" ESCREVER É PRECISO "

quinta-feira, 3 de julho de 2025

MICROCONTOS DIDÁTICOS

MINI E MICROCONTOS DIDÁTICOS

Jonas Serafim




1 - ABACATE

Aprendi com a minha avó que o chá de abacate serve para problemas urinários. Depois, com a minha mãe, vi que essa fruta é muito útil na arte culinária. Escrevendo poemas, pesquisei nos versos das canções e descobri o significado afrodisíaco da abacateidade.


2 - ABAIXO-ASSINADO

 

Era janeiro de 2026, em Florianópolis. O cachorro Orelha passeava no final da tarde pelo calçadão da praia, quando alguns adolescentes o agrediram violentamente. Um abaixo-assinado em plataforma digital foi criado pedindo punição pela morte do Orelha.

 

3 - ABELHA 

Uma sertaneja do nordeste brasileiro resolveu ser apicultora. Em contrapartida, nesse lugar, um grupo de empresários do agronegócio negociou um desmatamento em favor de uma imobiliária. As abelhas intoxicadas faleceram. O tempo passou e, sem a polinização, a sertaneja também faleceu.

 

4 - ACEROLA

Acerola. Plantei, cultivei e colhi para beber o suco.


5 - ACESSIBILIDADE

Um cadeirante, um cego e uma gestante não conseguiram atravessar a rua por falta de acessibilidade.

 

6 - ADVOGADA

Uma mulher entrou num shopping e foi barrada porque era negra. Ela questionou e exigiu os seus direitos. Mesmo assim, foi constrangida. O caso foi parar na delegacia onde essa mulher trabalhava como advogada. 


7 - ÁGUA

A água disse para a terra que se sentia acolhida em seu leito. Também era satisfeita nas raízes das plantas, nas nuvens, no copo dos sedentos… Mas, suas lágrimas eram de poluição.


 8 - AFETO

Um menino de nove anos que cursava o 4° ano do Ensino Fundamental era sempre chamado à atenção na coordenação, porque brigava constantemente com os colegas da escola, e a família era solicitada para advertência. Uma professora chegou à escola e adotou esse aluno com afeto. Um ano depois, com o acolhimento afetuoso, o aluno rebelde passou de ano e não foi mais chamado à atenção.


9 - AFRO-BRASILEIRA

Um professor resolveu fazer uma pesquisa com os alunos sobre a história e cultura afro-brasileira e indígena, conforme a Lei nº 11.645 de 2008. No dia seguinte, alguns pais apareceram à escola para tomar satisfação sobre essa pesquisa e criaram uma confusão. De repente, os alunos apareceram com cartazes em favor da pesquisa que o professor pediu.

 

10 - ÁLBUM

Numa noite tranquila, enquanto olhava um álbum, sentado no chão do meu quarto ao lado da minha esposa, encontrei uma foto de uma ex-namorada. Minha esposa perguntou quem era. Fiquei em suspense. 


11 - ALEGRIA

Conheci uma jovem copeira em um hospital que vivia alegre e sorridente. Então, todas às vezes que a via, eu dizia: bom dia, alegria! 


12 - ALFABETIZAÇÃO 

A neta dizia para a sua vó:

− Vó, meu filho disse que a professora falou que a alfabetização começa no berço.

− Mas não é na escola e na idade certa que se aprende a ler?  Questionou a vó.

− É isso mesmo, vó. Mas, ouvi também que brincar, desenhar e até a tecnologia ajudam a alfabetizar. E ainda precisamos compreender os erros como parte da alfabetização. 


13 - ALFACE

A mãe insistia com o filho para comer verduras. Um dia, falou que se comesse alface, ficaria bonito e inteligente. O menino cresceu comendo alface. 


14 - ALGODÃO

Em um dia desses, quando meu avô vinha do sertão  nos visitar, de calça comprida marrom e camisa longa de algodão, contava suas histórias. 
– É meu neto, já ouvi chamar o algodão de "ouro branco" por causa dessa industrialização. Mas o bicho bicudo veio furar e mofar  a nossa sorte. E chuva, quando vem? 


15 – ALFABETO

No primeiro dia de aula, a professora escreveu no quadro a palavra alfabeto. Joãozinho perguntou:
− Professora? Essa palavra é para a gente escrever todas as coisas do mundo? 
− Não, Joãozinho. Tem coisas que não se escrevem. A gente precisa sentir com o coração e abraçar com amor.


16 - ALTO-FALANTE

− Sabe o que aconteceu na Arena Castelão no domingo passado na hora do jogo, Gabriel?

− Não! O que foi?

− Um torcedor da Geração Z (nativos digitais) conectou o celular ao alto-falante via Bluetooth e usou a Inteligência Artificial (IA) para ouvir um hip hop. No momento em que explodiu o som, a multidão partiu para dentro do gramado, motivada a dançar. Os policiais partiram para cima.

 

17 - ALUNO

O aluno foi conduzido à coordenação. A coordenadora falou:
 Conte a sua história…

 

18 - AMAZÔNIA

Endyra era uma nordestina de 15 anos que decidiu viver na Amazônia. Ela estava diante de uma fogueira e um xamã se aproximou num ritmo de mantra e convidou-a para a sua aldeia. Endyra conheceu Raoni e Araci e resolveram fazer um acampamento distante da tribo. Sob uma montanha, no fundo de uma grande caverna, se encontravam os três aventureiros em busca do inesperado. Endyra contemplava a Amazônia. Um dia, um cacique de uma tribo agrupou todos que viviam na taba para tratar dos problemas existentes na Amazônia por ser invadida, saqueada e queimada. Uma luta foi travada entre os nativos e os invasores. Após muita peleja, os invasores caíram numa emboscada e foram presos dentro de um antigo castelo. Apesar disso, conseguiram fugir. Mas a Amazônia ainda sofre com os ataques de desmatamento, queimadas, garimpo... Enquanto isso, Raoni olhou nos olhos de Endyra e revelou um desejo. Endyra, surpresa e encantada, parecia retribuir o seu olhar na manhã aprazível. Os dois se entreolharam e se beijaram enquanto a natureza abençoava, contemplando o amor.


19 - AMIZADE

Minha mãe me colocou de castigo, olhando para a parede. Horas depois, ela sentou ao meu lado no chão e dividiu uma maçã em silêncio. Ali, entre o erro e o perdão, descobri a primeira amizade.


20 - AMOR 

– Oi, amor! Seremos felizes para sempre, até que a morte nos separe.  
Depois dessa liturgia e três casamentos nas costas, aprendi que precisa mudar o ritual. Pois, nada é para sempre.

 

21 - ANEL

Dois rapazes avistaram uma moça numa festa e logo se interessaram em cortejá-la, quando perceberam o anel em seu dedo anelar.


22 - APAGADOR 

Um adolescente disse para o seu avô que parou para pensar sobre a palavra "apagador". E, como tal, concluiu que poderia compreender como um objeto que apaga o quadro da sala de aula, ou um interruptor que apaga a lâmpada. Além disso, pode-se entender poeticamente algo que apaga a dor de alguém.


23 - APOSTILA

Durante a maior parte dos meus estudos, aprendi e guardei tudo em apostila. Agora, guardo exames médicos.


24 - APRENDER

Estava lendo novas ideias para aprender a ensinar melhor. A porta abriu e um garoto autista entrou de imediato em minha direção e me abraçou. No silêncio, vi que aprender é saber acolher.


25 - APRENDIZAGEM

Aos dez meses, aprendeu a andar e a falar algumas letras. Depois dos sete anos de idade, já tinha boa leitura. Após os doze anos, ajudava em casa, fazia chaveiros e poesias. Daí para frente,  muito trabalho.

 

26 - ARANHA

A professora pediu uma pesquisa sobre aranha. Mariana escreveu numa cartolina e começou a ler: Existem mais de 50 mil espécies de aranhas. Elas comem as próprias teias para recuperar parte da proteína. Algumas são capazes de andar sobre líquidos, nadar e até respirar debaixo d’água. A viúva negra, a aranha-marrom, as armadeiras e a aranha-teia-de-funil são consideradas as aranhas mais venenosas e letais. Ao terminar de ler, a turma percebeu uma grande aranha no canto da parede. A correria foi grande.


27 - ARQUIVO 

Tentando achar os documentos no arquivo, fui dormir muito tarde. Pela manhã, fiz outra busca e, em vão, folheei tudo, fazendo um pente-fino. Uma semana depois, abri o mesmo arquivo e, para minha surpresa, nas últimas páginas, encontrei os documentos.

 

28 - ARTE

No dia mundial da arte, comemorado em 15 de abril, em homenagem ao nascimento de Leonardo da Vinci, um grupo de alunas apresentou no desfile de carnaval os seus desenhos pintados com giz de cera, expondo a subjetividade da cultura popular na visão feminista, questionando os valores entre o consumismo e o minimalismo, em favor da sustentabilidade. No momento, uma cinegrafista filmou tudo e compartilhou em tempo real nas mídias digitais. Alguns rapazes não gostaram do que viram e queriam rasgar os cartazes. Os organizadores do bloco carnavalesco tomaram a frente para conter a multidão. Enquanto isso, as imagens circulavam pela TV mostrando a situação real das pessoas como uma alegoria do contexto social. 

 

29 - ÁRVORE

A árvore da vida no meio do jardim do conhecimento do bem e do mal, escrito no Gênesis, lembrou-me do pé de cajarana que ficava em frente da escola onde eu estudava com meus irmãos, e era também perto da nossa casa. Mas, essa ideia foi cortada por uma serra elétrica.

 

30 - ASAS

Ícaro descobriu que existem basicamente três tipos de asas: asas de aves, de insetos e de aeronaves, com uma simbologia sobre a liberdade com espiritualidade. Considerando o limite do peso e da energia utilizada, Ícaro tentou voar com asas coladas. 

 

31 - ATIVIDADE

Era final da aula. O professor passou uma atividade e a turma estava muito agitada. Deu um passo à frente e fixou seu olhar rigoroso sobre cada um. O silêncio era fatal. O sinal tocou para a saída e todos ficaram tensos. 


32 - AULA

Primeiro dia de aula do 6° ano, sala quente com mais de trinta alunos e muita conversa. Meninos e meninas misturavam-se entre os corredores das cadeiras, trocando figuras. A cena ainda continuava à noite na mente do docente sobre o travesseiro. 

 

34 - AVIÃO

 Professora, é verdade que Santos Dumont, o “Pai da Aviação”, tirou a própria vida?  Perguntou à aluna.  

 Sim. De acordo com as testemunhas, Dumont, deprimido e com desgosto pelo uso de aviões em guerras, foi encontrado morto em seu quarto no hotel onde estava hospedado, enforcado com uma gravata, aos 59 anos, em 1932.

− Por que a pergunta? − Perguntou a professora curiosa. 

− É porque meu pai é aviador.


35 - AVISO

No alto da parede, o funcionário ignorava o aviso sobre as regras de boa convivência. Ele queria sempre se dar bem, mesmo em prejuízo dos demais. Quando precisou de ajuda, percebeu que estava sozinho.


36 - AVÓS 

Era ano novo na casa dos avós. Eles nem dormiram direito. Mas amanheceram ativos. Fizeram o café e continuaram a rotina. Os netos e netas e toda a família acordavam aos poucos pelos passos dos saberes ancestrais e pelo cheiro do café. Assim, cada um ia aparecendo à mesa. Mesmo com os celulares na mão, a descendência encontrava na casa de origem dos avós o aconchego e o cuidado do bem-estar, como se dissesse: como estamos e para onde estamos indo.


37 - BANANA

Um nativo explicou a um turista, quando viu diversas bananas no mercado das Filipinas.

 Desde a antiguidade, a banana foi comparada com dedo e dente, sendo um nutriente que simboliza sorte, prosperidade, abundância, fragilidade, até gesto de desprezo. Ela não é uma árvore, mas sim uma erva gigante.

O turista, sem entender direito,  logo pediu as bananas da abundância.

 

38 - BANDEIRA

 Fale de Bandeira, Maria.

 Bandeira de Pasárgada, pernambucano sem lirismo comedido, e da poesia O Bicho, meu Deus, era um homem.

 

39 - BANQUETE

Sob um viaduto, um banquete. O cheiro do café subia pelo ar da manhã fria de Natal. Enquanto alguns líderes populares dividiam o pão entre os moradores de rua.

 

40 - BARCOS 

Era um garoto e nadava na praia do Mucuripe até chegar aos barcos que ficavam na praia. Sentia medo e poder. Sempre ia para nadar e pegar alguns peixes pequenos para comer. Numa dessas idas, um pescador deixou que eu pegasse um peixe maior. Cheguei em casa com os peixes na mão e vi o sorriso da minha mãe e dos meus irmãos.


41 - BEBÊ

Na recepção de um hospital havia uma confusão. Uma suposta grávida queria parir um bebê reborn. 

 

42 - BEIJO

Na primeira vez de um beijo, assistia a um filme, tremi de desejo. Na segunda, o beijo selou nossas bocas na chuva. Dez anos depois, entrei no cinema e, na primeira cena, o sabor do beijo voltou tão forte que gritei. 


43 - BELEZA

Numa manhã ensolarada, à beira-mar, encontrei a beleza da natureza. Nessa hora, passava uma moça com megafone bradando frases contra o lixo na praia. De repente, um tumulto. A beleza estava no grito. 


44 - BEM

 O bem sempre prevalece  disse o aluno.

 Falou muito bem  apoiou uma colega.

 Que alcancemos esse bem-estar  concluiu o professor.

 

45 - BIBLIOTECA

Durante a adolescência, juntou uns trocados e comprou umas histórias em quadrinhos (HQ). Algumas décadas depois, já tinha centenas de livros. A vida lhe exigiu muito trabalho. No pequeno quarto, uma biblioteca.

 

46 - BICICLETA

Era hora do recreio da escola. O menino disse para a sua amiga que a imaginava pedalando bicicleta. A menina ficou olhando para o céu. Após alguns instantes, disse que imaginava viajar de avião. 

 

47 - BIOLOGIA

No início do ano letivo, a professora de biologia abriu um livro e leu na reunião de pais, dizendo que a biologia contemporânea já começou a curar doenças genéticas hereditárias, a desenvolver culturas agrícolas mais resistentes e que a densidade de armazenamento do DNA é tão alta que, teoricamente, todos os dados do mundo poderiam ser armazenados em um volume do tamanho de uma caixa de sapatos. Os familiares escutaram atentamente e começaram a questionar. De repente, um gato apareceu saltitando entre as cadeiras e foi aquele alvoroço.  Uma senhora se assustou e gritou: Valha! Esse gato saiu da caixa de sapato?!


48 - BISCOITO

Um menino chegou à escola às sete da manhã e foi logo perguntando:

 O que é a merenda hoje, tia?
 Biscoito  Respondeu a merendeira.

49 - BLOG

Jonas estava ansioso para saber mais sobre os seguidores do seu blog. Vez por outra, olhava para a tela do celular. Quando percebeu a importância de quem estava lhe olhando ao seu lado, refletiu. Relaxou e puxou uma conversa amigável.

50 - BOCA

A primeira vez que meu irmão foi ao dentista, ainda adolescente, sentou na cadeira do consultório morrendo de medo. Quando o dentista disse para abrir a boca, o mano saiu correndo sem direção.

 

51 - BOLA

Assistia a uma partida de futsal de cegos numa escola. Pelos chutes na bola, se ouvia o tilintar dos guizos. A torcida toda em silêncio. Enquanto isso, os alunos corriam e se batiam pelos corredores, causando alguns acidentes. De repente, um gol. A vibração foi geral. 

 

52 - BOLETIM

Seu nome? − Perguntou o escrivão, tentando preencher o boletim. 

A mulher, cabisbaixa e chorando, respondeu:

− Meu nome é Maria. Vim fazer um boletim contra a agressão do ex-marido. 

Enquanto isso, ela lia no flanelógrafo: ...na estatística da violência doméstica, até quando essa misoginia?


53 - BOLO

O cheiro de bolo tomava conta do meu nariz. Eu ficava circulando a cozinha na espreita do bolo. Pronto! Na mesa estava exposta a delícia de chocolate. Nessa ocasião, minha irmã pegou a forma com tudo e levou para a família que havia encomendado.


54 - BOM DIA

Abri o portão e, como sempre, avistei o padeiro na bicicleta.

− Bom dia! Vai querer pão hoje? Está bem quentinho.

− Bom dia! Sim! Vou querer dois pães.

Foi na hora em que um carro passou sobre uma poça, espalhando lama onde não devia.  


55 - BONECA

Fizeram filmes com bonecas que matam gente. Talvez Pinóquio fizesse gente que amasse.

 

56 - BORBOLETA 

Preso e torturado, como Papillon, buscava pela liberdade, como borboleta.

 

57 - BOTÃO

Encontrei um botão no caminho da escola. Usei um cordão e fiz um corrupio. Do outro lado da rua, vi um menino brincando com o celular. Entreguei  o achado para ele. A camisa do menino faltava um botão.


58 - BRASIL

Os colonos avançaram, devastando a floresta do Brasil. Os nativos reagiram. Os colonos se tornaram império e depois república. Agora, um entregador de aplicativo sobrevive pela avenida. 



59 - BRINCADEIRA

Meu irmão mais novo estava numa brincadeira pelo celular, quando mãe chamou: 
 Jônatas, vem almoçar!
 Espera um pouco. Depois que eu morrer, vou comer.

 

60 - BRINQUEDOS

Joguei o cordão e girei o pião. Meu avô olhava e recordava os brinquedos de sua infância. Peguei a caixa com outros brinquedos. Dessa vez, minha irmã correu atrás da sua boneca.


61 - BULLYING

Era um dia diferente na escola porque tinha interclasse. Mas o Gabriel estava no canto da quadra, encostado na grade fria. De fato, ele não foi escalado. Era um a menos. Gabriel, encolhendo-se contra o bullying, viu a partida começar. Para ele, o jogo nunca começava. Era um reserva de uma vida que os outros decidiram que ele não podia jogar.


62 - CABELO

Um dia desses, Zeca entrou no salão que sempre frequenta para cortar o cabelo. Era a vez dele. Provocou uma conversa para poder comentar depois.

− É verdade que esta profissão de cortar cabelo começou no Egito e na Grécia?

− Não sei ao certo. Mas o importante é você estar aqui para cortar o cabelo comigo.

Nessa hora, chegou o prefeito da cidade e foi logo sentando no lugar do Zeca.

 

63 - CACHORRO

Tínhamos uma cachorra chamada Piaba. Um dia, começou a correr em torno da casa como louca, querendo morder todo o mundo. O sacrifício foi inevitável.


64 - CACHORRO-QUENTE 

Às vésperas dos 300 anos da cidade de Fortaleza, o prefeito resolveu distribuir cachorro-quente para os transeuntes na praça do Ferreira. Um nutricionista recusou comer, alegando ser uma “bomba” cancerígena de aditivos químicos e gorduras. Enquanto isso, um grupo de moradores de rua devorava os cachorros-quentes.


65 - CAÇA-PALAVRAS

Na hora do recreio das aulas, alguns discentes foram para a biblioteca atrás de caça-palavras. Começaram uma dinâmica para ver quem caçava mais palavras. O recreio acabou e não deu tempo de fazer a contagem. No final do ano, foram premiados por lerem todos os caça-palavras, além de dezenas de livros.

 

66 - CADEIRA

A primeira vez que sentei numa cadeira, não me lembro. Mas não esqueço o tempo das aulas. Imagine!

 

67 - CADERNO


Andava satisfeito com um caderno pequeno que levava dentro de uma sacola plástica.
Chegando à escola, viu que não tinha lápis. A professora cedeu um para o menino.
Na hora de escrever, errou a tarefa e não tinha borracha.

 

68 - CAFÉ

Em um encontro de formação aberto ao público, antes de um intervalo, a formadora perguntou:

− Qual é a bebida mais apreciada pelos brasileiros?
 Cachaça!  Respondeu um participante.
− Não! É o café!


69 - CAIXÃO

Existia uma idosa que vivia no Sertão Maranhense que decidiu comprar o próprio caixão para o seu funeral. O tempo passou e os cupins comeram o caixão.

 

70 - CAJU


Peguei a castanha de caju e usei um prego para retirar o óleo e tatuei no braço o meu nome.
As letras viraram feridas.
O tempo passou, mas ficaram as cicatrizes.


71 - CALENDÁRIO

No calendário da vida, em janeiro, eu nasci. Em fevereiro, ainda estava sendo cuidado pela minha mãe. Em março, estudava o fundamental. Na manhã de abril, já maduro, trabalhava para o meu sustento. Em maio, aprofundava-se nos estudos. Em junho, lutava pelas causas sociais. Em julho, passei pelo meio século de vida. Continuei em agosto na peleja para sustentar a família. Na primavera de setembro, vi a passagem do milênio. Em outubro, brincava com os meus netos e passei por uma pandemia. Em novembro, publicava minhas poesias. Em dezembro, vislumbrava a utopia.


72 - CAMA

A cama parecia vazia. Assim como estava vazio o sentimento do casal. A filha caçula dormia há meses com a mãe na cama. O marido dormia no divã.


73 - CAMINHO

No começo do caminho, andei com os meus pais. Depois, passei a andar com os meus filhos. Em seguida, avancei acompanhando os meus netos e plantando árvores pelo caminho.


74 - CANETA

Era o começo do expediente numa escola.

− Esqueci a caneta. Pode emprestar a sua, professor?

− Ah, sim! Claro!

O dia passou e a caneta emprestada não voltou. 

 

75 - CANTAR

Ouvi minha mãe cantar música de ninar. Depois, aprendi na escola hinos e canções. Na igreja, comecei a cantar músicas sacras e até cantos das exéquias.


76 - CARNAVAL 

No carnaval de Recife, o Galo da Madrugada desfilava na avenida. Mas um vírus derrubou o galo. Mesmo assim, os recifenses improvisaram um galo com as cores da capital e fizeram a folia no ritmo do frevo.


77 - CARRO

Andei, pedalei, pilotei moto e, depois dos 60 anos, consegui comprar meu primeiro carro. O médico pediu para eu começar a andar e a pedalar.


78 - CARPINTEIRO

A criança acabara de nascer em Belém de Judá e, de imediato, a família refugiou-se no Egito. Após crescer, passou a viver em Nazaré da Galileia como carpinteiro, ensinando o amor ao próximo. O poder do ódio foi implacável. Em pouco tempo, foi sacrificado numa cruz de madeira.


79 - CARTA

Assisti ao filme “Cartas para Deus” e passei para as turmas que leciono. Como atividade, pedi que cada um fizesse uma carta para Deus. No final, percebi várias histórias e depoimentos reveladores. Enquanto lia uma das cartas, uma lágrima escorria pelo rosto.

 

80 - CASA 

Meu pai conseguiu a única casa própria em vida para a família aos 50 anos. Eu consegui a primeira das três casas aos 30 anos. Meu irmão caçula comprou sua casa própria na Itália, antes dos 40, possui um veículo e vive como enfermeiro.

 

81 - CAVALO

Dois garotos conversavam no quintal de casa:
 Qual animal você gostaria de ser?
 Um cavalo. 
 Por que cavalo?
 Porque é muito forte.
 Pois eu seria uma águia para voar alto e em liberdade.


82 - CAVERNA

Em uma conversa na sala de aula, disse o professor:

− Platão ensinou com o mito da caverna que os seres humanos confundem o mundo das aparências  as fake news com a verdadeira realidade  ficando presos pelas percepções do senso comum. É preciso sair da caverna da ignorância pelo conhecimento que provoca reflexões críticas em favor da liberdade e da fraternidade. É necessário coragem para questionar os preconceitos no mundo contemporâneo e lutar contra a alienação.

− Professor, o mito não é uma mentira?

− Não! O mito é uma narrativa sobre uma realidade em busca de uma verdade.


83 - CEBOLA

Estava assistindo ao  filme “O Caçador de Pipas”.

  E aí, voce gostou? 

 Pensei algo mais lúdico. Mas descobri uma curiosidade.

 Qual?

  No filme, o garoto questiona a história do outro, que conta que um homem conseguiu transformar as lágrimas em pérolas e, para tanto, sacrificou a esposa. Então, o questionamento era: por que o homem não cortou uma cebola para conseguir as lágrimas?

 

84 - CELULAR

De primeiro, anotava tudo num caderno. Até datilografei. Agora digito tudo pelo celular. Mas procurava algumas anotações antigas. 

 

85 - CEMITÉRIO

Necro morava num cemitério. Um dia, pegou um Uber, tarde da noite, e quando o motorista parou no destino, que era em frente ao portão do cemitério, falou:
 Espere aqui que vou pegar o dinheiro.
Assim que desceu, o motorista espantado deu partida apressado, cantando pneu. 

 

86 - CERCA

Um sertanejo disse para um político no palanque eleitoral:

 Chega de tanto verbo. Nós precisamos é de verba. O problema não é a seca com a qual convivemos, mas a cerca que nos tira a terra e o direito à vida.
O político continuou com o palavrório. 

 

87 - CESTO

Estava eu a pensar na casa em que morávamos e deparei-me com a cena de um cesto de roupa suja.
Avistei outro cesto de palha na sala arrumada com frutas e verduras. Na escola, havia também um cesto com livros. As pessoas leitoras degustavam com os olhos. 


88 - CÉU


Minha filha adolescente vinha andando comigo para casa, quando perguntou:
 Pai, o que é o céu?
 O céu é percebido no espaço com suas estrelas, a lua, o sol… 
Antes de continuar respondendo, fui interrompido para uma reflexão.
 Pai, eu aprendi que o céu é a casa de Deus.

 

89 - CHÃO

Um aluno cogitou ao professor sobre a palavra "chão". O professor pegou um violão e começou a cantar o Funeral de um lavrador de Chico Buarque. A classe parou para ouvir o roçado, a cova medida e o destino de um agricultor. No decorrer do ano, a turma toda havia plantado uma horta na escola.


90 - CHAPÉU 

O chapéu social de massa marrom escuro, bem elegante, estava pendurado na cabeceira da cama. A viúva via todo dia aquela imagem como lembrança. Um dia, entrei no quarto para uma visita e vi que o chapéu não estava mais lá.


91 - CHAVE

Todos os dias de manhã, de segunda a sexta, eu e minha esposa saímos para trabalhar. Cada um tem a sua chave de casa. Um dia, tive que voltar para casa no horário do almoço. A distância de casa para o trabalho é de uns 15 km. Ao chegar em casa, percebi que não estava com a chave. Puts!... Voltei para resolver o problema. Mas, tive que pensar em algo melhor para passar a raiva.


92 - CHORO

O choro da criança incomodava tanto que todos ficavam olhando com inquietação. A cuidadosa mãe acalentou-a com um abraço, percebendo que o choro é outra linguagem a ser entendida. 


93 - CHUVA 

Ao sair para o trabalho de manhã cedo, uma chuva torrencial começou de imediato. Deixei-me envolver pela natureza. Não reclamei da chuva. Preveni. Já no trabalho, escutei muitas reclamações.


94 - CIDADE

O professor de filosofia explicava:

 A cidade é um espaço público democrático... 

Enquanto isso, um cidadão revirava o lixo em busca de alimento.


95 - CIÊNCIA

Nas férias, em um domingo de sol, contemplando o mar sobre o espigão da praia de Iracema, da orla marítima de Fortaleza, percebi a imensa dimensão da natureza frente à Ciência. Lembrei da notícia de erosão nas praias de Caucaia por causa do espigão. Nessa hora, uma onda muito alta inundou o local. Os praianos correram rumo ao calçadão. 


96 - COMPUTADOR

 
A aluna deixou o computador no conserto durante as férias, o que favoreceu as leituras manuseando os livros e, curiosa em saber das coisas, compreendeu a importância da pesquisa.


97 - CONFUSÃO

O avô pediu ao filho que seu neto fosse à casa da tia deixar um pacote para a prima que estava com a madrasta  a esposa do avô. O neto fez uma confusão, tratando a madrasta como tia, a quem entregou o pacote. Tal encomenda voltou ao avô, pois era dele próprio o que estava na embalagem.


98 - CONHECIMENTO 

Um pescador demonstrava o poder de seu conhecimento sobre a pescaria em seu vilarejo contando histórias.
Alguns visitantes que se encontravam no vilarejo, curiosamente, quiseram entender o que estava sendo contado.
Após meia hora de fala, um dos visitantes mostrou pelo celular os peixes de sua região e a tecnologia usada para pescar.
O pescador olhou, refletiu e disse que a tecnologia é um conhecimento que chegou onde ainda não chegou para matar a fome de muitos.

99 - CONSCIÊNCIA NEGRA 

No banco de madeira do fórum, Dandara olhava para as próprias mãos, calejadas e pretas. Ao seu lado, a advogada Zuri consultava arquivos pelo notebook sobre a consciência negra.

− Mais um adiamento, Dandara. O juiz alegou excesso de serviço.

Dandara soltou um riso amargo, sem tirar os olhos do chão.

− Excesso de serviço ou descompromisso? Já perdi a conta de quantas vezes vim aqui desde o ano passado.

− Não é só com você − Zuri suspirou, abrindo uma pasta de relatórios.

− 2025 bateu recordes. Foram quase 8.700 novos processos de racismo e injúria racial no Brasil. As pessoas estão denunciando mais, o silêncio está acabando.

− Denunciar é o de menos, doutora. O difícil é o "depois".

− Você tem razão. O sistema está entupido. Temos hoje mais de 13.400 processos pendentes de julgamento. É uma fila que parece não andar, uma morosidade que pune a vítima duas vezes.

Dandara finalmente a encarou.

− E quando anda, chega onde? Ouvi dizer que a maioria sai rindo pelo outro lado da porta.

Zuri hesitou, mas não mentiu.

− Os dados de 2025 são duros: apenas 39,5% das decisões resultaram em condenação. Quase dois terços dos casos terminam em absolvição ou prescrição.

Dandara levantou-se, ajeitando o cabelo.

− Se eu perco o dia de trabalho vindo aqui, falta comida. Se meu patrão me xinga e eu processo, ele paga um advogado caro e espera o tempo apagar o crime. Sabia que 72,9% de quem passa necessidade nesse país tem a minha cor? A gente não tem tempo para a lentidão da justiça, doutora. A fome não espera o juiz assinar o papel.

Zuri guardou os papéis em silêncio. No corredor vazio, o eco dos passos de Dandara era o único som que restava de uma estatística que insistia em não virar justiça.

 

100 - COORDENAÇÃO

No dia 22 de agosto, a sala da coordenação estava toda enfeitada e com a presença de todos os docentes para parabenizar o dia da coordenadora. Nessa hora, entra uma criança chorando e com o joelho ralado para ser atendida.


101 - COR

 O que é cor?

 É o reflexo da luz do ambiente no momento em que é captado pelo cérebro, podendo ser expresso no papel, em telas ou em teorias, para significar um sentido.


102 - CORAÇÃO

O coração, a cada instante, fala para o corpo todos os sentimentos de dores e alegrias na duração da vida, através da pulsação dos sentidos e das tramas percebidas no cotidiano, em razão da existência na convivência.

103 - CORPO

Meu corpo fala. Quando nasci, não lembro. Mas sei que morei em muitos lugares. Atravessei várias pontes para sobreviver, quando via tantos sem ter o que comer. Também sofri pela falta de oportunidade. Superei a vida pelos estudos.


104 - CRIANÇA

Uma criança perdida entrou na igreja, numa missa de domingo, na hora da comunhão. Quando viu aquela fila para a eucaristia, seguiu adiante para acompanhá-la. Nessa hora, a mãe da criança entrou desesperada procurando-a. Uma freira que ministrava o ritual, parou um instante a cerimônia e acolheu a criança e a mãe.


105 - CRUZ 

Tu carregas no peito uma cruz desde pequeno. Olhas para as tuas mãos e percebes um vazio. Tu fechas os olhos, respiras o ar quente e, finalmente, decides lutar. Entendeste que tua cruz estava presente em cada sofrimento humano.


106 - CUSCUZ 

Curtindo a festa junina do Nordeste brasileiro em Caruaru, encontrei uma barraca com o letreiro: Cuscuz. Por curiosidade, aproximei-me e vi um escrito explicativo que dizia: O cuscuz tem origem no Norte da África, provavelmente antes do século X, e foi introduzido no Brasil pelos portugueses, tornando-se base alimentar no período colonial. A palavra cuscuz reproduz o som do vapor na cuscuzeira. 


107 - DADO

O copo de plástico foi chacoalhado. Três dados rolaram sobre a mesa desgastada. Um dado caiu no chão. Um gato pulou, derrubou a mesa e correu com o dado na boca.


108 - DANÇA

Na noite de São João, na quadra da escola, a noiva da quadrilha era a grande atração com a sua dança, em plena alegria como um cisne a bailar. Porém, uma criança correu em sua direção e toda a plateia se levantou ansiosa. E a criança entrou na dança gritando: Mamãe!


109 - DEBATE

Comecei o debate dizendo: Acordei cedo. Fiz o café e arrumei a casa. Peguei o ônibus lotado, tomei chuva, vi no semáforo crianças famintas e pedintes, enquanto ia para o trabalho até findar o dia. Agora me diga a sua rotina.


110 - DEMOCRACIA

Em dia de eleição, um menino perguntou ao pai:

− Pai, o que é democracia?

− Vou tentar explicar da melhor forma. Vejamos. Podemos dizer que decidir em família para onde vamos passar as férias, escolher a pintura da casa, eleger um representante de classe...

Antes que o pai terminasse, o menino retrucou:

− Pai, podemos decidir agora tomar um sorvete?


111 - DESENHO

Sempre observo as crianças, em qualquer lugar, quando estão fazendo algum desenho. Mesmo quando estou focado em outra coisa.


112 - DESERTO

No tempo em que vivi no Seminário dos Capuchinhos, aprendi que deserto é uma forma de isolamento, silêncio e oração intensa para meditar. Sentia muita dificuldade nesse processo de contemplação, pois, ficava admirando os cantos dos pássaros, o vento nas folhas, as formigas na areia... E, no final, era assim que vivenciava Deus.

 

113 - DIA

Em um dia de luz, com a porta de casa aberta, contemplava a natureza e, em cada pessoa, sentia a convivência, até o último suspiro.


114 - DIÁRIO

Depois da avaliação final, na escola onde trabalho, peguei o diário de classe para conversar com os pais que estavam apreensivos. Não encontrei o diário. A situação ficou confusa. Abri o notebook e acessei o resultado na planilha do diário virtual. 


115 - DIDÁTICA 

− Didática é o que acontece na escola para gerenciar a aprendizagem e o protagonismo dos discentes – falou o coordenador pedagógico.

− É também a forma híbrida e inclusiva que envolve a tecnologia, a reflexão e a valorização da saúde mental – abordou uma professora do atendimento especializado.

− Esses são os caminhos da didática, e tem mais, – acrescentou a professora da educação infantil − as avaliações personalizadas, a tolerância a erros, o cuidado com o outro para o desenvolvimento humano, integram a didática. 


116 - DINOSSAUROS

O avô contou para o neto que, quando era garoto, colecionava num álbum figuras de dinossauros. O neto quis ver os dinossauros. O avô levou-o para o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo. 


117 - DIREÇÃO 

Chegando em casa, depois da aula, o menino entrou apressado e faminto, dizendo:

− Mãe, hoje eu estive na direção!

E a mãe, lá do quintal, pergunta:

− Na administração?

− Na direção, mãe!

− Mas, que condução?

− Não é condução, mãe! É direção!

− Então, qual o sentido disso?

− Ah, mãe, também não entendi, não.  


118 - DIVERSIDADE 

Um ancião, com uma túnica com as cores do arco-íris, em seu aniversário, subiu num trio elétrico com frases de inclusão e respeito humano, começou a cantar para a diversidade.


119 - DIVÓRCIO

Um casal de namorados se beijava apaixonadamente. Anos depois, o divórcio.


120 - DOCE 

Era férias na casa da vovó. A criançada corria para lá e para cá. A avó gritou:

− Quem quer doce?

A correria foi maior em busca do doce.


121 - DOR 

Era um domingo, quando parei no meio do caminho por causa de uma dor. Os amigos me acolheram por causa da minha dor. Fui ao hospital por causa da dor. Na emergência cirúrgica, fui operado para tirar uma pedra do rim causadora da dor.


122 - DORMIR 

Era tarde da noite de carnaval numa casa de praia, chovia muito, assistia a um filme de terror e não conseguia dormir. Desliguei a TV. A chuva parou. O trio elétrico passava. Não consegui dormir.


123 - DUENDE 

No Dia de Finados, na casa dos avós, o menino afirma:

− Mãe, eu vi um duende.

− O que é isso, menino?! Isso não existe. Está vendo coisa.

− Existe, sim! Eu vi!

− Viu onde?

− Vi correndo lá no quintal.

A avó pondera:

− Esse menino viu foi o cabrito do vizinho que vive pulando a minha cerca.

  

124 - ECOLOGIA 

No Dia da Ecologia, celebrado em 5 de junho, uma jovem manifestante com megafone na mão, bradava no meio da praça de sua cidade:

− Gente da nossa terra! Somos todos terra! Fogo! Água! E Ar! Somos ecologia! Somos da mesma casa da vida! Precisamos cuidar melhor da natureza! Combater o desmatamento e a poluição! Proteger, restaurar e promover a sustentabilidade responsável!...

Nessa hora, algumas pessoas estavam jogando lixo no canteiro da rua.


125 - EDUCAÇÃO 

No começo do ano letivo, numa reunião da escola, uma mãe comentou sobre a educação:

− Assevero que aprendi aqui, que a educação começa em casa com a família. 


126 - ELEFANTE

No final da vida, na antiga savana africana, um elefante idoso com seus 70 anos, com dificuldade de locomoção e até para se alimentar, caminhava lentamente afastando-se da manada.

 

127 - ENCHENTE

Era maio de 2024. Chovia excessivamente no Rio Grande do Sul durante 22 dias. Acontecia a maior enchente, quando o lago Guaíba atingiu o maior nível, ao chegar a 5,37 metros. A enchente afetou 60% do território estadual, sendo a maior catástrofe climática da história do estado. O Governo Federal decretou estado de calamidade pública.

 

128 - ENSINO 

O ensino veio na prática. Depois do almoço, Zé Valdo estava em casa lendo as instruções de um celular, enquanto seu neto mostrava como mexer no aparelho. 


129 - ERVA-DOCE

Numa aula de ciências, a professora começou a falar sobre a erva-doce. Disse que passou a ser cultivada pelos egípcios (1550 a.C.), gregos e romanos, para usos medicinais, culinários e aromáticos. Em seguida, abriu uma garrafa térmica com o chá de erva-doce sem açúcar e ofereceu aos ouvintes. Somente os diabéticos aceitaram.

 

130 - ESCADA

Nos primeiros dez anos de vida, subi alguns degraus da escada. Com o tempo, consegui chegar no topo da escada.

 

131 - ESCOLA

Maria estava de férias da escola e foi visitar a tia no interior. Chegando lá, viu que a tia fazia do seu alpendre uma escola para as crianças desprovidas.

 

131 - ESCRAVOS

Quando criança, aprendi na escola a cantar Escravos de Jó. Os escravos seriam, desde o Brasil Colônia, submetidos aos senhores de engenho e da casa-grande, que resistiam e tentavam fugir em busca da liberdade.

 

132 - ESCREVER

Nos primeiros anos de vida, aprendi a falar em casa. Na escola, a escrever. Fiz milhares de poemas e não parei mais de escrever...


133 - ESCRITOR

Ao publicar meu primeiro livro, meu neto de nove anos fez uma pergunta de mercado:

 Vô, ser escritor, dá dinheiro?

No instante em que pensei, respondi:

 Faça o que te torna feliz.


134 - ESCUTAR

Em um domingo, uma mulher negra, ao entrar no shopping, foi abordada sob suspeita por um segurança da loja e foi conduzida à gerência, que não quis nem escutar a mulher.


135 - ESPANADOR

Era dia de faxina na casa. O espanador estava esquecido debaixo da pia e ninguém sabia. A casa ficou empoeirada.

 

136 - ESPELHO

No meu aniversário, olhando para o espelho de dois metros de altura, que fica no meu quarto, ouvi uma voz que dizia: Sobre o olhar vivo desse portal mediador reflete a tua autoimagem.

  

137 - ESPERANÇA

No inverno, numa comunidade de agricultores e apicultores, a produção de mandioca era a sua subsistência, mas foi atingida por um fungo que causou a podridão das raízes de toda a plantação. As abelhas fizeram uma boa produção de mel. Foi a esperança da lavoura.

 

138 - ESPIRITUALIDADE 

Numa segunda-feira, cedo da manhã, Pedro andava apressado rumo ao trabalho, quando viu na calçada um morador de rua pedindo uma ajuda. Pedro parou, pensou e deu sua marmita para o desabrigado, que agradeceu:

− Obrigado, moço, pela sua espiritualidade.

 

139 - ESTUDO

 Pegue seu livro, caderno, lápis, borracha e vamos estudar, disse o pai.

 Mas eu não quero estudar agora! Quero brincar! Retrucou o filho.
Após uma discussão, o menino, chorando de raiva, estava à mesa com o pai que pensava qual futuro seria do filho.


140 - ESTADO

Era manhã, quando a Constituição de 1988 proclamou: a maior missão do Estado é proteger o seu povo. A capital de cada estado passou a sentir um estado mais do que o normal. Embora o estado físico da criminalidade tenha chegado à UTI em estado grave, apontando 45% dos brasileiros pelo índice de violência em 2026.

 

141 - ESTRADA

 

Em um tempo bem distante, há 4.000 anos a.C., o Caminho do Rei, uma das rotas comerciais que ligava o Egito à Mesopotâmia, serviu de estrada para transportar as pedras para construir as pirâmides. Depois de muito tempo, já dizia o profeta Isaias (62,10), no século VIII a.C.: aplainem a estrada... Em Khalil Gibran, com O Profeta (1923), este já alertava que “Nós, os errantes, (estamos) sempre em busca de caminhos solitários...”. Agora, no Brasil contemporâneo, o Código de Trânsito Brasileiro rege como devemos caminhar na estrada. 

 

142 - ESTRANGEIRO

José era observado pelo atendente de migração apenas pela cor da sua pele e pelo passaporte. Não foi acolhido. Sua mochila foi revistada em busca de alguma irregularidade que não existia. Seu trabalho noutro país foi negado por ser estrangeiro afrodescendente.

 

143 - ESTRELAS

Numa noite de lua cheia, Maria estava deitada no gramado com o namorado, fascinada, admirando a luz das estrelas, vendo o passado, entre as nebulosas, viajando no tempo.

 

144 - ESTUDANTE

Acordou cedo e um pouco apressado, tomou banho, bebeu um café solúvel, arrumou a mochila e colocou o notebook e alguns livros dentro, deixou um recado escrito sobre a mesa, subiu na moto e acelerou. Parou numa blitz e um policial abordou perguntando a profissão:

− Sou estudante.

 

145 - ESTUDAR

Sentei-me à mesa e liguei o notebook. Ao lado, uma pilha de livros para consulta. Na cozinha, uma conversa sobre o que fazer para almoçar. Na sala, as crianças estão assistindo TV. O cachorro da vizinha está latindo. O celular não parava de tocar. O que mais queria e tentava fazer era estudar.


146 -FACA 

Numa reunião empresarial de final de ano com pessoas de diferentes setores da vida, a conversa começou com uma pergunta:

− Para que serve a faca?

− Serve para matar – respondeu o primeiro.

− Matar? Como assim? – Indagou uma mulher, e completou:

− Não, gente, a faca serve para cortar o pão, passar manteiga, cortar carne, verduras... 


147 - FACEBOOK 

Venderam vários produtos criativos pelo Facebook no período de férias. No final, o lucro não deu nem para uma camisa, mas a ideia gerou novos encontros.

 

148 - FAMÍLIA

"A família que reza unida, permanece unida". Essa era a frase que a gente repetia em casa todas as noites, após as orações do terço, às 18h. Com o tempo, aprendi que a família é uma diversidade, podendo ser constituída apenas com a presença de uma avó com seu neto; ou somente uma mãe com uma filha; ou um casal homoafetivo com um filho adotado... É por aí que vai a família.

 

149 - FARINHA

Olhei para um saco de farinha no supermercado e imaginei meu avô. Passou a vida inteira plantando mandioca. Colhia, botava de molho, descascava, triturava, prensava, peneirava, torrava e ensacava. Estava pronta a farinha. Quantos não sabem o que era a farinhada.


150 - FÉRIAS

Em uma manhã, bem cedo, nas férias de julho, em casa, eu e a minha esposa estávamos prontos para fazer uma viagem. De repente, aconteceu o que não prevíamos, começou a chover. Abri o porta-malas do carro e um raio iluminou o céu, seguido de um monstruoso trovão. O celular tocou. Com precaução do raio, entrei em casa e atendi à ligação. Era inverno, mas no Ceará, em julho, o clima é moderado. Além disso, a natureza tem sofrido com o aquecimento global. Ah! A ligação era meu filho desejando uma viagem de férias.


151 - FILOSOFIA

A filosofia da vida busca analisar a nossa feitura, a essência que temos, a causa que nos move e a finalidade que nos define.


152 - FRAÇÃO

Vou entrar em ¼ para rezar ⅓ e arranjar ½ para comprar 3/6 de laranjas. 


153 - GALINHA 

Num dia de domingo, numa fazenda, uma galinha se assustou com a sua própria sombra e, com medo, agitou as outras galinhas que saíram correndo amedrontadas de uma coisa que não existia. 


 154 - GATO

Uma adolescente, no final da tarde, sozinha em casa, desesperada, ligou para os bombeiros:

− Alô! É dos bombeiros? Preciso urgente tirar meu gato que ficou preso entre as paredes estreitas na casa do vizinho, antes que a minha mãe chegue. 


155 - GUARDA-CHUVA 

Guarda-chuva que não guarda, que guarda gente sem guardar, que faz sombra protegendo do sol, mesmo assim, faz queimar, que junta casal, ideias e opiniões diferentes, que puxa e repuxa, levando a molhar os pés e esquecermos esse guarda em qualquer lugar.


156 - HISTÓRIA

Na história do Brasil, antes da colonização, os povos originários eram os primeiros habitantes dessa terra gigante. Viviam como um povo num imenso jardim, entre cravos, rosas e girassóis, com jacaré, jiboia, zabelê...

Chegaram os jesuítas para catequizar os nativos e africanos escravizados, pregando a crença do juízo final, proclamando o evangelho, com a cruz e imagens de santos, ao toque do sino na igreja, combatendo as trevas com reza.

Vieram de um jeito dramático, com várias frotas nas águas frias do mar, e guiando trilhas entre pedras, formaram blocos de brigas e guerras. Daqui, levaram gente, frutos, prata, ouro, café, açúcar, joias... Diversos produtos. Fizeram um grande quintal, uma quadra do mundo quase perfeita, com sabor de quero mais. O clima tropical, pouca blusa, risos, futebol. Raramente há uma crítica nos jornais frente à situação. É justo?

Hoje, muitos estão no xadrez. O trabalho continua na rua e nas horas como um selo de cada manhã, do ser humano fraco como um vidro, como vulto, prudente, e ainda tantos sem nada no prato, e pelo suor da camisa que busca por um quilo de alimento, às vezes, nessa história toda, não tem nem uma xícara de chá.


157 - IDEIAS

Um cidadão da sociedade tecnológica e capitalista, morador de rua que havia largado tudo para viver no mundo como andarilho, dizia:

− Platão foi um filósofo grego, que criou a teoria do Mundo das Ideias, como algo eterno e perfeito, na busca pela verdade − e ponderou −  compreendem o que isso quer dizer para a convivência humana?


158 - IDOSO 

Quando eu fazia pagamentos pelo autoatendimento do banco, aconteceu que num desses dias, demorei porque tinha que pagar todos os boletos. A minha filha, que me esperava ao lado da fila, ouviu uma menina dizendo para a mãe:

− Ah, mãe. A fila está demorando porque tem um idoso ainda fazendo pagamento.


159 - INVENÇÃO

Serei uma estrela lá no céu, como um grão de areia que vejo aqui da Terra. Lá, estarei brilhando na imensidão, igualzinho agora, como quem me lê nessa invenção.


160 - INSÔNIA 


Numa noite, em meu quarto, a insônia resolveu martelar meu juízo.


161 - JACARÉ

No rio Amazonas, na Ilha de Marajó, vi um jacaré que ficou paralisado, porque um pescador ofuscou com uma lanterna os olhos do animal à noite. Mas não durou nada para um ataque. 


162 - KARAOKÊ

A família reuniu em casa os parentes para um karaokê no dia das mães. Na hora, faltou energia. 


163 - LABORATÓRIO 

No início do ano letivo, o professor afirmou aos discentes:

− A sala de aula é o laboratório do pensamento.

Enquanto isso, entre os alunos havia joguinho de papel. 

 

164 - LÁPIS

O aluno, toda semana, pedia um lápis na coordenação da escola, até que um dia passou a estudar pelo notebook.

 

165 - LÁGRIMA 

Contei para a minha mãe sobre a minha separação. Ela escutou tudo, enquanto a lágrima escorria pelo rosto como um caminho de uma vida.

 

166 - MACACOS

Numa excursão de férias, uma família visitando a Amazônia, perguntou ao guia da trilha:

− Como está a situação contemporânea dos macacos?

− Em poucas palavras, posso garantir que 60% das espécies de primatas estão em risco de extinção por causa da perda do seu habitat, pela expansão agrícola, exploração madeireira e da caça. 


167 - MÃE 

O menino chegou em casa cheio de curiosidade e começou a falar abertamente, indagando:

− Sabem o que é na vida a terra, a água, as árvores e a lua? Respondo: a mãe!


168 - MAL

Na história da vida na Terra, o ser humano se tornou perverso, começando assim o princípio do mal.


169 - NAMORO

A professora combinou com a turma do 9º ano, para a aula de sexta-feira, um debate sobre o tema namoro. Cinco equipes, cada uma com característica diferente, apresentaram os aspectos principais do namoro, a saber: respeito, conhecimento mútuo, confiança, afeto e carinho. Curioso era que, durante as apresentações, os adolescentes se dividiam entre a timidez e a ousadia.


170 - NETO

Minha filha teve meu neto natimorto aos seis meses de gestação. Após ser sepultado, cheguei em casa e encontrei uma borboleta que insistia em flutuar perto de mim. Esse fenômeno aconteceu várias vezes. Até hoje, quando vejo uma borboleta perto de mim, penso em meu neto.


171 - NOITE

Passei a noite vendo o tempo passar.

 

172 - NÚMERO

No hospital:

− Vim visitar...
− Qual é o número?

173 - OÁSIS

Numa tarde de domingo, em minhas leituras caseiras, numa rede na varanda, lembrei quando pisei num oásis − os Lençóis Maranhenses. Vi a vegetação no meio do deserto com milhares de lagoas cristalinas de água da chuva. Na rede, o sonho era maior.


174 - OLHOS

Os olhos de Elisa são diferentes da tela de Da Vinci. Elisa era afrodescendente do Nordeste brasileiro. Sua história conta as vidas de tantas outras com olhos tristes, mas resistentes.


175 - PAI

Era tarde da noite e eu pensava em meu quarto como um pai e avô. Percebi que o cérebro dos homens passa por mudanças hormonais ao se tornarem pais, aumentando a empatia e o cuidado. E eu ficava pensando no pai dos meus netos... 


176 - PAIXÃO

Tive uma grande paixão. O tempo passou. Fiquei maduro.


177 - PALAVRA 

Cheguei ao Centro de Eventos do Ceará um pouco atrasado para participar de uma oficina de artes, e assim que entrei na sala, fui logo solicitado para uma apresentação gestual e criativa, foi quando o instrutor apontou para mim e falou:

− Com a palavra!... 


178 - PAZ

No muro está escrito com sangue: Paz!

  

179 - POESIA

A poesia é um microconto de uma história.


180 - POLÍTICA

A cidade de Esperança estava dividida pela política entre a classe trabalhadora e a elite. A tensão política não era mais feita de debates, mas de agressões e difamação pela mídia.

​No auge da campanha, um estampido seco silenciou o palanque. A líder carismática que prometia a reforma das terras tombou sobre a bandeira que defendia. O assassinato foi meticuloso, executado nas sombras por aqueles que temiam perder o privilégio.

​O funeral parou a cidade com luto e silêncio. Uma multidão acompanhou o caixão de madeira simples até o cemitério da periferia. Sob uma chuva persistente, o corpo foi baixado. A direita celebrou em jantares de gala, acreditando que, enterrando a líder, a ideia morreria por asfixia. A terra foi jogada, as flores murcharam e o portão de ferro foi trancado.

​Três dias depois, o vigia do cemitério correu para a cidade com os olhos saltados. A lápide estava rachada.

Um som de passos firmes sobre o cascalho, no centro da praça, onde o sangue ainda manchava o asfalto, ela surgiu, vestida com o mesmo vestido surrado, com o furo da bala ainda visível no peito.

O pânico tomou conta do Congresso e do Senado. A líder ecoava sua voz no meio do povo como semente renascida da terra.


181 - POMBO

O pombo voou até a janela, acenou, abriu as asas e partiu.


182 - PRESO

Um juiz absolveu um político do Brasil, pois seria preso pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado. Noutro momento, um lavrador foi preso por raspar casca de árvore em uma área de preservação. Ele usava a casca de árvore para fazer chá para sua mulher, que estava doente. 


183 - QUADRA

 

Em período de inverno, a quadra da escola estava alagada e os alunos improvisaram um futsal aquático. Um chute na bola embarcou direto para o quintal do vizinho que tinha um casal de pit bull


184 - QUADRO 

Um historiador da arte do Museu do Ipiranga, em São Paulo, explicava aos visitantes as curiosidades do quadro "Independência ou Morte", também conhecido como "O Grito do Ipiranga", retratando o 7 de setembro de 1822.

− Este quadro, Pedro Américo pintou em Florença, na Itália, em 1888, 66 anos depois do fato ocorrido. Assemelha-se ao quadro de Napoleão Bonaparte. Mostra D. Pedro I, que na realidade, não vestia trajes oficiais em viagens. Viajava em burros ou mulas, animais mais resistentes para o terreno lamacento e íngreme da época, e não em cavalos. Observem. No canto esquerdo da tela, mostra um camponês com um carro de boi simbolizando o povo brasileiro, que assistia passivo e confuso à situação. A casa que está pintada no lado direito poderia ser uma estalagem ou cocheira da época. Ademais, há quem diga que D. Pedro queixou-se de cólicas intestinais nessa hora...

 

185 - RACISMO 

Uma mulher foi barrada ao entrar no shopping.

− Não pode passar por aqui, senhora!

− Por quê?

− Prestadores de serviços de limpeza não devem passar pela loja.

− Mas...

− Não tem mais! Você, com esse “cabelo duro”, está “escurecendo a loja”.

− Isso é racismo!

− Como é? Está me acusando? Agora está sendo violenta. Volte para a sua região de origem?

− Saiba que vou denunciar por me tratar com racismo.

− Será mais uma denúncia de pessoas como você. Acha que vai dar em alguma coisa?


186 - RÁDIO

Numa roda de conversa entre amigos, ouvi o mais velho do grupo dizer:

− Sabia que a famosa Torre Eiffel foi curiosamente salva da demolição por se tornar uma antena de rádio para transmissões militares e públicas no início do século XX?

O mais novo revidou:

− Muitos franceses pensam que essa torre parece mais um monte de ferro enferrujado, não é?


187 - SABER

Era uma noite chuvosa numa escola da prefeitura de Fortaleza.

Um grupo de trabalho assustou-se com um raio, mas o estrondo retumbante do trovão foi amedrontador.

Outro raio faiscou escola adentro.

− O que foi isso?

− Vai saber...

Era a luz da lanterna do vigilante que deambulava pelo corredor da escola.


188 - SAGRADO

Numa pesquisa escolar, no bairro do Bom Jardim, em Fortaleza, perguntei aos alunos o que é o sagrado. Uns responderam que é a eucaristia; outros disseram ser a oração, os símbolos religiosos e os gestos de caridade. No entanto, encontrei respostas que disseram que o sagrado é, simplesmente, um prato de comida.

 

189 - SERRA 

A sombra escura da serra vista de longe lembrou-me os anos da Criação.


190 - SÍLABAS

Quando penso numa pesquisa que fiz sobre sílabas com palavras apropriadas do português do Brasil, lembro do olhar que tive, como uma pedra bruta do planeta que passou a brilhar de alegria na cultura e na gramática, entre siglas, prefixos e sufixos. Cravei com prego na parede de uma gruta, um cartaz com o trabalho feito, crendo que havia criado um macroestudo. Cruel foi a decepção ao constatar o problema de um triste índice de analfabetismo funcional e político.

Um pedreiro bem instruído viu o meu trabalho, ergueu os olhos, contemplou e leu algumas frases de uma quadrinha com o tema relacionado à padroeira. Os versos falavam da promessa de um influente atleta joelhudo, magro e afrodescendente que parou de correr por causa de um acidente com seu irmão. Imaginei o seu sofrimento em busca de um milagre urgente. O texto narrava sobre um esportista prudente que caminhava livre pela praça, exposto ao sol, porém, com o tempo nublado, percorria na companhia de um cachorro e com uma flor dos sonhos da inclusão na mão.

Curiosamente, percebi que tinha muito o que aprender nas entrelinhas complexas das sílabas poéticas. Frente a essa situação, transcrevi, nas madrugadas da vida, a minha sublime inspiração para um livro. Outros frutos recolhi e classifiquei de um blog que já tinha feito. Alguns vocábulos contribuíram para explicar o meu conhecimento e me guiam até hoje.

De repente, o clima mudou e uma chuva começou a encher as ruas com águas barrentas. Peguei a bicicleta que uma mulher me emprestara, coloquei meu chapéu, ajeitei meu chinelo, guardei a flauta e segui o ciclo sem aflição, refletindo as coisas do globo terrestre, sem nenhum preconceito, respeitando o pluralismo de cada sílaba. 


191 - SONHO

Tive um sonho. Sonhei com ex-alunos já formados, casados e bem-sucedidos. Eu ainda não estava aposentado.


192 - TABUADA

O aluno contava nos dedos perdidamente.

− Professor, por que esse nome “tabuada”?

− Porque a palavra "tabuada" vem de "tábua", referindo-se às tábuas de argila ou pedra, criadas pelo filósofo grego Pitágoras para fazer seus cálculos.

O menino continuou a atividade no caderno até a última conta.


193 - TECNOLOGIA

A tecnologia começou a fazer carro blindado, a ponto de configurar a barbaridade da humanidade insegura e brutal.


194 - ÚLTIMO

No leito de morte, no último suspiro, a ancestral disse que via uma dimensão dinâmica e imensurável.


195 - VASO

Quando eu era menino e morava em Olinda, minha avó usava um vaso para urinar. Depois que mudamos para Fortaleza, vovó adoeceu e foi internada num hospital. Foi aí que aprendi a chamar o vaso de comadre.


196 - VELÓRIO

Quando terminar o culto, se não estiver chovendo e o tempo ficar limpo, posso te pegar, mas não sei se vai dar para ir ao velório da prima que será em Caucaia.


197 - WHATSAPP

Na hora do almoço, a mãe chamava o filho adolescente várias vezes. Depois de algum tempo, encontrou-o no quarto enviando mensagens pelo WhatsApp. 


198 - XADREZ

O menino chegou em casa e disse para a mãe:

− Ô, mãe! O professor falou lá na escola que vamos fazer parte da equipe do xadrez.

− Que é isso, menino? Vocês vão ser presos?!

− Não, mãe. Xadrez aqui é um jogo de tabuleiro para duas pessoas.

 

199 - YAKISOBA

Chegando em casa, a avó perguntou para a neta:

− O que tem para comer?

− Yakisoba, vó.

− Só tem uma sobra? – Indagou a avó, sem entender.

− Não, vó. É macarrão.

− Ah! Vou querer a sobra mesmo.

 

200 - ZANGÃO

No primeiro dia de aula de ciências, a professora perguntou o que é um zagão.

− É um menino zangado, professora – falou uma aluna.

− É um bicho brabo. Um monstro que faz zumbido na gente − retrucou outra aluna.

Nessa hora, um aluno abriu o livro e leu a resposta.

− Professora, zangão é a abelha macho, responsável pela fecundação da abelha rainha.


201 – FADAS 

Na noite de lua cheia, no assentamento, na casa das primas, chovia muito. Contavam histórias de fadas. As adolescentes, à luz de vela, por falta de energia, estavam sobre a cama imitando fadas e agitadas devido a uma borboleta que voava dentro do quarto. De maneira abrupta, a mãe de uma das meninas, toda de branco e com espanador na mão, abriu a porta. A borboleta espantada começou a estalar sons e apagou a vela...


202 - FAMÍLIA 




F: Fé Felicidade Festa Ficha Figura Filosofia Física Flauta Flor Floresta Foca Fogo Folclore Fome Forma Formiga FRATERNIDADE Frio FUTEBOL

G:  Garrafa, Garfo, Gato, Geladeira, Geografia, Girafa, GIRASSOL, Gostar, Gota, Grafite, Gramática, Grupo, Guarda, Guarda-chuva, Guerra (o absurdo que desumaniza)

H: HABILIDADE HARMONIA Helicóptero HIPOPÓTAMO Horário Horta Hospital HUMANO 

I: Inclusão Interpretar, Investigar, Imagem, Idade, Ilustração, Igreja, Incêndio, INDÍGENA, Inovação, INDÚSTRIA, Irmão, Ilha, Inseto, Infância, Instagram.

J: Janela, Jangada, Jardim, Jogo, Jornal, Judô, Juntar, Justificar

K:   Karma, Kiwi

L:  Laranja, Leão, LEI, Leite, LEITURA, LETRA, LIBERDADE, LIMÃO, LINGUAGEM, LISTA, Livro, LIXO, Lua, LUCRO, Luta, Luto, Luz.

M:   MALA, MAL-EDUCADO Mandacaru MANGA MAR Matemática MATERIAL MÉDICO MEDO MEIA MEIOAMBIENTE MELANCIA MENSAGEM MENTIRA MERENDA Mesa MISTÉRIO Modelo Morte MOTORISTA MOVIMENTO Multimídia MUNDO Museu MÚSICA 

N:  NÃO, NARRATIVA NATAL, NATIVO, NATUREZA, NAVIO, NEVE, NINHO, NÍVEL, NOITE, NOME, NORDESTINO, NOTÍCIA, NOVO, NUVEM. 

O: OBJETO, OBSERVAR, OCEANO, Óculos, OFICINA, ONÇA, ÔNIBUS, ORAÇÃO, Orelha, OSSO,  Ouvir, Ovelha, Ovo.

P: PANELA, PÃO, PAPEL, PASSATEMPO, PATO, PAU-BRASIL, PAZ, PÉ, PEDRAS, PÉ-DE-MOLEQUE, PEIXE, PENSAR, PENTE, PERDÃO, PERIGO, PESSOA, PETRÓLEO. PIANO, PICOLÉ, PIPA, PINTAR, PIPOCA, PLANTA, PLANETA, POBREZA, POESIA, POETA, PONTE, PORTA, PORTUGUÊS, PRAIA, PRATO, POTE, POVO, PRAÇA, PRODUÇÃO, PROFESSOR/A.

Q: Qualidade Quarto QUEBRA-CABEÇA Queijo Quente Quilo Química Quintal

R:  RATO, Razão, RECREIO, Rede, REGRA, Relógio, RESOLVER, RESPEITO, RETRATO, REZA,  RIACHO, Rima, RIO, Roda, Rosa, Rosto, RUA. 

S:  SAL, SANGUE, SAPATO, SAPO, SAÚDE, SECA, SECRETARIA, SEGREDO, SEMÁFORO, SEMENTE, SENTIMENTO, SENTIR, SEQUÊNCIA, SERRA, SERTÃO, SEXTA-FEIRA, SILÊNCIO, SIM, SINO, SÓ, SOCIAL, SOFÁ, SOL, SOM, SORRISO, SUCO.

T:  TAPETE, TARTARUGA, TATU, TELEFONE, TELEVISÃO, TEMPO, Terra, TESSOURA, Texto, TIJOLO, TINTA, Tigre, TOMATE, TRABALHO, Transporte, TRAVA-LÍNGUA, TREM, Tristeza, Tupi.

U: UMBIGO, UNHA, Unidade, UNIFORME, UNIR, UNIVERSO, Urso, URUBU, Utensílio, Utopia, Uva

V:  VACA, VALOR, VELA, VELHO, VENTO, VERBO, VERDADE, VESTIDO, VIAGEM, VIDA, VINHO, VIOLÃO, VISUAL, VIVÊNCIA, VOLUME, VOTO, VOVÓ, VOZ.

W:  Whisky Wi-Fi

X: XAMPU, XAROPE, XERETA, Xerife, XEROX, XÍCARA, XILOGRAVURA

Y: Yoga, YouTube

Z: Zebra, Zíper, ZOOLÓGICO, ZOMBAR, Zona.




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