MICROCONTOS DIDÁTICOS
Jonas Serafim
1 - ABACATE
Aprendi com a minha avó que o chá de
abacate serve para problemas urinários. Depois, com a minha mãe, vi que essa
fruta é muito útil na arte culinária. Escrevendo poemas, pesquisei nos versos
das canções e descobri o significado afrodisíaco da abacateidade.
2 - ABAIXO-ASSINADO
Um abaixo-assinado em plataforma digital foi criado pedindo
punição pela morte do cachorro Orelha, por causa de agressões violentas cometidas
por adolescentes, em Florianópolis, em janeiro de 2026.
3 - ABELHA
Uma sertaneja do nordeste brasileiro
resolveu ser apicultora. Em contrapartida, nesse lugar, um grupo de empresários
do agronegócio negociou um desmatamento em favor de uma imobiliária. As abelhas
intoxicadas faleceram. O tempo passou e, sem a polinização, a sertaneja também
faleceu.
4 - ACEROLA
Acerola. Plantei, cultivei e colhi para
beber o suco.
5 - ACESSIBILIDADE
Um
cadeirante, um cego e uma gestante não conseguiram atravessar a rua por falta
de acessibilidade.
6 - ADVOGADA
Uma mulher entrou num shopping e foi barrada porque era negra. Ela questionou e exigiu os seus direitos. Mesmo assim, foi constrangida. O caso foi parar na delegacia onde essa mulher trabalhava como advogada.
7 - ÁGUA
A água disse para a terra que se sentia
acolhida em seu leito. Também era satisfeita nas raízes das plantas, nas
nuvens, no copo dos sedentos… Mas, suas lágrimas eram de poluição.
8 - AFETO
Um menino de nove anos que cursava o 4° ano do Ensino Fundamental era sempre chamado à atenção na coordenação, porque brigava constantemente com os colegas da escola, e a família era solicitada para advertência. Uma professora chegou à escola e adotou esse aluno com afeto. Um ano depois, com o acolhimento afetuoso, o aluno rebelde passou de ano e não foi mais chamado à atenção.
9 - AFRO-BRASILEIRA
Um professor resolveu fazer uma pesquisa com os alunos sobre a história e cultura afro-brasileira e indígena, conforme a Lei nº 11.645 de 2008. No dia seguinte, alguns pais apareceram à escola para tomar satisfação sobre essa pesquisa e criaram uma confusão. De repente, os alunos apareceram com cartazes em favor da pesquisa que o professor pediu.
10 - ÁLBUM
Numa noite tranquila, enquanto olhava um álbum, sentado no chão do
meu quarto ao lado da minha esposa, encontrei uma foto de uma ex-namorada.
Minha esposa perguntou quem era. Fiquei em suspense.
11 - ALEGRIA
Conheci uma jovem copeira em um hospital que vivia alegre e sorridente. Então, todas as vezes que a via, eu dizia: bom dia, alegria!
12 - ALFABETIZAÇÃO
A neta dizia para a sua vó:
−
Vó, meu filho disse que a professora falou que a alfabetização começa no berço.
− Mas não é na escola e na idade certa que se aprende a ler? − Questionou a vó.
−
É isso mesmo, vó. Mas, ouvi também que brincar, desenhar e até a tecnologia ajudam
a alfabetizar. E ainda precisamos compreender os erros como parte da
alfabetização.
13 - ALFACE
A mãe insistia com o filho para comer verduras. Um dia, falou que se comesse alface, ficaria bonito e inteligente. O menino cresceu comendo alface.
14 - ALGODÃO
Um economista comentou numa entrevista dizendo que o algodão já foi chamado de “ouro branco”. Explico. Devido ao seu grande valor durante o ciclo do algodão no Brasil, nos séculos XVIII e XIX, e em particular, no Nordeste, e mais especificamente, no Ceará, o que levou ao processo de industrialização. Com a falta d’água, a concorrência, o surgimento do bicudo-do-algodoeiro e a queda no preço do produto, ocasionou o declínio do algodão.
15 – ALFABETO
No primeiro dia de aula, a professora
escreveu no quadro a palavra alfabeto. Joãozinho perguntou:
− Professora? Essa palavra é para a gente escrever todas as coisas do
mundo?
− Não, Joãozinho. Tem coisas que não se escrevem. A gente precisa sentir com o
coração e abraçar com amor.
16 - ALTO-FALANTE
− Sabe o que aconteceu na
Arena Castelão no domingo passado na hora do jogo, Gabriel?
− Não! O que foi?
− Um torcedor da Geração Z
(nativos digitais) conectou o celular ao alto-falante via Bluetooth e usou a Inteligência
Artificial (IA) para ouvir um hip hop. No momento em que explodiu o som, a
multidão partiu para dentro do gramado, motivada a dançar. Os policiais
partiram para cima.
17 - ALUNO
O aluno foi conduzido à coordenação. A
coordenadora falou:
− Conte a sua história…
18 - AMAZÔNIA
Endyra era uma nordestina de 15 anos que decidiu viver na Amazônia. Ela estava diante de uma fogueira e um xamã se aproximou num ritmo de mantra e convidou-a para a sua aldeia. Endyra conheceu Raoni e Araci e resolveram fazer um acampamento distante da tribo. Sob uma montanha, no fundo de uma grande caverna, se encontravam os três aventureiros em busca do inesperado. Endyra contemplava a Amazônia. Um dia, um cacique de uma tribo agrupou todos que viviam na taba para tratar dos problemas existentes na Amazônia por ser invadida, saqueada e queimada. Uma luta foi travada entre os nativos e os invasores. Após muita peleja, os invasores caíram numa emboscada e foram presos dentro de um antigo castelo. Apesar disso, conseguiram fugir. Mas a Amazônia ainda sofre com os ataques de desmatamento, queimadas, garimpo... Enquanto isso, Raoni olhou nos olhos de Endyra e revelou um desejo. Endyra, surpresa e encantada, parecia retribuir o seu olhar na manhã aprazível. Os dois se entreolharam e se beijaram enquanto a natureza abençoava, contemplando o amor.
19 - AMIZADE
Aprendi bem a amizade com a minha mãe,
até quando me castigava. Entendi melhor, na criação dos filhos e filhas e com
alunos e alunas, o sentido desse valor que pondera. Percebi na maturidade da
vida o sentido que prevalece desse sentimento reflexivo.
20- - AMOR
– Oi, amor! Seremos felizes para
sempre, até que a morte nos separe.
Depois dessa liturgia e três casamentos nas costas, aprendi que precisa mudar o
ritual. Como diz Vinícius, "que seja infinito enquanto dure".
21 - ANEL
Dois rapazes avistaram uma moça numa
festa e logo se interessaram em cortejá-la, quando perceberam o anel em seu
dedo anelar.
22 - APAGADOR
Um adolescente disse para o seu avô que parou para pensar sobre a palavra "apagador". E, como tal, concluiu que poderia compreender como um objeto que apaga o quadro da sala de aula, ou um interruptor que apaga a lâmpada. Além disso, pode-se entender poeticamente algo que apaga a dor de alguém.
23 - APOSTILA
Durante a maior parte dos meus estudos, aprendi e guardei tudo em apostila. Agora, guardo exames médicos.
24 - APRENDER
Conheci muitas ideias, fiz planos com familiares e amigos, convivo bem com a diversidade, sou um aprendiz que busca ser no processo de aprender.
25 - APRENDIZAGEM
Quando nasci, passaram-se dez meses
para aprender a andar e falar algumas letras. Depois dos seis anos de idade,
comecei as primeiras leituras. Após os doze anos, desenvolvi o pensamento
lógico e a capacidade de realizar operações mentais com objetos concretos.
Resolvi escrever poesias e microcontos.
26 - ARANHA
A professora pediu uma pesquisa sobre aranha. Mariana escreveu numa cartolina e começou a ler: Existem mais de 50 mil espécies de aranhas. Elas comem as próprias teias para recuperar parte da proteína. Algumas são capazes de andar sobre líquidos, nadar e até respirar debaixo d’água. A viúva negra, a aranha-marrom, as armadeiras e a aranha-teia-de-funil são consideradas as aranhas mais venenosas e letais. Ao terminar de ler, a turma percebeu uma grande aranha no canto da parede. A correria foi grande.
27 - ARQUIVO
Tentando achar os documentos no arquivo, fui
dormir muito tarde. Pela manhã, fiz outra busca e, em vão, folheei tudo,
fazendo um pente fino. Uma semana depois, abri o mesmo arquivo e, para minha
surpresa, nas últimas páginas, encontrei os documentos.
28 - ARTE
No dia mundial da arte, comemorado em 15 de abril, em homenagem ao
nascimento de Leonardo da Vinci, um grupo de alunas apresentou no desfile de
carnaval os seus desenhos pintados com giz de cera, expondo a subjetividade da
cultura popular na visão feminista, questionando os valores entre o consumismo
e o minimalismo, em favor da sustentabilidade. No momento, uma cinegrafista
filmou tudo e compartilhou em tempo real nas mídias digitais. Alguns rapazes não
gostaram do que viram e queriam rasgar os cartazes. Os organizadores do bloco
carnavalesco tomaram a frente para conter a multidão. Enquanto isso, as imagens
circulavam pela TV mostrando a situação real das pessoas como uma alegoria do
contexto social.
29 - ÁRVORE
A árvore da vida no meio do jardim do
conhecimento do bem e do mal, escrito no Gênesis, lembrou-me do pé de cajarana
que ficava em frente da escola onde eu estudava com meus irmãos, e era também
perto da nossa casa. Mas, essa ideia foi cortada por uma serra elétrica.
30 - ASA
Ícaro descobriu que existem basicamente
três tipos de asas: asas de aves, de insetos e de aeronaves, com uma simbologia
sobre a liberdade com espiritualidade. Mas, isso com o limite sobre o peso e a
energia utilizada.
31 - ATIVIDADE
Um idoso me contou que a sua atividade
na vida foi aprender e ensinar a conviver em paz. Era um professor com mais de
quarenta anos de sala de aula.
32 - AULA
Primeiro dia de aula do 6° ano, sala
quente com mais de trinta alunos e muita conversa. Meninos e meninas
misturavam-se entre os corredores das cadeiras, trocando figuras. A cena ainda
continuava à noite na mente do docente sobre o travesseiro.
34 - AVIÃO
− Professora, é verdade que Santos Dumont, o “Pai da Aviação”, tirou a própria vida? − Perguntou à aluna.
− Sim. De acordo com as testemunhas,
Dumont, deprimido e com desgosto pelo uso de aviões em guerras, foi encontrado
morto em seu quarto no hotel, onde estava hospedado, enforcado com uma gravata,
aos 59 anos, em 1932.
35 - AVISO
No alto da parede, um aviso: viva o bem, porque só existir não basta.
36 - AVÓS
Era
ano novo na casa dos avós. Eles nem dormiram direito. Mas amanheceram ativos. Fizeram
o café e continuaram a rotina. Os netos e netas e toda a família acordavam aos
poucos pelos passos dos saberes ancestrais e pelo cheiro do café. Assim, cada
um ia aparecendo à mesa. Mesmo com os celulares na mão, a descendência
encontrava na casa de origem dos avós o aconchego e o cuidado do bem-estar,
como se dissesse: como estamos e para onde estamos indo.
37 - BANANA
Um nativo explicou a um turista, quando
viu diversas bananas no mercado das Filipinas.
− Desde a antiguidade, a banana foi comparada com
dedo e dente, sendo um nutriente que simboliza sorte, prosperidade, abundância,
fragilidade, até gesto de desprezo. Ela não é uma árvore, mas sim uma erva
gigante.
38 - BANDEIRA
− Fale de Bandeira, Maria.
− Bandeira de Pasárgada, pernambucano sem lirismo
comedido, e da poesia O Bicho, meu Deus, era um homem.
39 - BANQUETE
Li no jornal (g1.globo.com) de 25/12/2023,
sobre um banquete. Padre Júlio Lancellotti e líderes religiosos se uniram e
fizeram um café da manhã de Natal para moradores em situação de rua. Foi
um ato inter-religioso com pastor, sheik, pai de santo, padre e bruxa que
ocorreu na Zona Leste de São Paulo. Cerca de 500 refeições foram entregues para
a população de rua. Existem mais de 345 mil pessoas em situação de rua no
Brasil.
40 - BARCO
Aprendi a nadar na praia do Mucuripe
quando tinha 12 anos. Nadava até os barcos que ficavam na praia. Via os
pescadores puxando a rede de pesca e ganhava peixes pequenos para almoçar em
casa com a família.
41 - BEBÊ
Na recepção de um hospital havia uma
confusão. Uma suposta grávida queria parir um bebê reborn.
42 - BEIJO
Meu primeiro beijo foi de um desejo, mas o segundo beijo foi de uma paixão, que marcou com tantos beijos, que ainda sinto o sabor no coração.
43 - BELEZA
Nunca esqueci da frase que aprendi no 4° ano do Ensino Fundamental que dizia: "quem o feio ama, bonito lhe parece". Assim, aprendi o significado da beleza.
44 - BEM
− O bem sempre prevalece − disse o aluno.
− Falou muito bem − apoiou uma colega.
− Que alcancemos esse bem-estar − concluiu o professor.
45 - BIBLIOTECA
Na minha adolescência, juntei uns
trocados e comprei umas histórias em quadrinhos (HQ). Algumas décadas depois, já
tinha centenas de livros. No pequeno quarto, uma biblioteca.
46 - BICICLETA
Um menino contou para a sua amiga, na
hora do recreio da escola, que a imaginava pedalando bicicleta. A menina,
olhando para o céu, disse que imaginava viajar de avião.
47 - BIOLOGIA
No início do ano letivo, a professora de biologia abriu um livro e leu na reunião de pais, dizendo que a biologia contemporânea já começou a curar doenças genéticas hereditárias, a desenvolver culturas agrícolas mais resistentes e que a densidade de armazenamento do DNA é tão alta que, teoricamente, todos os dados do mundo poderiam ser armazenados em um volume do tamanho de uma caixa de sapatos. Os familiares escutaram atentamente e começaram a questionar. De repente, um gato apareceu saltitando entre as cadeiras e foi aquele alvoroço. Uma senhora se assustou e gritou: Valha! Esse gato saiu da caixa de sapato?!
48 - BISCOITO
Um menino chegou à escola às sete da manhã e foi logo perguntando:
49 - BLOG
Indo pelo celular. Ao clicar no link do Blog, você verá uma faixa escrita: "Página inicial". Abaixo está escrita a frase: "Ver versão para web" Clica nela. Você verá a página do Blog. No lado direito encontrará os seguidores. Abaixo está escrito numa faixa azul: "Seguir". Clique em cima da palavra "Seguir". Pronto! Espero que você me siga, hein!? Abraço!
50 - BOCA
A primeira vez que meu irmão foi ao
dentista, ainda adolescente, sentou na cadeira do consultório morrendo de medo.
Quando o dentista disse para abrir a boca, o mano saiu correndo sem direção.
51 - BOLA
Assisti a uma partida de futsal de cegos
numa escola. A bola possui guizos para os jogadores localizarem pelo som. A
torcida deve ficar em silêncio, podendo vibrar na hora do gol. Enquanto isso, os
alunos corriam e se batiam pelos corredores, causando alguns acidentes.
52 - BOLETIM
Uma mulher chegou à delegacia e fez um boletim de ocorrência contra a agressão do ex-marido. Era mais uma na estatística da violência doméstica. Até quando essa misoginia?
53 - BOLO
Muitas vezes, vi minha mãe fazendo bolo, e ficava ansioso, esperando com meus irmãos para lamber a panela.
54 - BOM DIA
Bom dia, Dona Maria! Alegria na padaria! Viva a vida com empatia.
55 - BONECA
Fizeram filmes com bonecas que matam
gente. Talvez Pinóquio fizesse gente que amasse.
56 - BORBOLETA
Preso e torturado,
como Papillon, busca pela liberdade, como borboleta.
57 - BOTÃO
Quando criança, aprendi a fazer e
brincar de corrupio de botão com meus irmãos. Depois do celular, até os livros
passaram para PDF.
58 - BRASIL
Depois da Colônia, do Império e da
República, os nativos ainda resistem na terra das palmeiras de Pindorama
chamada Brasil.
Meu irmão mais novo estava numa brincadeira pelo celular, quando mãe chamou:
− Jônatas, vem almoçar!
− Espera um pouco. Depois que eu morrer, vou comer.
60 - BRINQUEDO
Há 4.000 a.C., nas margens do rio Eufrates, já se faziam piões de argila. Depois passou a ser feito de madeira, com uma ponta de metal e um cordão para fazê-lo girar. Com a tecnologia, esse brinquedo passou a ser chamado de Beyblade, bem veloz dentro de uma pequena arena, projetado para duelos rápidos.
61 - BULLYING
Os times foram escolhidos.
No canto da quadra, encostado na grade fria, restou
apenas o Gabriel.
− E ele? − Perguntou o novato.
O capitão nem desviou o olhar da bola.
− Esquece. Jogamos com um a menos.
O riso geral cortou o ar. Gabriel puxou o capuz,
encolhendo-se contra o metal e o bullying. A partida começou, o suor fervia,
mas para ele o jogo nunca começava. Ele era o eterno reserva de uma vida que os
outros decidiram que ele não podia jogar.
62 - CABELO
As histórias de cabeleireiro emitem diversas inspirações. Um dia desses, entrei no salão que sempre frequento para
cortar o cabelo, provoquei uma conversa para poder escrever algo. Fiquei
sabendo que esta profissão remonta ao Egito e à Grécia. Que na Idade Média os
barbeiros faziam procedimentos cirúrgicos e até extração de dentes. Já no mundo
contemporâneo, além dos tratamentos faciais e massagens, incluem-se atrativos com
plataformas digitais para atrair novos clientes.
63 - CACHORRO
Tínhamos uma cachorra chamada Piaba. Um
dia, começou a correr em torno da casa como louca, querendo morder todo o mundo.
O sacrifício foi inevitável.
64 - CACHORRO-QUENTE
Às vésperas dos 300 anos da cidade de Fortaleza, o prefeito resolveu distribuir cachorro-quente para os transeuntes na praça do Ferreira. Um nutricionista recusou comer, alegando ser uma “bomba” cancerígena de aditivos químicos e gorduras. Enquanto isso, um grupo de moradores de rua devorava os cachorros-quentes.
65 - CAÇA-PALAVRAS
Na hora do recreio das aulas, alguns discentes foram para a biblioteca
atrás de caça-palavras. Começaram uma dinâmica para ver quem caçava mais
palavras. O recreio acabou e não deu tempo de fazer a contagem. No final do ano,
foram premiados por terem lido todos os caça-palavras além de dezenas de
livros.
66 - CADEIRA
A primeira vez que sentei numa cadeira, não me lembro. Mas não esqueço o tempo das aulas. Imagine!
67 - CADERNO
Meu primeiro caderno era pequeno e eu o levava para a escola dentro de um saco reutilizado de feijão, com um lápis e uma borracha.
− Qual é a bebida mais apreciada pelos brasileiros?
− Cachaça! − Respondeu um participante.
69 - CAIXÃO
Existia uma idosa que vivia no Sertão
Maranhense que decidiu comprar o próprio caixão para o seu funeral. O tempo
passou e os cupins comeram o caixão.
70 - CAJU
Peguei a castanha de caju e usei um
prego para retirar o óleo e tatuei no braço o meu nome. As letras viraram
feridas e cicatrizaram com o tempo.
71 -
No
calendário da vida, em janeiro, eu nasci. Em fevereiro, ainda estava sendo
cuidado pela minha mãe. Em março, estudava o fundamental. Na manhã de abril, já
maduro, trabalhava para o meu sustento. Em maio, aprofundava-se nos estudos. Em
junho, lutava pelas causas sociais. Em julho, sustentava a minha família. Vi a
passagem do milênio em agosto. Na primavera de setembro, brincava com meus
netos. Em outubro, passei pelo meio século de vida e por uma pandemia. Em
novembro, publicava minhas poesias. Em dezembro, vislumbrava a utopia.
72 - CAMA
A cama parecia vazia. Assim como estava
vazio o sentimento do casal. A filha caçula dormia há meses com a mãe na cama.
O marido dormia no divã.
73 - CAMINHO
No começo do caminho, andei com os meus pais. Depois, passei a andar com os meus filhos. Em seguida, avancei acompanhando os meus netos e plantando árvores pelo caminho.
74 - CANETA
Sempre tenho caneta para exercer a
profissão docente. Mas acontece que um ou outro pega a caneta alheia para
escrever em algum papel. E nesse hábito, ficamos ou perdemos a caneta de
alguém.
75 - CANTAR
Ouvi minha mãe cantar música de ninar. Depois, aprendi na escola hinos e canções. Na igreja, comecei a cantar músicas sacras e até cantos das exéquias.
76 -
77 - CARRO
Andei, pedalei, pilotei moto e, depois
dos 60 anos, consegui comprar meu primeiro carro. O médico pediu para eu
começar a andar e a pedalar.
78 - CARPINTEIRO
Em Belém de Judá, nasceu Jesus, o carpinteiro, que após retornar do refúgio no Egito, viveu e cresceu em Nazaré da Galileia. Depois, com mais de três décadas de vida, esse Jesus Cristo foi sacrificado numa cruz de madeira, sob a lei do império romano, e sob pressões políticas e religiosas judaicas do Sinédrio.
79 - CARTA
Assisti ao filme “Cartas para Deus” e
passei para as turmas que leciono. Como atividade, pedi que cada um fizesse uma
carta para Deus. No final, percebi várias histórias e depoimentos reveladores.
Enquanto lia uma das cartas, uma lágrima escorria pelo rosto.
80 - CASA
Meu pai conseguiu a única casa própria
em vida para a família aos 50 anos. Eu consegui a primeira das três casas, aos
30 anos. Meu irmão caçula comprou sua casa própria na Itália, antes dos 40,
possui um veículo e vive como enfermeiro.
Dois garotos conversavam no quintal de casa:
− Qual animal você gostaria de ser?
− Um cavalo.
− Por que cavalo?
− Porque é muito forte.
− Pois eu seria uma águia para voar alto e em liberdade.
82 - CAVERNA
Em uma conversa na sala der aula, disse o profesor:
− Platão ensinou com o mito da caverna que os seres humanos confundem o mundo das aparências, as fake news, com a verdadeira realidade, ficando presos pelas percepções do senso comum. É preciso sair da caverna da ignorância pelo conhecimento que provoca reflexões críticas em favor da liberdade e da fraternidade. É necessário coragem para questionar os preconceitos no mundo contemporâneo e lutar contra a alienação.
− Professor, o mito não é uma mentira?
− Não! O mito é uma narrativa sobre uma realidade em busca de uma verdade.
83 - CEBOLA
No filme “O Caçador de Pipas”, o
garoto questiona a história do outro, que conta que um homem conseguiu
transformar lágrimas em pérolas e, para tanto, sacrificou a esposa. Então, o
questionamento era: por que o homem não cortou uma cebola para conseguir as
lágrimas?
84 - CELULAR
De primeiro, anotava tudo num caderno.
Até datilografei. Agora digito tudo pelo celular.
− Espere aqui que vou pegar o dinheiro.
Assim que desceu, o motorista espantado deu partida apressado, cantando pneu.
86 - CERCA
Um sertanejo disse para um político no palanque eleitoral:
87 - CESTO
Vivi momentos em que a roupa suja, as frutas, as verduras, às vezes, livros... ficavam dentro do cesto.
88 - CÉU
− Pai, o que é o céu?
− O céu é percebido no espaço com suas estrelas, a lua, o sol…
Antes de continuar respondendo, fui interrompido para uma reflexão.
− Pai, eu aprendi que o céu é a casa de Deus.
89 - CHÃO
Um aluno cogitou ao professor sobre a
palavra chão. O docente respondeu dizendo que, ao pensar na palavra chão,
lembrou da obra poética "Morte e Vida Severina", do pernambucano João Cabral de Melo Neto, apresentada em teatro e em filme. Numa das
cenas, a música “Funeral de um lavrador", de Chico Buarque, gravada em
1966, foi criada para a montagem do poema que trata das desigualdades sociais e
da questão da reforma agrária no Brasil.
90 - CHAPÉU
Meu pai costumava usar um chapéu social
de massa marrom escuro bem elegante. Depois que ele faleceu, minha mãe passou a
usá-lo na cabeceira da cama como lembrança. Um dia, entrei no quarto de minha
mãe para uma visita, vi que o chapéu não estava mais lá.
91 - CHAVE
Todos os dias de manhã, de segunda a sexta, eu e minha esposa, saímos para trabalhar. Cada um tem a sua chave de casa. Um dia, tive que voltar para casa no horário do almoço. A distância de casa para o trabalho é de uns 15 km. Ao chegar em casa, percebi que não estava com a chave. Puts!... Voltei para resolver o problema. Mas, tive que pensar em algo melhor para passar a raiva.
92 - CHORO
O choro da criança incomodava tanto que todos ficavam olhando com inquietação. A cuidadosa mãe acalentou-a com um abraço, percebendo que o choro é outra linguagem a ser entendida.
93 - CHUVA
Ao sair para o trabalho de manhã cedo, uma chuva torrencial começou de imediato. Aprendi a conviver com a natureza. Não adianta reclamar da chuva. É preciso saber se prevenir e entender como agir com prudência quando o clima muda. Isso serve no campo familiar, no trabalho e em todos os aspectos da vida.
94 - CIDADE
O professor de filosofia explicava:
− A cidade herdou dos gregos a "Polis" ou a política, a organização social com autonomia e independência e a forma como os cidadãos participam na administração dos assuntos públicos. Em contrapartida, na sociedade contemporânea, a cidade enfrenta desafios pelo crescimento populacional e urbanização, pela poluição e desigualdades sociais, e finda-se num espaço de consumo.
95 - CIÊNCIA
Nas férias, em um domingo de sol, contemplando o
mar sobre um espigão da praia de Iracema, da orla marítima de Fortaleza, percebi
a imensa dimensão da natureza frente à Ciência. Lembrei da notícia de erosão nas
praias de Caucaia por causa do espigão. Nessa hora, uma onda muito alta inundou
o local. Os praianos correram rumo ao calçadão.
96 - COMPUTADOR
97 - CONFUSÃO
O avô pediu ao filho que seu neto fosse à casa da tia deixar um pacote para a prima que estava com a madrasta, a esposa do avô. O neto confundiu a madrasta com a tia, a quem entregou o pacote. Tal encomenda voltou ao avô, pois era dele próprio o que estava na embalagem.
98 - CONHECIMENTO
No tempo das sociedades pré-históricas, o conhecimento era transmitido
oralmente, inicialmente na África. Os humanos se destacaram com sua sapiência
racional, pelo desenvolvimento da escrita e da ciência. A tecnologia e a
Inteligência Artificial (IA) revolucionaram o conhecimento, em um tempo em que ainda
existe a morte pela fome no planeta. Agora, depois do conhecimento, deveríamos
avançar para a humanização.
99 - CONSCIÊNCIA NEGRA
No banco
de madeira do fórum, Dandara olhava para as próprias mãos, calejadas e pretas.
Ao seu lado, a advogada Zuri consultava arquivos pelo notebook sobre a
consciência negra.
− Mais um
adiamento, Dandara. O juiz alegou excesso de serviço.
Dandara
soltou um riso amargo, sem tirar os olhos do chão.
− Excesso
de serviço ou descompromisso? Já perdi a conta de quantas vezes vim aqui desde
o ano passado.
− Não é
só com você − Zuri suspirou, abrindo uma pasta de relatórios.
− 2025 bateu recordes. Foram quase 8.700 novos processos de racismo e
injúria racial no Brasil. As pessoas estão denunciando mais, o silêncio está
acabando.
−
Denunciar é o de menos, doutora. O difícil é o "depois".
− Você
tem razão. O sistema está entupido. Temos hoje mais de 13.400 processos pendentes de julgamento. É uma fila que parece
não andar, uma morosidade que pune a vítima duas vezes.
Dandara
finalmente a encarou.
− E
quando anda, chega onde? Ouvi dizer que a maioria sai rindo pelo outro lado da
porta.
Zuri
hesitou, mas não mentiu.
− Os
dados de 2025 são duros: apenas 39,5%
das decisões resultaram em condenação. Quase dois terços dos casos
terminam em absolvição ou prescrição.
Dandara
levantou-se, ajeitando o cabelo.
− Se eu
perco o dia de trabalho vindo aqui, falta comida. Se meu patrão me xinga e eu
processo, ele paga um advogado caro e espera o tempo apagar o crime. Sabia que 72,9% de quem passa necessidade nesse
país tem a minha cor? A gente não tem tempo para a lentidão da justiça,
doutora. A fome não espera o juiz assinar o papel.
Zuri
guardou os papéis em silêncio. No corredor vazio, o eco dos passos de Dandara
era o único som que restava de uma estatística que insistia em não virar
justiça.
100 - COORDENAÇÃO
No
dia 22 de agosto, a sala da coordenação estava toda enfeitada e com a presença
de todos os docentes para parabenizar o dia da coordenadora. Nessa hora, entra
uma criança chorando e com o joelho ralado para ser atendida.
101 - COR
− O que é cor?
− É o reflexo da luz do ambiente no momento em que é captado pelo cérebro, podendo ser expresso no papel, em telas ou em teorias, para significar um sentido.
102 - CORAÇÃO
O coração, a cada instante, fala para o corpo todos os sentimentos de dores e alegrias na duração da vida, através da pulsação dos sentidos e das tramas percebidas no cotidiano, em razão da existência na convivência.
103 - CORPO
Meu corpo fala. Quando nasci, não lembro. Mas sei que morei em muitos lugares. Atravessei várias pontes para sobreviver, quando via tantos sem ter o que comer. Também sofri pela falta de oportunidade. Superei a vida pelos estudos.
104 - CRIANÇA
Uma
criança perdida entrou na igreja, numa missa de domingo, na hora da comunhão. Quando
viu aquela fila para a eucaristia, seguiu adiante para acompanhá-la. Nessa
hora, a mãe da criança entrou desesperada procurando-a. Uma freira que
ministrava o ritual, parou um instante a cerimônia e acolheu a criança e a mãe.
105 - CRUZ
Tu carregas no peito uma cruz desde pequeno. Olhas para as tuas mãos e percebes um vazio. Tu fechas os olhos, respiras o ar quente e, finalmente, decides lutar. Entendeste que tua cruz estava presente em cada sofrimento humano.
106 - CUSCUZ
Curtindo
a festa junina do Nordeste brasileiro em Caruaru, encontrei uma barraca com o letreiro: Cuscuz.
Por curiosidade, aproximei-me e vi um escrito explicativo que dizia: O cuscuz tem origem no Norte da África,
provavelmente antes do século X, e foi introduzido no Brasil pelos portugueses,
tornando-se base alimentar no período colonial. A palavra cuscuz reproduz o som
do vapor na cuscuzeira.
107 - DADO
O copo de
plástico foi chacoalhado. Três dados rolaram sobre a mesa desgastada. Um dado
caiu no chão. Um gato pulou, derrubou a mesa e correu com o dado na boca.
108 - DANÇA
Na noite de São João, na quadra da escola, a noiva da quadrilha era a grande atração com a sua dança, em plena alegria como um cisne a bailar. Porém, uma criança correu em sua direção e toda a plateia se levantou ansiosa. E a criança entrou na dança gritando: Mamãe!
109 - DEBATE
Comecei o debate dizendo: Acordei cedo. Fiz o café e arrumei a casa. Peguei o ônibus lotado, tomei chuva, vi no semáforo crianças famintas e pedintes, enquanto ia para o trabalho até findar o dia. Agora me diga a sua rotina.
110 - DEMOCRACIA
Em dia de
eleição, um menino perguntou ao pai:
− Pai, o
que é democracia?
− Vou
tentar explicar da melhor forma. Vejamos. Podemos dizer que decidir em família
para onde vamos passar as férias, escolher a pintura da casa, eleger um
representante de classe...
Antes que o
pai terminasse, o menino retrucou:
− Pai,
podemos decidir agora tomar um sorvete?
111 - DESENHO
Sempre observo as crianças, em qualquer lugar, quando estão fazendo algum desenho. Mesmo quando estou focado em outra coisa.
112 - DESERTO
No
tempo em que vivi no Seminário dos Capuchinhos, aprendi que deserto é uma forma
de isolamento, silêncio e oração intensa para meditar. Sentia muita dificuldade
nesse processo de contemplação, pois, ficava admirando os cantos dos pássaros,
o vento nas folhas, as formigas na areia... E, no final, era assim que
vivenciava Deus.
113 - DIA
O dia é luz de porta aberta em toda a natureza e em cada pessoa viva em convivência até o último suspiro.
114 - DIÁRIO
Depois da avaliação final, na escola onde trabalho, peguei o diário de classe para conversar com os pais que estavam apreensivos. Não encontrei o diário. A situação ficou confusa. Abri o notebook e acessei o resultado na planilha do diário virtual.
115 - DIDÁTICA
−
Didática é o que acontece na escola para gerenciar a aprendizagem e o
protagonismo dos discentes – falou o coordenador pedagógico.
−
É também a forma híbrida e inclusiva que envolve a tecnologia, a reflexão e a valorização
da saúde mental – abordou uma professora do atendimento especializado.
−
Esses são os caminhos da didática, e tem mais, – acrescentou a professora da educação
infantil − as avaliações personalizadas, a tolerância a erros, o cuidado com o
outro para o desenvolvimento humano, integram a didática.
116 - DINOSSAUROS
O avô contou para o neto que, quando era garoto, colecionava num álbum figuras de dinossauros. O neto quis ver os dinossauros. O avô levou-o para o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.
117 - DIREÇÃO
Chegando
em casa, depois da aula, o menino entrou apressado e faminto, dizendo:
−
Mãe, hoje eu estive na direção!
E
a mãe, lá do quintal, pergunta:
−
Na administração?
−
Na direção, mãe!
−
Mas, que condução?
−
Não é condução, mãe! É direção!
−
Então, qual o sentido disso?
−
Ah, mãe, também não entendi, não.
118 - DIVERSIDADE
Um ancião, com uma túnica com as cores do arco-íris, em seu aniversário, subiu num trio elétrico com frases de inclusão e respeito humano, começou a cantar para a diversidade.
119 - DIVÓRCIO
Um casal de namorados se beijava apaixonadamente. Anos depois, o divórcio.
120 - DOCE
Era
férias na casa da vovó. A criançada corria para lá e para cá. A avó gritou:
−
Quem quer doce?
A
correria foi maior em busca do doce.
121 - DOR
Era um domingo, quando parei no meio do caminho por causa de uma dor. Os amigos me acolheram por causa da minha dor. Fui ao hospital por causa da dor. Na emergência cirúrgica, fui operado para tirar uma pedra do rim causadora da dor.
122 - DORMIR
Era
tarde da noite de carnaval numa casa de praia, chovia muito, assistia a um filme de
terror e não conseguia dormir. Desliguei a TV. A chuva parou. O trio elétrico
passava. Não consegui dormir.
123 - DUENDE
No
Dia de Finados, na casa dos avós, o menino afirma:
−
Mãe, eu vi um duende.
−
O que é isso, menino?! Isso não existe. Está vendo coisa.
−
Existe, sim! Eu vi!
−
Viu onde?
−
Vi correndo lá no quintal.
A
avó pondera:
−
Esse menino viu foi o cabrito do vizinho que vive pulando a minha cerca.
124 - ECOLOGIA
No
Dia da Ecologia, celebrado em 5 de junho, uma jovem manifestante com
megafone na mão, bradava no meio da praça de sua cidade:
− Gente da nossa terra! Somos todos terra! Fogo! Água! E Ar! Somos
ecologia! Somos da mesma casa da vida! Precisamos cuidar melhor da natureza! Combater
o desmatamento e a poluição! Proteger, restaurar e promover a sustentabilidade
responsável!...
Nessa hora, algumas pessoas estavam jogando lixo no canteiro da
rua.
125 - EDUCAÇÃO
No começo do ano letivo, numa reunião da escola, uma mãe comentou
sobre a educação:
− Assevero que aprendi aqui, que a educação começa em casa com a família.
126 - ELEFANTE
No final da vida, na antiga savana africana, um elefante idoso com
seus 70 anos, com dificuldade de locomoção e até para se alimentar, caminhava
lentamente afastando-se da manada.
127 - ENCHENTE
Era maio de 2024. Chovia excessivamente no Rio Grande do Sul durante 22 dias. Acontecia a maior enchente, quando o lago Guaíba atingiu o maior nível, ao chegar a 5,37 metros. A enchente afetou 60% do território estadual, sendo a maior catástrofe climática da história do estado. O Governo Federal decretou estado de calamidade pública.
128 - ENSINO
O ensino veio na prática. Depois do almoço, Zé Valdo estava em
casa lendo as instruções de um celular, enquanto seu neto mostrava como mexer
no aparelho.
129 - ERVA-DOCE
Numa aula de ciências, a professora começou a falar sobre a erva-doce. Disse que passou a ser cultivada pelos egípcios (1550 a.C.), gregos e romanos, para usos medicinais, culinários e aromáticos. Em seguida, abriu uma garrafa térmica com o chá de erva-doce sem açúcar e ofereceu aos ouvintes. Somente os diabéticos aceitaram.
130 - ESCADA
Nos primeiros dez anos de vida, subi alguns degraus da escada. Com
o tempo, consegui chegar no topo da escada.
131 - ESCOLA
Maria estava de férias da escola e foi visitar a tia no interior. Chegando
lá, viu que a tia fazia do seu alpendre uma escola para as crianças
desprovidas.
131 - ESCRAVOS
Quando criança, aprendi na escola a cantar Escravos de Jó. Os escravos seriam, desde o Brasil Colônia, submetidos
aos senhores de engenho e da casa-grande, que resistiam e tentavam fugir em
busca da liberdade.
132 - ESCREVER
Nos primeiros anos de vida, aprendi a falar em casa. Na escola, a escrever. Fiz milhares de poemas e não parei mais de escrever...
133 - ESCRITOR
Ao publicar meu primeiro livro, meu neto de nove anos fez uma pergunta de mercado:
− Vô, ser escritor, dá dinheiro?
No instante em que pensei, respondi:
− Faça o que te torna feliz.
134 - ESCUTAR
Em um domingo, uma mulher negra, ao entrar no shopping, foi abordada sob suspeita por um segurança da loja e foi conduzida à gerência, que não quis nem escutar a mulher.
135 - ESPANADOR
Era dia de faxina na casa. O espanador estava esquecido debaixo da pia e ninguém sabia. A casa ficou empoeirada.
136 - ESPELHO
No meu aniversário, olhando para o espelho de dois metros de
altura, que fica no meu quarto, ouvi uma voz que dizia: Sobre o olhar vivo desse portal mediador reflete a tua autoimagem.
137 - ESPERANÇA
No inverno, numa comunidade de agricultores e apicultores, a
produção de mandioca era a sua subsistência, mas foi
atingida por um fungo que causou a podridão das raízes de toda a plantação. As
abelhas fizeram uma boa produção de mel. Foi a esperança da lavoura.
138 - ESPIRITUALIDADE
Numa
segunda-feira, cedo da manhã, Pedro andava apressado rumo ao trabalho, quando
viu na calçada um morador de rua pedindo uma ajuda. Pedro parou, pensou e deu sua
marmita para o desabrigado, que agradeceu:
−
Obrigado, moço, pela sua espiritualidade.
139 - ESTUDO
− Pegue seu livro, caderno, lápis, borracha e vamos estudar, disse o pai.
− Mas eu não quero estudar agora! Quero brincar! Retrucou o filho.Após uma discussão, o menino, chorando de raiva, estava à mesa com o pai que pensava qual futuro seria do filho.
140 - ESTADO
Era manhã, quando a Constituição de 1988 proclamou: a maior missão do Estado é proteger o
seu povo. A capital de cada estado passou a sentir um estado mais do que o
normal. Embora o estado físico da criminalidade tenha chegado à UTI em estado
grave, apontando 45% dos brasileiros pelo índice de violência em 2026.
141 - ESTRADA
Em um tempo bem distante, há 4.000 anos a.C., o Caminho do Rei, uma das rotas comerciais que ligava o Egito à Mesopotâmia, serviu de estrada para transportar as pedras para construir as pirâmides. Depois de muito tempo, já dizia o profeta Isaias (62,10), no século VIII a.C.: aplainem a estrada... Em Khalil Gibran, com O Profeta (1923), este já alertava que “Nós, os errantes, (estamos) sempre em busca de caminhos solitários...”. Agora, no Brasil contemporâneo, o Código de Trânsito Brasileiro rege como devemos caminhar na estrada.
142 - ESTRANGEIRO
José era observado pelo atendente de migração apenas pela cor da
sua pele e pelo passaporte. Não foi acolhido. Sua mochila foi revistada em busca
de alguma irregularidade que não existia. Seu trabalho noutro país foi negado
por ser estrangeiro afrodescendente.
143 - ESTRELAS
Numa
noite de lua cheia, Maria estava deitada no gramado com o namorado, fascinada,
admirando a luz das estrelas, vendo o passado, entre as nebulosas, viajando no
tempo.
144 - ESTUDANTE
Acordou
cedo e um pouco apressado, tomou banho, bebeu um café solúvel, arrumou a
mochila e colocou o notebook e alguns livros dentro, deixou um recado escrito
sobre a mesa, subiu na moto e acelerou. Parou numa blitz e um policial abordou perguntando a profissão:
−
Sou estudante.
145 - ESTUDAR
Sentei-me à mesa e liguei o notebook. Ao lado,
uma pilha de livros para consulta. Na cozinha, uma conversa sobre o que fazer
para almoçar. Na sala, as crianças estão assistindo TV. O cachorro da vizinha está latindo. O celular não parava de tocar. O que mais queria e tentava fazer era estudar.
146 - FAMÍLIA
"A família que reza unida, permanece unida". Essa era a frase que a gente repetia em casa todas as noites, após as orações do terço, às 18h. Com o tempo, aprendi que a família é uma diversidade, podendo ser constituída apenas com a presença de uma avó com seu neto; ou somente uma mãe com uma filha; ou um casal homoafetivo com um filho adotado... É por aí que vai a família.
147 - FARINHA
Olhei para um saco de farinha no supermercado e imaginei meu avô. Passou a vida inteira plantando mandioca. Colhia, botava de molho, descascava, triturava, prensava, peneirava, torrava e ensacava. Estava pronta a farinha. Quantos não sabem o que era a farinhada.
148 - FÉRIAS
Em uma manhã, bem cedo, nas férias de julho, em casa, eu e a minha esposa estávamos prontos para fazer uma viagem. De repente, aconteceu o que não prevíamos, começou a chover. Abri o porta-malas do carro e um raio iluminou o céu, seguido de um monstruoso trovão. O celular tocou. Com precaução do raio, entrei em casa e atendi à ligação. Era inverno, mas no Ceará, em julho, o clima é moderado. Além disso, a natureza tem sofrido com o aquecimento global. Ah! A ligação era meu filho desejando boa viagem de férias.
149 - FILOSOFIA
A filosofia da vida busca analisar a nossa feitura, a essência que temos, a causa que nos move e a finalidade que nos define.
150 - FRAÇÃO
Vou entrar em ¼ para rezar ⅓ e arranjar ½ para comprar 3/6 de
laranjas.
151 - GUARDA-CHUVA
Guarda-chuva que não guarda, que guarda
gente sem guardar, que faz sombra protegendo do sol, mesmo assim, faz
queimar, que junta casal, ideias e opiniões diferentes, que puxa e repuxa,
levando a molhar os pés e esquecermos esse guarda em qualquer lugar.
152 - HISTÓRIA
Na história do Brasil, antes da colonização, os povos originários eram os primeiros habitantes dessa terra gigante. Viviam como um povo num imenso jardim, entre cravos, rosas e girassóis, com jacaré, jiboia, zabelê...
Chegaram os jesuítas para catequizar os nativos e africanos escravizados, pregando a crença do juízo final, proclamando o evangelho, com a cruz e imagens de santos, ao toque do sino na igreja, combatendo as trevas com reza.
Vieram de um jeito dramático, com várias frotas nas águas frias do mar, e guiando trilhas entre pedras, formaram blocos de brigas e guerras. Daqui, levaram gente, frutos, prata, ouro, café, açúcar, joias... Diversos produtos. Fizeram um grande quintal, uma quadra do mundo quase perfeita, com sabor de quero mais. O clima tropical, pouca blusa, risos, futebol. Raramente há uma crítica nos jornais frente à situação. É justo?
Hoje, muitos estão no xadrez. O trabalho continua na rua e nas horas como um selo de cada manhã, do ser humano fraco como um vidro, como vulto, prudente, e ainda tantos sem nada no prato, e pelo suor da camisa que busca por um quilo de alimento, às vezes, nessa história toda, não tem nem uma xícara de chá.
153 - INVENÇÃO
Serei uma estrela lá no céu, como um
grão de areia que vejo aqui da Terra. Lá, estarei brilhando na imensidão,
igualzinho agora, como quem me lê nessa invenção.
154 - INSÔNIA
155 - JACARÉ
No rio Amazonas, na Ilha de Marajó, vi um jacaré que ficou paralisado, porque um pescador ofuscou com uma lanterna os olhos do animal à noite. Mas não durou nada para um ataque.
156 - KARAOKÊ
A família reuniu em casa os parentes para um karaokê no dia das mães. Na hora, faltou energia.
157 - LÁGRIMA
Contei para a minha mãe sobre a minha
separação. Ela escutou tudo, enquanto a lágrima escorria pelo rosto como um
caminho de uma vida.
158 - MACACOS
Numa
excursão de férias, uma família visitando a Amazônia, perguntou ao guia da
trilha:
−
Como está a situação contemporânea dos macacos?
−
Em poucas palavras, posso garantir que 60% das espécies de primatas estão em
risco de extinção por causa da perda do seu habitat, pela expansão agrícola,
exploração madeireira e da caça.
159 - NETO
Minha filha teve meu neto natimorto aos
seis meses de gestação. Após ser sepultado, cheguei em casa e encontrei uma
borboleta que insistia em flutuar perto de mim. Esse fenômeno aconteceu várias
vezes. Até hoje, quando vejo uma borboleta perto de mim, penso em meu neto.
160 - NOITE
Passei a noite vendo o tempo passar.
161 - NÚMERO
No hospital:
− Qual é o número?
162 - OLHOS
Os olhos de Elisa são diferentes da
tela de Da Vinci. Elisa era afrodescendente do Nordeste brasileiro. Sua
história conta as vidas de tantas outras com olhos tristes, mas resistentes.
163 - PAIXÃO
Tive uma grande paixão. O tempo passou.
Fiquei maduro.
164 - PAZ
No muro está escrito com sangue: Paz!
165 - POESIA
A poesia é um microconto de uma
história.
166 - POLÍTICA
A cidade de Esperança estava dividida pela política entre a classe
trabalhadora e a elite. A tensão política não era mais feita de debates, mas de
agressões e difamação pela mídia.
No auge da campanha, um estampido seco silenciou o palanque. A líder
carismática que prometia a reforma das terras tombou sobre a bandeira que
defendia. O assassinato foi meticuloso, executado nas sombras por aqueles que
temiam perder o privilégio.
O funeral parou a cidade com luto e silêncio. Uma multidão acompanhou o
caixão de madeira simples até o cemitério da periferia. Sob uma chuva
persistente, o corpo foi baixado. A direita celebrou em jantares de gala,
acreditando que, enterrando a líder, a ideia morreria por asfixia. A terra foi
jogada, as flores murcharam e o portão de ferro foi trancado.
Três dias depois, o vigia do cemitério correu para a cidade com os
olhos saltados. A lápide estava rachada.
Um som de passos firmes sobre o cascalho, no centro da praça, onde o
sangue ainda manchava o asfalto, ela surgiu, vestida com o mesmo vestido
surrado, com o furo da bala ainda visível no peito.
O pânico tomou conta do Congresso e do Senado. A líder ecoava sua voz no
meio do povo como semente renascida da terra.
167 - POMBO
O pombo voou até a janela, acenou, abriu as asas e partiu.
168 - PRESO
Um juiz absolveu um político do Brasil, pois seria preso pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado. Noutro momento, um lavrador foi preso por raspar casca de árvore em uma área de preservação. Ele usava a casca de árvore para fazer chá para sua mulher, que estava doente.
169 - QUADRA
Em período de inverno, a quadra da
escola estava alagada e os alunos improvisaram um futsal aquático. Um chute na
bola embarcou direto para o quintal do vizinho que tinha um casal de pit bull
170 - QUADRO
Um
historiador da arte do Museu do Ipiranga, em São Paulo, explicava aos visitantes
as curiosidades do quadro "Independência ou Morte", também conhecido como "O Grito do
Ipiranga", retratando o 7 de setembro de 1822.
− Este quadro, Pedro Américo pintou em Florença,
na Itália, em 1888, 66 anos depois do fato ocorrido. Assemelha-se ao quadro de
Napoleão Bonaparte. Mostra D. Pedro I, que na realidade, não vestia trajes
oficiais em viagens. Viajava em burros ou mulas, animais mais resistentes para o
terreno lamacento e íngreme da época, e não em cavalos. Observem. No canto esquerdo da tela, mostra um
camponês com um carro de boi simbolizando o povo brasileiro, que assistia
passivo e confuso à situação. A casa que está pintada no lado direito poderia ser uma estalagem ou cocheira da época. Ademais, há quem diga que
D. Pedro queixou-se de cólicas intestinais nessa hora...
171 - RACISMO
Uma mulher foi barrada ao entrar no
shopping.
− Não pode passar por aqui, senhora!
− Por quê?
− Prestadores de serviços de limpeza não
devem passar pela loja.
− Mas...
− Não tem mais! Você, com esse “cabelo
duro”, está “escurecendo a loja”.
− Isso é racismo!
− Como é? Está me acusando? Agora está
sendo violenta. Volte para a sua região de origem?
− Saiba que vou denunciar por me tratar
com racismo.
− Será mais uma denúncia de pessoas como
você. Acha que vai dar em alguma coisa?
172 - SERRA
A sombra escura da serra vista de longe lembrou-me os anos da Criação.
173 - SÍLABAS
Quando penso numa pesquisa que fiz sobre sílabas com palavras apropriadas do português do Brasil, lembro do olhar que tive, como uma pedra bruta do planeta que passou a brilhar de alegria na cultura e na gramática, entre siglas, prefixos e sufixos. Cravei com prego na parede de uma gruta, um cartaz com o trabalho feito, crendo que havia criado um macroestudo. Cruel foi a decepção ao constatar o problema de um triste índice de analfabetismo funcional e político.
Um pedreiro bem instruído viu o meu trabalho, ergueu os olhos, contemplou e leu algumas frases de uma quadrinha com o tema relacionado à padroeira. Os versos falavam da promessa de um influente atleta joelhudo, magro e afrodescendente que parou de correr por causa de um acidente com seu irmão. Imaginei o seu sofrimento em busca de um milagre urgente. O texto narrava sobre um esportista prudente que caminhava livre pela praça, exposto ao sol, porém, com o tempo nublado, percorria na companhia de um cachorro e com uma flor dos sonhos da inclusão na mão.
Curiosamente, percebi que tinha muito o que aprender nas entrelinhas complexas das sílabas poéticas. Frente a essa situação, transcrevi, nas madrugadas da vida, a minha sublime inspiração para um livro. Outros frutos recolhi e classifiquei de um blog que já tinha feito. Alguns vocábulos contribuíram para explicar o meu conhecimento e me guiam até hoje.
De repente, o clima mudou e uma chuva começou a encher as ruas com águas barrentas. Peguei a bicicleta que uma mulher me emprestara, coloquei meu chapéu, ajeitei meu chinelo, guardei a flauta e segui o ciclo sem aflição, refletindo as coisas do globo terrestre, sem nenhum preconceito, respeitando o pluralismo de cada sílaba.
174 - SONHO
Tive um sonho. Sonhei com ex-alunos já
formados, casados e bem-sucedidos. Eu ainda não estava aposentado.
175 - TECNOLOGIA
A tecnologia começou a fazer carro blindado, a ponto de configurar a barbaridade da humanidade insegura e brutal.
176 - ÚLTIMO
No leito de morte, no último suspiro, a ancestral disse que via uma dimensão dinâmica e imensurável.
177 - VASO
Quando eu era menino e morava em Olinda, minha avó usava um vaso para urinar. Depois que mudamos para Fortaleza, vovó adoeceu e foi internada num hospital. Foi aí que aprendi a chamar o vaso de comadre.
178 - VELÓRIO
Quando terminar o culto, se não estiver chovendo e o tempo ficar limpo, posso te pegar, mas não sei se vai dar para ir ao velório da prima que será em Caucaia.
179 - WHATSAPP
Na hora do almoço, a mãe chamava o filho
adolescente várias vezes. Depois de algum tempo, encontrou-o no quarto enviando
mensagens pelo WhatsApp.
180 - XADREZ
O menino chegou em casa e disse para a mãe:
− Ô, mãe! O professor falou lá na escola
que vamos fazer parte da equipe do xadrez.
− Que é isso, menino? Vocês vão ser presos?!
− Não, mãe. Xadrez aqui é um jogo de
tabuleiro para duas pessoas.
181 - YAKISOBA
Chegando em casa, a avó perguntou para a
neta:
− O que tem para comer?
− Yakisoba, vó.
− Só tem uma sobra? – Indagou a avó, sem
entender.
− Não, vó. É macarrão.
− Ah! Vou querer a sobra mesmo.
182 - ZANGÃO
No primeiro dia de aula de ciências, a
professora perguntou o que é um zagão.
− É um menino zangado, professora –
falou uma aluna.
− É um bicho brabo. Um monstro que faz
zumbido na gente − retrucou outra aluna.
Nessa hora, um aluno abriu o livro e leu
a resposta.
− Professora, zangão é a abelha macho,
responsável pela fecundação da abelha rainha.
F: Faca Facebook FADA Falar Família Fé Felicidade Festa Ficha Figura Filosofia Física Flauta Flor Floresta Foca Fogo Folclore Fome Forma Formiga FRATERNIDADE Frio FUTEBOL
G: Gato, Galinha, Garrafa, Garfo, Gato, Geladeira, Geografia, Girafa, GIRASSOL, Gostar, Gota, Grafite, Gramática, Grupo, Guarda, Guarda-chuva, Guerra (o absurdo que desumaniza)
H: HABILIDADE HARMONIA Helicóptero HIPOPÓTAMO Horário Horta Hospital HUMANO
I: IDEIA IDOSO Inclusão Interpretar, Investigar, Imagem, Idade, Ilustração Igreja Incêndio INDÍGENA Inovação INDÚSTRIA Irmão Ilha Inseto Infância Instagram
J: Janela, Jangada, Jardim, Jogo, Jornal, Judô, Juntar, Justificar
K: Karma Kiwi
L: Laboratório, Lápis, Laranja, Leão, LEI, Leite, LEITURA, LETRA, LIBERDADE, LIMÃO, LINGUAGEM, LISTA, Livro, LIXO, Lua, LUCRO, Luta, Luto, Luz.
M: MÃE Mal MALA MAL-EDUCADO Mandacaru MANGA MAR Matemática MATERIAL MÉDICO MEDO MEIA MEIOAMBIENTE MELANCIA MENSAGEM MENTIRA MERENDA Mesa MISTÉRIO Modelo Morte MOTORISTA MOVIMENTO Multimídia MUNDO Museu MÚSICA
N: Namoro, NÃO, NARRATIVA NATAL, NATIVO, NATUREZA, Navio, NEVE, NINHO, NÍVEL, NOITE, Nome, Nordestino, Notícia, NOVO, Nuvem.
O: Oásis, OBJETO, OBSERVAR, OCEANO, Óculos, OFICINA, ONÇA, ÔNIBUS, ORAÇÃO, Orelha, OSSO, Ouvir, Ovelha, Ovo.
P: PAI, PALAVRA, PANELA, PÃO, PAPEL, PASSATEMPO, PATO, PAU-BRASIL, Paz, PÉ, PEDRAS, PÉ-DE-MOLEQUE, PEIXE, PENSAR, PENTE, PERDÃO, PERIGO, PESSOA, PETRÓLEO. PIANO, PICOLÉ,
PIPA, PINTAR, PIPOCA, PLANTA, PLANETA, POBREZA, POESIA, POETA, PONTE, PORTA, PORTUGUÊS,
PRAIA, PRATO, POTE, POVO, PRAÇA, PRODUÇÃO, PROFESSOR/A.
Q: Qualidade Quarto QUEBRA-CABEÇA Queijo Quente Quilo Química Quintal
R: RÁDIO, RATO, Razão, RECREIO, Rede, REGRA, Relógio, RESOLVER, RESPEITO, RETRATO, REZA, RIACHO, Rima, RIO, Roda, Rosa, Rosto, RUA.
S: SABER, SAGRADO, SAL, SANGUE, SAPATO, SAPO, SAÚDE, SECA, SECRETARIA, SEGREDO, SEMÁFORO, SEMENTE, SENTIMENTO, SENTIR, SEQUÊNCIA, SERRA, SERTÃO, SEXTA-FEIRA, SILÊNCIO, SIM, SINO, SÓ, SOCIAL, SOFÁ, SOL, SOM, SORRISO, SUCO.
T: TABUADA, TAPETE, TARTARUGA, TATU, TELEFONE, TELEVISÃO, TEMPO, Terra, TESSOURA, Texto, TIJOLO, TINTA, Tigre, TOMATE, TRABALHO, Transporte, TRAVA-LÍNGUA, TREM, Tristeza, Tupi.
U: UMBIGO, UNHA, Unidade, UNIFORME, UNIR, UNIVERSO, Urso, URUBU, Utensílio, Utopia, Uva
V: VACA, VALOR, VELA, VELHO, VENTO, VERBO, VERDADE, VESTIDO, VIAGEM, VIDA, VINHO, VIOLÃO, VISUAL, VIVÊNCIA, VOLUME, VOTO, VOVÓ, VOZ.
W: Whisky Wi-Fi
X: XAMPU, XAROPE, XERETA, Xerife, XEROX, XÍCARA, XILOGRAVURA
Y: Yoga, YouTube
Z: Zebra, Zíper, ZOOLÓGICO, ZOMBAR, Zona.
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