" ESCREVER É PRECISO "

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026


POECOLOGIA

DO

ECOPOEMA

 

Escrevo o eco da poesia ecológica

incluindo a interioridade extensiva

irmanada que transpira da Terra animada o hálito vital

revigora o conjunto da biosfera.

 

 

 

 

ECOPOEMA: SENSIBILIDADE NA VISÃO BIOECOLÓGICA

 

As superficialidades da vida podem até ser modificadas,

mas a essência não muda.

É nesta loucura da essência de ser livre que vivo.

Não espere que outro sinalize para que você viva.

Apesar da materialidade racional

ter se tornado fundamentalmente irracional,

a sensibilidade resgata-se na espiritualidade

como a maior libido.

O ser racional banalizou a condição animal mamífero

E em sua racionalidade se extingue.

Há uma saída pela esperança

onde se compreende que somos um todo

na visão bioecológica.

Ou seremos extintos da Terra.

 

 

 

 

EGOSSISTEMA

 

Alteridade onde estás?

Interdependentes que somos,

Em lápide, jaz!

Entranhados em consumo.

 

Os outros somos nós,

racionais da monstruosidade,

conflitantes ao irracional.

 

São tantos mitos e ritos,

imagens e símbolos...

num mundo sem limites.

 

O ecossistema reclama há tempo

aos quatro cantos do vento

independente de sistema

no coletivo egossistema.

 

 

 

 

 

A COMIDA NO PLANETA É CONTROLADA

 

A comida no planeta é controlada.

A palavra sustento na verdade dói

por não ter a mesada e o amanhã salutar,

por só ser o restante das sobras do lixo.

A música parece desafinada

Nas famílias, nas escolas, na política...

A esperança revigora com resistência

na caminhada do povo calejado

por causa do trabalho muito sofrido.

Na verdade a realidade não é felicidade

e o que se vive se torna uma passagem

embora o bem sobreviva às desigualdades.

No fim de tudo, jaz a materialidade.

Apesar da desordem e da grande opressão

 A sociedade guarda a sua real resposta

através de inúmeras comunidades.

O tambor da fome geral será a revolução.

 

 

 

 

CHUVAS DE ABRIU (Abril/2019)

 

   Chuvas de abril

         que trazem um mormaço

               enchentes urbanas

                    com raio e trovão

                          águas abruptas

                               não medem o tamanho

                                    da tua reação

                                        pancadas de chuvas

                                             açudes e barragens

                                                  rompendo o chão

                                                       desfaz-se a vida

                                                           da lama erigida

                                                                surge outra imagem.

 

 

 

 

 

 

 

 

CHUVAS DE MAIO (maio/2019)

 

Chuva de maio

que caíram no Ceará

alagando Fortaleza

da Aldeota ao Lagamar

água invadindo casas

lojas, igrejas, escolas...

e muitas mães a chorar

o céu nublado

árvores caídas

muro desabado

gente ferida

canais transbordando

enchente castigando

água que muda a vida.

 

 

 

 

ECONOMIA ECOLÓGICA

 

Antes o quintal era de mato verde

Hoje só vejo cimento.

A natureza é a mãe da economia

e aqui os filhos são desobedientes.

Chegamos na autossuficiência.

Quanta ignorância!

Somo lama!

Carne que apodrece.

Por que a arrogância?

Tanto conhecimento entre a fome e a morte.

Sociedade! Sociedade?

És uma massa líquida adequada

Tantas leis no papel

e promessas de terra no céu.

Tudo vira mercadoria.

O lucro está na frente da pessoa.

O capitalista não enxerga a pessoa.

A meta é o lucro monetário.

Antes o quintal era de mato verde

hoje só vejo cimento.

 

 

 

 

ECOLOGIA FILOSÓFICA

 

Terra inteligente.

Humano barro interdependente

ecologicamente decadente.

Humano, demasiadamente desumano.

A natureza fala seu pensamento

reagindo à involução poluente,

contrapondo ao desmatamento

e anunciando o juízo final

entre o humano e o ambiente

numa tensão excludente

do capitalismo alienante

que extingue vidas lentamente

matando o Planeta pensante.

Humano! Barro! Pó!

 

 

 

 

FILOSOFIA ECOLÓGICA

 

Mente consciente

inteligência dos conhecimentos,

filosofia ecológica,

estrutura do fundamento,

da epistemologia ontológica,

argumentos recíprocos

entre o organismo e o ambiente.

Percepção da totalidade

entre o ser e o todo envolvente

é práxis includente

evitando concepção mecânica da mente

por influência alienante

que não liberta o ser pensante

racionalmente entendedor.

 

 

 

 

ECOLOGIA LIBERTADORA

 

Ergo do solo o grito faminto

de pessoas no asfalto entre carros

excluídas de outras sem compaixão

sobrevivendo do próprio barro.

 

Ecoa livre no ar entre folhas

a voz que clama libertação

pelas vidas desamparadas

pela fauna e flora e pela nação.

 

Reage a vida naturalmente

com consciência e criticidade

mas só se livra de verdade

quando se ama plenamente.

 

 

 

 

ECOCENTRISMO

 

A natureza em sua essência e valor

É o centro certo mais humanitário

E com boa amplitude e vasta grandeza

Expande a beleza do cenário.

 

A forma e o conteúdo todo expressa

equilíbrio e harmonia ontológica

como fonte da vida existente

com destaque à ética maior da história

 

Sem alguma dicotomia somos uno

intrínsecos, iguais, inseparáveis,

mistura unida, composição do húmus.

 

Somos terra humana evolutiva,

com a voz da sustentabilidade

por um porvir cuidadoso e criativo.

 

 

 

 

ECOFEMINISMO

 

Ecoa um movimento feminista

em conexão com a natureza viva

entendendo na filosofia holística

o combate à opressão capitalista.

 

Vejam! Não percebem a interdependência?

A condição histórica patriarcal

imposta sob uma exclusão misógina?

Em nome de Deus, da família e da falsa moral?

 

Eleva-se uma resistência!

Expande as ativistas!

Emerge a luta pela decência!

 

O voo do gênero e do corpo

como ave ocupa o espaço

em defesa do próprio rosto.

 

 

MANCHAS DE ÓLEO

 

O ano é 2019 depois de Cristo.

O lugar é o Planeta Terra.

Mais precisamente no Nordeste brasileiro,

no fim de agosto,

nas praias do grande Atlântico.

 

O petróleo cru se espalhou

por centenas de praias

e mais de mil toneladas de resíduos recolhidos

mataram drasticamente a vida da água e da terra.

 

As manchas de óleo como borracha,

substância densa e tóxica,

catástrofe ambiental criminosa,

envenenamento da vida na Terra.

 

 

 

 

SUSTENTABILIDADE ECOLÓGICA

 

Estratégicos da caneta

escrevem a previsão humana

para preservar a natureza

mas falta cuidado e esperança.

 

Ecólogos ecoem as pesquisas

antes do apocalipse

para defender a Terra

mas é escasso a dignidade.

 

Sustentáculos da Terra e do Céu

ajam com sua providência

transfiram a grande catástrofe

mas é inevitável a metamorfose.

 

 

 

 

ECOESPIRITUALIDADE

 

A vida é ecoespírito.

O estilo vital equilibra-se

na espiritualidade,

numa dinâmica inter-relacional

que recria a natureza

e dá sentido a nossa realidade,

inteirando-se da essência.

Do pensamento contemplativo crítico

renasce nossa responsabilidade

sobre toda a ordem e desenvolvimento

ecoa uma poesia natural

confrontando toda a pós-modernidade

num complexo materialista

− a Terra clama liberdade.

 

 

 

 

ECOCÍDIO

 

Ecossistema sacrificado

com letal pesticida,

ecocida!

Meio ambiente inteiro

destruído, prejudicado,

martirizado!

 

Veneno espalhado na terra,

na água e no ar:

mortificar!

Plenário de parlamentares,

legisladores das falácias

burocratas!

 

Crime ambiental

vai ao Tribunal Penal.

Grande mal!

Não mais o desmatamento!

Basta de queimadas!

Gente arborizada!

Ou carbonizada?

 

 

 

 

ECOSOFIA

 

Ecos da filosofia

que une pensamento e ação,

que aprofunda na lógica

do humano com a natureza

e sente toda a beleza

na meta em que foca

com sentido e direção.

 

E além de um simples termo

na sabedoria ecológica

segue o principio vital

que combate todo o mal,

não com argumentos apenas,

mas com atitude digna

que favorece à vida

e toda a biodiversidade.

 

E nesta concepção

com toda a tecnologia

vigore o cuidado afetivo

como política natural

da felicidade geral.


  

____________________________

Jonas Serafim de Sousa nasceu em 30 de março de 1962, em Recife, Pernambuco. É professor na Prefeitura de Fortaleza e atuante no Sindiute. Mestre em Avaliação de Políticas Públicas pela UFC. Publicou seu primeiro livro na Bienal de 2022 em Fortaleza com a obra "Endyra: uma aventura na Amazônia". Em 2024, publicou “Poesofia”. Residente em Pacatuba, Ceará. Publicações: jonaslivros.blogspot.com - Contato: (85) 9 8604.8862. Instagram: @jonas.serafim.






Nenhum comentário:

Postar um comentário