixão
terra, água, fogo e ar
O corpo fala
a mente sente a razão
o sentido é ser
Escrito no muro
a denúncia do mundo
a de-cisão
A causa é o que afeta
se faz comoção
transpira arte
A distância é quântica
é transcendental
é tempo-espaço
Essa poética
inspira o instante
a determinação
778 - Deleite
Como fico se não sentir a vida?
Como sentir sem ficar contigo?
Não vivo sem desvendar esse mistério
sem degustar o teu corpo nu
saborear o mel de dois em um
no leito de um rio que encontra o mar
no querer de nossas carências
com o gosto dos abraços
no contorno suave da pele
no espaço do compasso conjugal
mapeando no toque com as mãos
sussurrando no ouvido os segredos
descobrindo o véu do sacrário
nos instantes de entrega total de puro
deleite.
779 - Pintura
No teu abraço me encontro como tinta na
pintura
no tempo em que criamos a nossa arte
no tecido da pele que se une numa tela
despidos do mundo, vestidos de amor.
Teu olhar de estrela sonhadora
brilha e reflete autoconfiança
em nosso espaço rastreando a paisagem
ilustra um cenário de um ateliê.
Como espumas do mar desenhado na areia
escorre pelo corpo o suor desvelador
trazendo a cor do som dos sentimentos
nos simples gestos de cuidado e
carinho.
As horas pincelam e tingem o espaço
concebendo a vida um momento surreal
eterniza a imagem do presente instante
o desenho feito com as mãos amantes.
780 - Alegria
Vou dizer sem receio de julgamento
menos ansiedade e mais alegria
pois a luz que brilha no olhar
é a mesma dos olhos da paz.
O prazer que chega ao sentimento
faz ecoar musicalidade ao coração
favorece o tempo em que se vive
nos gestos simples e sutis.
Uma dança começa com o andado
pelos caminhos da vida a seguir
cruza pontes com diálogo
no embalo contente da satisfação.
781 - delírio
Sob a luz da lua teu corpo quente
no meu se reconhece e queima
no toque da mão que se esconde em
segredo
e o corpo aspira pelas curvas
excitantes
pulsante por dentro e por completo
cresce o sentimento
o calor
o fogo
a sede
o delírio
e o suor escorre em nossa pele
no ritmo compassado
desfazendo barreiras
tabus e defeitos
tua boca com a minha no escuro
tecido veludo
suspira
numa entrega total
e no ápice da devora
o gozo estremece
trançado com respiração
com o fogo que faz renascer
782 - Viagem
Pelas trilhas fantásticas tracei um
mapa
num corpo alado ergui o voo pelo vento
em mistério que encanta o olhar
navegante entre as paisagens
no reino de rios e mares
onde o castelo é a floresta
e as flores falam e ensinam a amar
cantando com os pássaros.
Descobri o manto da viagem
segui pela terra dos encantos
cruzei fronteiras com o teu olhar
contemplando a beleza com o teu abraço
dando voltas nos contratempos
bailando descalço na areia da rua
cantarolando os dias vencidos
desenhando o rumo no esboço do sentido.
783 - Ame a si mesmo
Ame a si mesmo
só se sente amado quando se ama a si
mesmo
assim nasce em silêncio
ou nas palavras livres o que somos
e pelo que somos amamos
na travessia do instante da vida
no tempo do sopro da existência
no sentimento concreto do encontro
sem fingimento
sem fuga
mas com profundidade
no acontecimento que afeta pelo olhar
pelo ato desapegado
pela busca do que se quer por inteiro.
784 - Eco de um poema
No deserto da vida e do sentimento
o silêncio bate à porta com insistência
com o cansaço da rotina regrada
com sede e sem oásis
só em si com a razão
com os versos soltos
pulsante de amor
no eco de um poema
Os vestígios de um versejador
insistente
encontra-se no toque, no riso e no
olhar
na conquista que preenche a ausência
que compensa a busca contínua
sinaliza ser radiante
inacabado e perfeito
envolvente com calor
que fortalece com consciência e atitude
785 - Sinta o que sinto
Sinta o que sinto
para ver se a gente sente o mesmo
desejo.
Convivendo comigo
não quer dizer que temos os mesmos
anseios.
Aparência para o mundo exterior
difere da interioridade, mesmo
conectados.
Veja o que vejo
e perceba as diversas formas de crenças.
Toque com a mão na terra
para plantar o benefício.
Fale as verdadeiras palavras
para viver em liberdade.
Depois de uma profunda intimidade
descobre-se a continuidade da relação.
786 - Poemante filosófico
Somos a metade que a filosofia ensina
no mito de Eros que busca o devir
projetando imagens além da caverna
aquela que acrisola em velhas teses
mas que se rompe pelo paradoxo da
dialética.
Fomos ensinados sob medida cartesiana
entre convicções e dúvidas ou crenças
sentindo e cogitando ou até fingindo
no amor profundo que existe e que
também refuta.
E na beleza da essência contemplada
na força motriz que nos move
impera o bem que o silogismo não diz
na substância do nosso logos que
plenifica.
Somos vibrantes na razão e na paixão
no tempo que declina no horizonte
no olhar amante fatal de reação
na travessia da angústia existencial
para o alcance do sentido.
787 - O lugar do amor
Se o tempo ainda permitir encontrar o
lugar do amor
não se apresse, ele sabe esperar,
como um rio escrevendo versos ao mar
respondendo naturalmente
com a presença viva das flores
como uma rede no alpendre a balançar
como um voo de um pássaro a plainar
como a chuva que traz renovação
é assim que encontro o teu carinho
como abrigo acolhedor agradável
de todos os momentos da vida
igual a uma melodia em seus compassos
com arranjos e percussões
entre olhares desejantes
no percurso da história inscrito em cada manhã.
788 - O sentido da razão
Sob o céu onde o vento traz-me o ânimo
e o vigor
aprendo a chegar com paciência e com
asas
passo a compartilhar o melhor voo da
liberdade
deixo o corpo leve se elevar no imenso
espaço
e desse jeito sinto o que sou em cada
amanhecer
e vejo a vida complexa com menos mistério
sabendo que é preciso entender o
sentido da razão
porque o poeta é um filósofo que pensa
em versos
e na leitura coletiva da realidade o
sonho é real
o encontro das mãos se faz semente no
chão
fertiliza o coração com respostas sem
ilusões
e a rotina passa despercebida com
coisas óbvias
mas a sutil gentileza sempre convida a
viver livre
seguindo o caminho com o mais profundo
amor.
789 - Flores no jardim
Entre o frenesi e a
suavidade dos dias
o sol vitaliza o
encontro da busca
enquanto não se
encontra o sol com a lua
lentamente acontecem
as transformações
e nesse ínterim com
pressa constante
nascem as flores no
jardim dos quintais
que para uns servem
de contemplação
para outros são
despercebidas
deixando-se esvair
entre os dedos
os momentos de clímax
achando que é algo do
acaso?
Não!
A vida é o único
momento do agora!
Viva! Sinta! Reaja!
Não esqueça de quem
está ao seu lado
pois é preciso cuidar
de cada passo
mesmo com ventos
contrários que pedem para recomeçar.
790 - Ser amado
No meu desejo percebo o teu silêncio
que me incomoda como o puro vazio
mas me surpreende o que me revela
no incêndio do corpo que ousa te
abraçar
Nos versos que escrevo com sangue
urge fazer-me satisfeito e querido
ser amado com a boca, mãos e ventre
sem pressa e sentindo toda a delícia
Teus braços quando me prendem
vinculam-se como casa e botão
reinventam na pele novas ideias
anuncia uma grande sensação
Aceso no corpo afetuoso
anseio pelo equilíbrio
entre quem ama e quem é amado
no limite das condições vitais
791 - A terra e a chuva
Procurei em teu ser o indispensável
como a terra que recebe a chuva
descobrindo caminhos inovadores
Encontrei em teu olhar o meu reflexo
no espaço fecundo do sentimento
na estrada que construímos juntos
Plantei a semente da nossa história
seguindo o vento da inspiração
indo pelo tempo que abraça a vida
Cuidei de viver livre e fraterno
entre pessoas e toda a natureza
pela paz no sonho da utopia
Sonhei com a solidariedade
relutando contra o ódio
enquanto ainda vivo
792 - Conexões
No silêncio desperto em um amanhecer
e admirando o oceano desafiador
vejo o reflexo do mundo oscilando
como um quadro surrealista
onde se vê a vida invertida
Atento aos sinais do tempo
às manhãs corriqueiras
e ao fim do dia estafante
enxergo o coração do sentimento
no gosto do sabor da vida
Pensativo frente as minhas memórias
pulsantes nas conexões
uma força natural me absorve
como luz que contigo me envolve
como forma de amar e conhecer e viver.
793 - Valor e tempo
O tempo tece em mim o valor
faz uma curva no espaço da razão
providencia as mudanças
cruza a linha dos passos realizados
marca no corpo os dias vividos
provoca alterações profundas
entrelaça conexões vitais
segue livre e conectado
O valor me engrandece no tempo
pela verdade que liberta
pela empatia que solidariza
pela amizade presente que vivifica
pela vida que passa como um sopro
por entender que estamos
interligados
com a dimensão do vigor
pela arte de amar
793 - Valor e tempo
O tempo tece em mim o valor
faz uma curva no espaço da razão
providencia as mudanças
cruza a linha dos passos realizados
marca no corpo os dias vividos
provoca alterações profundas
entrelaça conexões vitais
segue livre e conectado
O valor me engrandece no tempo
pela verdade que liberta
pela empatia que solidariza
pela amizade presente que vivifica
pela vida que passa como um sopro
por entender que estamos
interligados
com a dimensão do vigor
pela arte de amar
794 -