MICRO E MINICONTOS DIDÁTICOS
Jonas Serafim
1 - ABACATE
Cheguei em casa e vi a minha avó fazendo um chá da folha de abacate para problema urinário. Lembrei do que li num livro asteca chamando a fruta de "testículo" pelo formato oval nos galhos. Os espanhóis mudaram o nome para "aguacate", mas não apagaram o sabor afrodisíaco daquele fruto ancestral.
2 - ABAIXO-ASSINADO
Era janeiro de 2026, em Florianópolis. O cachorro Orelha passeava no final da tarde pelo calçadão da praia, quando alguns adolescentes o agrediram violentamente. Um abaixo-assinado em plataforma digital foi criado pedindo punição pela morte do Orelha.
3 - ABELHA
Uma sertaneja do nordeste brasileiro
resolveu ser apicultora. Em contrapartida, nesse lugar, um grupo de empresários
do agronegócio negociou um desmatamento em favor de uma imobiliária. As abelhas
intoxicadas faleceram. O tempo passou e, sem a polinização, a sertaneja também
faleceu.
4 - ACEROLA
Acerola. Plantei, cultivei e colhi para
beber o suco.
5 - ACESSIBILIDADE
Um
cadeirante, um cego e uma gestante não conseguiram atravessar a rua por falta
de acessibilidade.
6 - ADVOGADA
Uma mulher entrou num shopping e foi barrada porque era negra. Ela questionou e exigiu os seus direitos. Mesmo assim, foi constrangida. O caso foi parar na delegacia onde essa mulher trabalhava como advogada.
7 - ÁGUA
A água disse para a terra que se sentia
acolhida em seu leito. Também era satisfeita nas raízes das plantas, nas
nuvens, no copo dos sedentos… Mas, suas lágrimas eram de poluição.
8 - AFETO
Um menino de nove anos que cursava o 4° ano do Ensino Fundamental era sempre chamado à atenção na coordenação, porque brigava constantemente com os colegas da escola, e a família era solicitada para advertência. Uma professora chegou à escola e adotou esse aluno com afeto. Um ano depois, com o acolhimento afetuoso, o aluno rebelde passou de ano e não foi mais chamado à atenção.
9 - AFRO-BRASILEIRA
Um professor resolveu fazer uma pesquisa com os alunos sobre a história e cultura afro-brasileira e indígena, conforme a Lei nº 11.645 de 2008. No dia seguinte, alguns pais apareceram à escola para tomar satisfação sobre essa pesquisa e criaram uma confusão. De repente, os alunos apareceram com cartazes em favor da pesquisa que o professor pediu.
10 - ÁLBUM
Numa noite tranquila, enquanto olhava um álbum, sentado no chão do
meu quarto ao lado da minha esposa, encontrei uma foto de uma ex-namorada.
Minha esposa perguntou quem era. Fiquei em suspense.
11 - ALEGRIA
Conheci uma jovem copeira em um hospital que vivia alegre e sorridente. Então, todas às vezes que a via, eu dizia: bom dia, alegria!
12 - ALFABETIZAÇÃO
A neta dizia para a sua vó:
−
Vó, meu filho disse que a professora falou que a alfabetização começa no berço.
− Mas não é na escola e na idade certa que se aprende a ler? − Questionou a vó.
−
É isso mesmo, vó. Mas, ouvi também que brincar, desenhar e até a tecnologia ajudam
a alfabetizar. E ainda precisamos compreender os erros como parte da
alfabetização.
13 - ALFACE
A mãe insistia com o filho para comer verduras. Um dia, falou que se comesse alface, ficaria bonito e inteligente. O menino cresceu comendo alface.
14 - ALGODÃO
15 – ALFABETO
No primeiro dia de aula, a professora
escreveu no quadro a palavra alfabeto. Joãozinho perguntou:
− Professora? Essa palavra é para a gente escrever todas as coisas do
mundo?
− Não, Joãozinho. Tem coisas que não se escrevem. A gente precisa sentir com o
coração e abraçar com amor.
16 - ALTO-FALANTE
− Sabe o que aconteceu na
Arena Castelão no domingo passado na hora do jogo, Gabriel?
− Não! O que foi?
− Um torcedor da Geração Z
(nativos digitais) conectou o celular ao alto-falante via Bluetooth e usou a Inteligência
Artificial (IA) para ouvir um hip hop. No momento em que explodiu o som, a
multidão partiu para dentro do gramado, motivada a dançar. Os policiais
partiram para cima.
17 - ALUNO
O aluno foi conduzido à coordenação. A
coordenadora falou:
− Conte a sua história…
18 – AMAZÔNIA
Diante da fogueira na grande caverna amazônica, a nordestina Endyra, de
15 anos, abrigava-se do inesperado ao lado de Raoni e Araci. Do lado de fora da
taba, a floresta sangrava, invadida e queimada por homens que sempre escapavam
das emboscadas. Enquanto a Amazônia resistia aos ataques do desmatamento, Raoni
olhou nos olhos de Endyra e revelou seu desejo. Naquela manhã aprazível, os
dois se beijaram, permitindo que o amor nascesse forte em meio à peleja da
natureza.
19 - AMIZADE
Minha mãe me colocou de castigo, olhando para a parede. Horas
depois, ela sentou ao meu lado no chão e dividiu uma maçã em silêncio. Ali,
entre o erro e o perdão, descobri a primeira amizade.
20 - AMOR
– Oi, amor! Seremos felizes para
sempre, até que a morte nos separe.
Depois dessa liturgia e três casamentos nas costas, aprendi que precisa mudar o
ritual. Pois, nada é para sempre.
21 - ANEL
Dois rapazes avistaram uma moça numa
festa e logo se interessaram em cortejá-la, quando perceberam o anel em seu
dedo anelar.
22 - APAGADOR
Um adolescente disse para o seu avô que parou para pensar sobre a palavra "apagador". E, como tal, concluiu que poderia compreender como um objeto que apaga o quadro da sala de aula, ou um interruptor que apaga a lâmpada. Além disso, pode-se entender poeticamente algo que apaga a dor de alguém.
23 - APOSTILA
Durante a maior parte dos meus estudos, aprendi e guardei tudo em apostila. Agora, guardo exames médicos.
24 - APRENDER
Estava lendo novas ideias para aprender a ensinar melhor. A porta abriu e um garoto autista entrou de imediato em minha direção e me abraçou. No silêncio, vi que aprender é saber acolher.
25 - APRENDIZAGEM
Aos dez meses, aprendeu a andar e a falar algumas letras. Depois
dos sete anos de idade, já tinha boa leitura. Após os doze anos, ajudava em
casa, fazia chaveiros e poesias. Daí para frente, muito trabalho.
26 - ARANHA
A professora pediu uma pesquisa sobre aranha. Mariana escreveu numa cartolina e começou a ler: Existem mais de 50 mil espécies de aranhas. Elas comem as próprias teias para recuperar parte da proteína. Algumas são capazes de andar sobre líquidos, nadar e até respirar debaixo d’água. A viúva negra, a aranha-marrom, as armadeiras e a aranha-teia-de-funil são consideradas as aranhas mais venenosas e letais. Ao terminar de ler, a turma percebeu uma grande aranha no canto da parede. A correria foi grande.
27 - ARQUIVO
Tentando achar os documentos no arquivo, fui
dormir muito tarde. Pela manhã, fiz outra busca e, em vão, folheei tudo,
fazendo um pente-fino. Uma semana depois, abri o mesmo arquivo e, para minha
surpresa, nas últimas páginas, encontrei os documentos.
28 - ARTE
No dia mundial da arte, comemorado em 15 de abril, em homenagem ao
nascimento de Leonardo da Vinci, um grupo de alunas apresentou no desfile de
carnaval os seus desenhos pintados com giz de cera, expondo a subjetividade da
cultura popular na visão feminista, questionando os valores entre o consumismo
e o minimalismo, em favor da sustentabilidade. No momento, uma cinegrafista
filmou tudo e compartilhou em tempo real nas mídias digitais. Alguns rapazes não
gostaram do que viram e queriam rasgar os cartazes. Os organizadores do bloco
carnavalesco tomaram a frente para conter a multidão. Enquanto isso, as imagens
circulavam pela TV mostrando a situação real das pessoas como uma alegoria do
contexto social.
29 - ÁRVORE
A árvore da vida no meio do jardim do
conhecimento do bem e do mal, escrito no Gênesis, lembrou-me do pé de cajarana
que ficava em frente da escola onde eu estudava com meus irmãos, e era também
perto da nossa casa. Mas, essa ideia foi cortada por uma serra elétrica.
30 - ASAS
Ícaro descobriu que existem basicamente
três tipos de asas: asas de aves, de insetos e de aeronaves, com uma simbologia
sobre a liberdade com espiritualidade. Considerando o limite do peso e da
energia utilizada, Ícaro tentou voar com asas coladas.
31 - ATIVIDADE
Era final da aula. O professor passou uma atividade e a turma estava muito agitada. Deu um passo à frente e fixou seu olhar rigoroso sobre cada um. O silêncio era sepulcral. O sinal tocou para a saída e todos ficaram tensos.
32 - AULA
Primeiro dia de aula do 6° ano, sala
quente com mais de trinta alunos e muita conversa. Meninos e meninas
misturavam-se entre os corredores das cadeiras, trocando figuras. A cena ainda
continuava à noite na mente do docente sobre o travesseiro.
34 - AVIÃO
− Professora, é verdade que Santos Dumont, o “Pai da Aviação”, tirou a própria vida? − Perguntou à aluna.
− Sim. De acordo com as testemunhas, Dumont, deprimido e com desgosto pelo uso de aviões em guerras, foi encontrado morto em seu quarto no hotel onde estava hospedado, enforcado com uma gravata, aos 59 anos, em 1932.
− Por que a pergunta? − Perguntou a professora curiosa.
− É porque meu pai é aviador.
35 - AVISO
No alto da parede, o funcionário ignorava o aviso sobre as regras de boa convivência. Ele queria sempre se dar bem, mesmo em prejuízo dos demais. Quando precisou de ajuda, percebeu que estava sozinho.
36 - AVÓS
Era
ano novo na casa dos avós. Eles nem dormiram direito. Mas amanheceram ativos. Fizeram
o café e continuaram a rotina. Os netos e netas e toda a família acordavam aos
poucos pelos passos dos saberes ancestrais e pelo cheiro do café. Assim, cada
um ia aparecendo à mesa. Mesmo com os celulares na mão, a descendência
encontrava na casa de origem dos avós o aconchego e o cuidado do bem-estar,
como se dissesse: como estamos e para onde estamos indo.
37 - BANANA
Um nativo explicou a um turista, quando
viu diversas bananas no mercado das Filipinas.
− Desde a antiguidade, a banana foi comparada com
dedo e dente, sendo um nutriente que simboliza sorte, prosperidade, abundância,
fragilidade, até gesto de desprezo. Ela não é uma árvore, mas sim uma erva
gigante.
O turista, sem entender direito, logo pediu as bananas da abundância.
38 - BANDEIRA
− Fale de Bandeira, Maria.
− Bandeira de Pasárgada, pernambucano sem lirismo
comedido, e da poesia O Bicho, meu Deus, era um homem.
39 - BANQUETE
Sob um viaduto, um banquete. O cheiro do café subia pelo ar da manhã fria de Natal. Enquanto alguns líderes populares dividiam o pão entre os moradores de rua.
40 - BARCOS
Era um garoto e nadava na praia do Mucuripe até chegar aos barcos que ficavam na praia. Sentia medo e poder. Sempre ia para nadar e pegar alguns peixes pequenos para comer. Numa dessas idas, um pescador deixou que eu pegasse um peixe maior. Cheguei em casa com os peixes na mão e vi o sorriso da minha mãe e dos meus irmãos.
41 - BEBÊ
Na recepção de um hospital havia uma
confusão. Uma suposta grávida queria parir um bebê reborn.
42 - BEIJO
Na primeira vez de um beijo, assistia a um filme, tremi de desejo. Na segunda, o beijo selou nossas bocas na chuva. Dez anos depois, entrei no cinema e, na primeira cena, o sabor do beijo voltou tão forte que gritei.
43 - BELEZA
Numa manhã ensolarada, à beira-mar, encontrei a beleza da natureza. Nessa hora, passava uma moça com megafone bradando frases contra o lixo na praia. De repente, um tumulto. A beleza estava no grito.
44 - BEM
− O bem sempre prevalece − disse o aluno.
− Falou muito bem − apoiou uma colega.
− Que alcancemos esse bem-estar − concluiu o professor.
45 - BIBLIOTECA
Durante a adolescência, juntou uns
trocados e comprou umas histórias em quadrinhos (HQ). Algumas décadas depois, já
tinha centenas de livros. A vida lhe exigiu muito trabalho. No pequeno quarto, uma biblioteca.
46 - BICICLETA
Era hora do recreio da escola. O menino disse para a sua amiga que a imaginava pedalando bicicleta. A menina ficou olhando para o céu. Após alguns instantes, disse que imaginava viajar de avião.
47 - BIOLOGIA
No início do ano letivo, a professora de biologia abriu um livro e leu na reunião de pais, dizendo que a biologia contemporânea já começou a curar doenças genéticas hereditárias, a desenvolver culturas agrícolas mais resistentes e que a densidade de armazenamento do DNA é tão alta que, teoricamente, todos os dados do mundo poderiam ser armazenados em um volume do tamanho de uma caixa de sapatos. Os familiares escutaram atentamente e começaram a questionar. De repente, um gato apareceu saltitando entre as cadeiras e foi aquele alvoroço. Uma senhora se assustou e gritou: Valha! Esse gato saiu da caixa de sapato?!
48 - BISCOITO
Um menino chegou à escola às sete da manhã e foi logo perguntando:
49 - BLOG
50 - BOCA
A primeira vez que meu irmão foi ao
dentista, ainda adolescente, sentou na cadeira do consultório morrendo de medo.
Quando o dentista disse para abrir a boca, o mano saiu correndo sem direção.
51 - BOLA
Assistia a uma partida de futsal de cegos numa escola. Pelos chutes na bola, se ouvia o tilintar dos guizos. A torcida toda em silêncio. Enquanto isso, os alunos corriam e se batiam pelos corredores, causando alguns acidentes. De repente, um gol. A vibração foi geral.
52 - BOLETIM
Seu nome? − Perguntou o escrivão, tentando preencher o boletim.
A mulher, cabisbaixa e chorando, respondeu:
− Meu nome é Maria. Vim fazer um boletim contra a agressão do ex-marido.
Enquanto isso, ela lia no flanelógrafo: ...na estatística da violência doméstica, até quando essa misoginia?
53 - BOLO
O cheiro de bolo tomava conta do meu nariz. Eu ficava circulando a cozinha na espreita do bolo. Pronto! Na mesa estava exposta a delícia de chocolate. Nessa ocasião, minha irmã pegou a forma com tudo e levou para a família que havia encomendado.
54 - BOM DIA
Abri o portão e, como sempre, avistei o padeiro na bicicleta.
− Bom dia! Vai querer pão hoje? Está bem quentinho.
− Bom dia! Sim! Vou querer dois pães.
Foi na hora em que um carro passou sobre uma poça, espalhando lama onde não devia.
55 - BONECA
Fizeram filmes com bonecas que matam
gente. Talvez Pinóquio fizesse gente que amasse.
56 - BORBOLETA
Preso e torturado,
como Papillon, buscava pela liberdade, como borboleta.
57 - BOTÃO
Encontrei um botão no caminho da escola. Usei um cordão e fiz um corrupio. Do outro lado da rua, vi um menino brincando com o celular. Entreguei o achado para ele. A camisa do menino faltava um botão.
58 - BRASIL
Os colonos avançaram, devastando a floresta do Brasil. Os nativos reagiram. Os colonos se tornaram império e depois república. Agora, um entregador de aplicativo sobrevive pela avenida.
Meu irmão mais novo estava numa brincadeira pelo celular, quando mãe chamou:
− Jônatas, vem almoçar!
− Espera um pouco. Depois que eu morrer, vou comer.
60 - BRINQUEDOS
Joguei o cordão e girei o pião. Meu avô olhava e recordava os brinquedos de sua infância. Peguei a caixa com outros brinquedos. Dessa vez, minha irmã correu atrás da sua boneca.
61 - BULLYING
Era um dia diferente na escola porque tinha interclasse. Mas o Gabriel estava no canto da quadra, encostado na grade fria. De fato, ele não foi escalado. Era um a menos. Gabriel, encolhendo-se contra o bullying, viu a partida começar. Para ele, o jogo nunca começava. Era um reserva de uma vida que os outros decidiram que ele não podia jogar.
62 - CABELO
Um dia desses, Zeca entrou no salão que sempre
frequenta para cortar o cabelo. Era a vez dele. Provocou uma conversa para
poder comentar depois.
− É verdade que esta profissão de cortar cabelo
começou no Egito e na Grécia?
− Não sei ao certo. Mas o importante é você estar
aqui para cortar o cabelo comigo.
Nessa hora, chegou o prefeito da cidade e foi logo sentando no lugar do Zeca.
63 - CACHORRO
Tínhamos uma cachorra chamada Piaba. Um
dia, começou a correr em torno da casa como louca, querendo morder todo o mundo.
O sacrifício foi inevitável.
64 - CACHORRO-QUENTE
Às vésperas dos 300 anos da cidade de Fortaleza, o prefeito resolveu distribuir cachorro-quente para os transeuntes na praça do Ferreira. Um nutricionista recusou comer, alegando ser uma “bomba” cancerígena de aditivos químicos e gorduras. Enquanto isso, um grupo de moradores de rua devorava os cachorros-quentes.
65 - CAÇA-PALAVRAS
Na hora do recreio das aulas, alguns discentes foram para a biblioteca
atrás de caça-palavras. Começaram uma dinâmica para ver quem caçava mais
palavras. O recreio acabou e não deu tempo de fazer a contagem. No final do ano,
foram premiados por lerem todos os caça-palavras, além de dezenas de
livros.
66 - CADEIRA
A primeira vez que sentei numa cadeira, não me lembro. Mas não esqueço o tempo das aulas. Imagine?
67 - CADERNO
Na hora de escrever, errou a tarefa e não tinha borracha.
68 - CAFÉ
Em um encontro de formação aberto ao público, antes de um intervalo, a formadora perguntou:
− Qual é a bebida mais apreciada pelos brasileiros?
− Cachaça! − Respondeu um participante.
− Não! É o café!
69 - CAIXÃO
Existia uma idosa que vivia no Sertão
Maranhense que decidiu comprar o próprio caixão para o seu funeral. O tempo
passou e os cupins comeram o caixão.
70 - CAJU
As letras viraram feridas.
O tempo passou, mas ficaram as cicatrizes.
71 -
No calendário da vida, em janeiro, eu nasci. Em fevereiro, ainda estava sendo cuidado pela minha mãe. Em março, estudava o fundamental. Na manhã de abril, já maduro, trabalhava para o meu sustento. Em maio, aprofundava-se nos estudos. Em junho, lutava pelas causas sociais. Em julho, passei pelo meio século de vida. Continuei em agosto na peleja para sustentar a família. Na primavera de setembro, vi a passagem do milênio. Em outubro, brincava com os meus netos e passei por uma pandemia. Em novembro, publicava minhas poesias. Em dezembro, vislumbrava a utopia.
72 - CAMA
A cama parecia vazia. Assim como estava
vazio o sentimento do casal. A filha caçula dormia há meses com a mãe na cama.
O marido dormia no divã.
73 - CAMINHO
No começo do caminho, andei com os meus pais. Depois, passei a andar com
os meus filhos. Em seguida, avancei acompanhando os meus netos e plantando
árvores pelo caminho.
74 - CANETA
Era o começo do expediente numa
escola.
−
Esqueci a caneta. Pode emprestar a sua, professor?
−
Ah, sim! Claro!
O dia passou e a caneta
emprestada não voltou.
75 - CANTAR
Ouvi minha mãe cantar música de ninar. Depois, aprendi na escola hinos e canções. Na igreja, comecei a cantar músicas sacras e até cantos das exéquias.
76 -
No carnaval de Recife, o Galo da Madrugada desfilava na avenida. Mas um vírus derrubou o galo. Mesmo assim, os recifenses improvisaram um galo com as cores da capital e fizeram a folia no ritmo do frevo.
77 - CARRO
Andei, pedalei, pilotei moto e, depois
dos 60 anos, consegui comprar meu primeiro carro. O médico pediu para eu
começar a andar e a pedalar.
78 - CARPINTEIRO
A criança acabara de nascer em Belém de Judá e, de imediato, a família refugiou-se no Egito. Após crescer, passou a viver em Nazaré da Galileia como carpinteiro, ensinando o amor ao próximo. O poder do ódio foi implacável. Em pouco tempo, foi sacrificado numa cruz de madeira.
79 - CARTA
Assisti ao filme “Cartas para Deus” e
passei para as turmas que leciono. Como atividade, pedi que cada um fizesse uma
carta para Deus. No final, percebi várias histórias e depoimentos reveladores.
Enquanto lia uma das cartas, uma lágrima escorria pelo rosto.
80 - CASA
Meu pai conseguiu a única casa própria
em vida para a família aos 50 anos. Eu consegui a primeira das três casas aos
30 anos. Meu irmão caçula comprou sua casa própria na Itália, antes dos 40,
possui um veículo e vive como enfermeiro.
Dois garotos conversavam no quintal de casa:
− Qual animal você gostaria de ser?
− Um cavalo.
− Por que cavalo?
− Porque é muito forte.
− Pois eu seria uma águia para voar alto e em liberdade.
82 - CAVERNA
Em uma conversa na sala de aula, disse o professor:
− Platão ensinou com o mito da caverna que os seres humanos confundem o mundo das aparências − as fake news com a verdadeira realidade − ficando presos pelas percepções do senso comum. É preciso sair da caverna da ignorância pelo conhecimento que provoca reflexões críticas em favor da liberdade e da fraternidade. É necessário coragem para questionar os preconceitos no mundo contemporâneo e lutar contra a alienação.
− Professor, o mito não é uma mentira?
− Não! O mito é uma narrativa sobre uma realidade em busca de uma verdade.
83 - CEBOLA
Estava assistindo ao filme “O Caçador de Pipas”.
− E aí, voce gostou?
− Pensei algo mais lúdico. Mas descobri uma curiosidade.
− Qual?
− No filme, o garoto questiona a história do outro, que conta que um homem conseguiu transformar as lágrimas em pérolas e, para tanto, sacrificou a esposa. Então, o questionamento era: por que o homem não cortou uma cebola para conseguir as lágrimas?
84 - CELULAR
De primeiro, anotava tudo num caderno.
Até datilografei. Agora digito tudo pelo celular. Mas procurava algumas anotações antigas nos cadernos.
− Espere aqui que vou pegar o dinheiro.
Assim que desceu, o motorista espantado deu partida apressado, cantando pneu.
86 - CERCA
Um sertanejo disse para um político no palanque eleitoral:
88 - CÉU
− Pai, o que é o céu?
− O céu é percebido no espaço com suas estrelas, a lua, o sol…
Antes de continuar respondendo, fui interrompido para uma reflexão.
− Pai, eu aprendi que o céu é a casa de Deus.
89 - CHÃO
Um aluno cogitou ao professor sobre a palavra "chão". O professor pegou um violão e começou a cantar o Funeral de um lavrador de Chico Buarque. A classe parou para ouvir o roçado, a cova medida e o destino de um agricultor. No decorrer do ano, a turma toda havia plantado uma horta na escola.
90 - CHAPÉU
O chapéu social
de massa marrom escuro, bem elegante, estava pendurado na cabeceira da cama. A viúva via todo dia aquela imagem como lembrança. Um dia, entrei no quarto para uma visita e vi que o chapéu não estava mais lá.
91 - CHAVE
Todos os dias de manhã, de segunda a sexta, eu e minha esposa saímos para trabalhar. Cada um tem a sua chave de casa. Um dia, tive que voltar para casa no horário do almoço. A distância de casa para o trabalho é de uns 15 km. Ao chegar em casa, percebi que não estava com a chave. Puts!... Voltei para resolver o problema. Mas, tive que pensar em algo melhor para passar a raiva.
92 - CHORO
O choro da criança incomodava tanto que todos ficavam olhando com inquietação. A cuidadosa mãe acalentou-a com um abraço, percebendo que o choro é outra linguagem a ser entendida.
93 - CHUVA
Ao sair para o trabalho de manhã cedo, uma chuva torrencial começou de imediato. Deixei-me envolver pela natureza. Não reclamei da chuva. Preveni. Já no trabalho, escutei muitas reclamações.
94 - CIDADE
O professor de filosofia explicava:
− A cidade é um espaço público democrático...
Enquanto isso, um cidadão revirava o lixo em busca de alimento.
95 - CIÊNCIA
Nas férias, em um domingo de sol, contemplando o
mar sobre o espigão da praia de Iracema, da orla marítima de Fortaleza, percebi
a imensa dimensão da natureza frente à Ciência. Lembrei da notícia de erosão nas
praias de Caucaia por causa do espigão. Nessa hora, uma onda muito alta inundou
o local. Os praianos correram rumo ao calçadão.
96 - COMPUTADOR
97 - CONFUSÃO
O avô pediu ao filho que o neto fosse à casa da tia deixar um pacote para a prima que estava com a madrasta − a esposa do avô. O neto fez uma confusão, tratando a madrasta como vó, a quem entregou o pacote. Tal encomenda voltou ao avô, pois era dele próprio o que estava na embalagem.
98 - CONHECIMENTO
99 - CONSCIÊNCIA NEGRA
No banco
de madeira do fórum, Dandara olhava para as próprias mãos, calejadas e pretas.
Ao seu lado, a advogada Zuri consultava arquivos pelo notebook sobre a
consciência negra.
− Mais um
adiamento, Dandara. O juiz alegou excesso de serviço.
Dandara
soltou um riso amargo, sem tirar os olhos do chão.
− Excesso
de serviço ou descompromisso? Já perdi a conta de quantas vezes vim aqui desde
o ano passado.
− Não é
só com você − Zuri suspirou, abrindo uma pasta de relatórios.
− 2025 bateu recordes. Foram quase 8.700 novos processos de racismo e
injúria racial no Brasil. As pessoas estão denunciando mais, o silêncio está
acabando.
−
Denunciar é o de menos, doutora. O difícil é o "depois".
− Você
tem razão. O sistema está entupido. Temos hoje mais de 13.400 processos pendentes de julgamento. É uma fila que parece
não andar, uma morosidade que pune a vítima duas vezes.
Dandara
finalmente a encarou.
− E
quando anda, chega onde? Ouvi dizer que a maioria sai rindo pelo outro lado da
porta.
Zuri
hesitou, mas não mentiu.
− Os
dados de 2025 são duros: apenas 39,5%
das decisões resultaram em condenação. Quase dois terços dos casos
terminam em absolvição ou prescrição.
Dandara
levantou-se, ajeitando o cabelo.
− Se eu
perco o dia de trabalho vindo aqui, falta comida. Se meu patrão me xinga e eu
processo, ele paga um advogado caro e espera o tempo apagar o crime. Sabia que 72,9% de quem passa necessidade nesse
país tem a minha cor? A gente não tem tempo para a lentidão da justiça,
doutora. A fome não espera o juiz assinar o papel.
Zuri
guardou os papéis em silêncio. No corredor vazio, o eco dos passos de Dandara
era o único som que restava de uma estatística que insistia em não virar
justiça.
100 - COORDENAÇÃO
No
dia 22 de agosto, a sala da coordenação estava toda enfeitada e com a presença
de todos os docentes para parabenizar o dia da coordenadora. Nessa hora, entra
uma criança chorando e com o joelho ralado para ser atendida.
101 - COR
− O que é cor?
− É o reflexo da luz do ambiente no momento em que é captado pelo cérebro, podendo ser expresso no papel, em telas ou em teorias, para significar um sentido.
102 - CORAÇÃO
O filho, aflito com a namorada, pergutou:
- Mãe, como entender o coração?
- O coração, meu filho, a cada instante, fala para o corpo todos os sentimentos de dores e alegrias na duração da vida, através da pulsação dos sentidos e das tramas percebidas no cotidiano, em razão da existência na convivência.
103 - CORPO
Meu corpo fala. Quando nasci, não lembro. Mas sei que morei em muitos lugares. Atravessei várias pontes para sobreviver, quando via tantos sem ter o que comer. Também sofri pela falta de oportunidade. Superei a vida pelos estudos.
104 - CRIANÇA
Uma
criança perdida entrou na igreja, numa missa de domingo, na hora da comunhão. Quando
viu aquela fila para a eucaristia, seguiu adiante para acompanhá-la. Nessa
hora, a mãe da criança entrou desesperada procurando-a. Uma freira que
ministrava o ritual, parou um instante a cerimônia e acolheu a criança e a mãe.
105 - CRUZ
Tu carregas no peito uma cruz desde pequeno. Olhas para as tuas mãos e percebes um vazio. Tu fechas os olhos, respiras o ar quente e, finalmente, decides lutar. Entendeste que tua cruz estava presente em cada sofrimento humano.
106 - CUSCUZ
Curtindo
a festa junina do Nordeste brasileiro em Caruaru, encontrei uma barraca com o letreiro: Cuscuz.
Por curiosidade, aproximei-me e vi um escrito explicativo que dizia: O cuscuz tem origem no Norte da África,
provavelmente antes do século X, e foi introduzido no Brasil pelos portugueses,
tornando-se base alimentar no período colonial. A palavra cuscuz reproduz o som
do vapor na cuscuzeira.
107 - DADO
O copo de
plástico foi chacoalhado. Três dados rolaram sobre a mesa desgastada. Um dado
caiu no chão. Um gato pulou, derrubou a mesa e correu com o dado na boca.
108 - DANÇA
Na noite de São João, na quadra da escola, a noiva da quadrilha era a grande atração com a sua dança, em plena alegria como um cisne a bailar. Porém, uma criança correu em sua direção e toda a plateia se levantou ansiosa. E a criança entrou na dança gritando: Mamãe!
109 - DEBATE
Comecei o debate dizendo: Acordei cedo. Fiz o café e arrumei a casa. Peguei o ônibus lotado, tomei chuva, vi no semáforo crianças famintas e pedintes, enquanto ia para o trabalho até findar o dia. Agora me diga a sua rotina.
110 - DEMOCRACIA
Em dia de
eleição, um menino perguntou ao pai:
− Pai, o
que é democracia?
− Vou
tentar explicar da melhor forma. Vejamos. Podemos dizer que decidir em família
para onde vamos passar as férias, escolher a pintura da casa, eleger um
representante de classe...
Antes que o
pai terminasse, o menino retrucou:
− Pai,
podemos decidir agora tomar um sorvete?
111 - DESENHO
Obserrvava uma criança sentado no chão, quando avistei um desenho que riscava na areia. Meu penamento flutou no tempo da imaginação.
112 - DESERTO
O frade falou para os novos seminaristas:
- Amanhã, domingo, iremos fazer um retiro.
Logo cochichei para o amigo do meu lado:
- Que bom! Vamos nos retirar e curtir uma praia.
- Não é retiro para uma praia - respondeu de imediabto o amigo -, é retiro espiritual. Vamos passar o dia inteiro no convento em oração.
113 - DIA
Em um dia de luz, com a porta de casa aberta, contemplava a natureza e, em cada pessoa, sentia a convivência, até o último suspiro.
114 - DIÁRIO
Depois da avaliação final, na escola onde trabalho, peguei o diário de classe para conversar com os pais que estavam apreensivos. Não encontrei o diário. A situação ficou confusa. Abri o notebook e acessei o resultado na planilha do diário virtual.
115 - DIDÁTICA
−
Didática é o que acontece na escola para gerenciar a aprendizagem e o
protagonismo dos discentes – falou a coordenadora pedagógico.
−
É também a forma híbrida e inclusiva que envolve a tecnologia, a reflexão e a valorização
da saúde mental – abordou uma professora do atendimento especializado.
−
Esses são os caminhos da didática, e tem mais, – acrescentou a professora da educação
infantil −, as avaliações personalizadas, a tolerância a erros e o cuidado com o
outro para o desenvolvimento humano integram a didática.
116 - DINOSSAUROS
O avô contou para o neto que, quando era garoto, colecionava num álbum figuras de dinossauros. O neto quis ver os dinossauros. O avô levou-o para o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.
117 - DIREÇÃO
Chegando
em casa, depois da aula, o menino entrou apressado e faminto, dizendo:
−
Mãe, hoje eu estive na direção!
E
a mãe, lá do quintal, pergunta:
−
Na administração?
−
Na direção, mãe!
−
Mas, que condução?
−
Não é condução, mãe! É di-re-ção!
−
Então, qual o sentido disso?
−
Ah, mãe, também não entendi, não.
118 - DIVERSIDADE
Um ancião, com uma túnica com as cores do arco-íris, em seu aniversário, subiu num trio elétrico com frases de inclusão e respeito humano, começou a cantar para a diversidade.
119 - DIVÓRCIO
Um casal de namorados se beijava apaixonadamente. Anos depois, o divórcio.
120 - DOCE
Era
férias na casa da vovó. A criançada corria para lá e para cá. A avó gritou:
−
Quem quer doce?
A
correria foi maior em busca do doce.
121 - DOR
Era um domingo, quando parei no meio do caminho por causa de uma dor. Os amigos me acolheram e levaram-me para o hospital. Na emergência cirúrgica, fui operado para tirar uma pedra do rim causadora da dor.
122 - DORMIR
Era
tarde da noite de carnaval numa casa de praia, chovia muito, assistia a um filme de
terror e não conseguia dormir. Desliguei a TV. A chuva parou. O trio elétrico
passava. Não consegui dormir.
123 - DUENDE
No
Dia de Finados, na casa dos avós, o menino afirmava:
−
Mãe, eu vi um duende.
−
O que é isso, menino?! Isso não existe. Está vendo coisa.
−
Existe, sim! Eu vi!
−
Viu onde?
−
Vi correndo lá no quintal.
A
avó pondera:
−
Esse menino viu foi o cabrito do vizinho que vive pulando a minha cerca.
124 - ECOLOGIA
No
Dia da Ecologia, celebrado em 5 de junho, uma jovem manifestante com
megafone na mão, bradava no meio da praça de sua cidade:
− Gente da nossa terra! Somos todos terra! Fogo! Água! E Ar! Somos
ecologia! Somos da mesma casa da vida! Precisamos cuidar melhor da natureza! Combater
o desmatamento e a poluição! Proteger, restaurar e promover a sustentabilidade
responsável!...
Nessa hora, algumas pessoas estavam jogando lixo no canteiro da
rua.
125 - EDUCAÇÃO
No começo do ano letivo, numa reunião da escola, uma mãe comentou
sobre a educação:
− Assevero que aprendi aqui, que a educação começa em casa com a família.
126 - ELEFANTE
No final da vida, na antiga savana africana, um elefante idoso com
seus 70 anos, com dificuldade de locomoção e até para se alimentar, caminhava
lentamente afastando-se da manada.
127 - ENCHENTE
Era maio de 2024. Choveu por 22 dias no Rio Grander do Sul. O lago Guaíba subiu 5,37 metros. A enchente afetou 60% do território estadual. Foi uma calamidade pública. Para muitos a vida inteira coube em uma mochila nas costas. No telhado da casa, um menino aprendeu a pescar suas próprias memórias.
128 - ENSINO
O ensino veio na prática. Depois do almoço, Zé Valdo estava em
casa lendo as instruções de um celular, enquanto seu neto mostrava como mexer
no aparelho.
129 - ERVA-DOCE
Numa aula de ciências, a professora começou a falar sobre a erva-doce. Disse que passou a ser cultivada pelos egípcios (1550 a.C.), gregos e romanos, para usos medicinais, culinários e aromáticos. Em seguida, abriu uma garrafa térmica com o chá de erva-doce sem açúcar e ofereceu aos ouvintes. Somente os diabéticos aceitaram.
130 - ESCADA
Nos primeiros dez anos de vida, subi alguns degraus da escada. Com
o tempo, consegui chegar no topo da escada.
131 - ESCOLA
Maria estava de férias da escola e foi visitar a tia no interior. Chegando
lá, viu que a tia fazia do seu alpendre uma escola para as crianças
desprovidas.
131 - ESCRAVOS
Na escola, as crianças cantavam Escravos de Jó.
132 - ESCREVER
Em casa aprendi a falar; na escola, a escrever. Fiz milhares de poemas românticos, mas ela me deu o fora por mensagem de áudio.
133 - ESCRITOR
Ao publicar meu primeiro livro, meu neto de nove anos fez uma pergunta de mercado:
− Vô, ser escritor, dá dinheiro?
No instante em que pensei, respondi:
− Faça o que te torna feliz.
134 - ESCUTAR
Em um domingo, uma mulher negra, ao entrar no shopping, foi abordada sob suspeita por um segurança da loja e foi conduzida à gerência, que não quis nem escutar a mulher.
135 - ESPANADOR
Era dia de faxina na casa. O espanador estava esquecido debaixo da pia e ninguém sabia. A casa ficou empoeirada.
136 - ESPELHO
No meu aniversário, olhando para o espelho de dois metros de
altura, que fica no meu quarto, ouvi uma voz que dizia: Sobre o olhar vivo desse portal mediador reflete a tua autoimagem.
137 - ESPERANÇA
No inverno, numa comunidade de agricultores e apicultores, a
produção de mandioca era a sua subsistência, mas foi
atingida por um fungo que causou a podridão das raízes de toda a plantação. As
abelhas fizeram uma boa produção de mel. Foi a esperança da lavoura.
138 - ESPIRITUALIDADE
Numa
segunda-feira, cedo da manhã, Pedro andava apressado rumo ao trabalho, quando
viu na calçada um morador de rua pedindo uma ajuda. Pedro parou, pensou e deu sua
marmita para o desabrigado, que agradeceu:
−
Obrigado, moço, pela sua espiritualidade.
139 - ESTUDO
− Pegue seu livro, caderno, lápis, borracha e vamos estudar, disse o pai.
− Mas eu não quero estudar agora! Quero brincar! Retrucou o filho.Após uma discussão, o menino, chorando de raiva, estava à mesa com o pai que pensava qual futuro seria do filho.
140 - ESTADO
Em meio a um debate na aula de história, o professor explicava que o Estado existe para proteger os cidadãos. Uma aluna pensava na mãe que recolheu o corpo do filho, morto por facção, e descobriu o verdadeiro estado do seu luto.
141 - ESTRADA
Seu Geraldo conduzia o caminhão pela estrada com tranquilidade e há três dias não dormia direito. A carga de soja precisava chegar em Recife até o amanhecer. Era tarde da noite. De repente, um clarão o fez pisar no freio bruscamente. Era uma miragem.
142 - ESTRANGEIRO
José era observado pelo atendente de migração apenas pela cor da
sua pele e pelo passaporte. Não foi acolhido. Sua mochila foi revistada em busca
de alguma irregularidade que não existia. Seu trabalho noutro país foi negado
por ser estrangeiro afrodescendente.
143 - ESTRELAS
Numa
noite de lua cheia, Maria estava deitada no gramado com o namorado, fascinada,
admirando a luz das estrelas, vendo o passado, entre as nebulosas, viajando no
tempo.
144 - ESTUDANTE
Acordou
cedo e um pouco apressado, tomou banho, bebeu um café solúvel, arrumou a
mochila e colocou o notebook e alguns livros dentro, deixou um recado escrito
sobre a mesa, subiu na moto e acelerou. Parou numa blitz e um policial abordou perguntando a profissão:
−
Sou estudante.
145 - ESTUDAR
Sentei-me à mesa e liguei o notebook. Ao lado,
uma pilha de livros para consulta. Na cozinha, uma conversa sobre o que fazer
para almoçar. Na sala, as crianças assistindo TV. O cachorro da vizinha latindo. O celular não parava de tocar. O que mais queria e tentava fazer era estudar.
146 -FACA
Numa reunião empresarial de final de ano com pessoas de diferentes
setores da vida, a conversa começou com uma pergunta:
− Para que serve a faca?
− Serve para matar – respondeu o primeiro.
− Matar? Como assim? – Indagou uma mulher, e completou:
− Não, gente, a faca serve para cortar o pão, passar manteiga, cortar carne, verduras...
147 - FACEBOOK
Venderam vários produtos criativos pelo
Facebook no período de férias. No final, o lucro não deu nem para uma camisa, mas
a ideia gerou novos encontros.
Na noite de lua cheia, no assentamento, na casa das primas, chovia muito. Contavam histórias de fadas. As adolescentes, à luz de vela, por falta de energia, estavam sobre a cama imitando fadas e agitadas devido a uma borboleta que voava dentro do quarto. De maneira abrupta, a mãe de uma das meninas, toda de branco e com espanador na mão, abriu a porta. A borboleta espantada começou a estalar sons com as asas e apagou a vela...
149 - FAMÍLIA
Rezávamos o terço em família pontualmente às dezoito horas. O tempo mostrou que a família tradicional não estava mais presente com os mesmos costumes. Os netos entravam na velha casa com o celular na mão sem muita conversa.
150 - FARINHA
Olhei para um saco de farinha no supermercado e imaginei o meu avô. Passou a vida inteira plantando mandioca. Colhia, botava de molho, descascava, triturava, prensava, peneirava, torrava e ensacava. Estava pronta a farinha. Quantos não sabem o que era a farinhada.
151 - FÉRIAS
Em uma manhã, bem cedo, nas férias de julho, em casa, eu e a minha esposa estávamos prontos para fazer uma viagem. De repente, aconteceu o que não prevíamos, começou a chover. Abri o porta-malas do carro e um raio iluminou o céu, seguido de um monstruoso trovão. O celular tocou. Com precaução do raio, entrei em casa e atendi à ligação. Era meu filho desejando uma boa viagem de férias.
152 - FILOSOFIA
O velho professor de filosofia passou a vida analisando a essência humana nos livros; morreu procurando entender por que tantas distrações digitais, enquanto pessoas morrem na miséria.
153 - FRAÇÃO
Vou entrar em ¼ para rezar ⅓ e arranjar ½ para comprar 3/6 de
laranjas.
154 F F F
- GALINHA
Num dia de domingo, numa fazenda, uma
galinha se assustou com a sua própria sombra e, com medo, agitou as outras
galinhas que saíram correndo amedrontadas de uma coisa que não existia.
- GATO
Uma adolescente, no final da tarde,
sozinha em casa, desesperada, ligou para os bombeiros:
− Alô! É dos bombeiros? Preciso urgente
tirar meu gato que ficou preso entre as paredes estreitas na casa do vizinho,
antes que a minha mãe chegue.
- GUARDA-CHUVA
Sob o guarda-chuva que não guardava a chuva, o casal dividiu o espaço, as opiniões e o sol; no ponto de ônibus, ele queimou os pés, e o o guarda-chuva ficou esquecido no chão.
- HISTÓRIA
Do jardim original ao xadrez da cidade, a terra gigante viu a cruz abafar o canto do zabelê e o ouro virar fumaça mar afora. Hoje, sob o sol tropical que ainda finge sorrir, quem outrora reinava na mata busca um quilo de comida na rua, descobrindo que a história não lhe reservou sequer uma xícara de chá.
- IDEIAS
Um cidadão da sociedade tecnológica e capitalista,
morador de rua que havia largado tudo para viver no mundo como andarilho,
dizia:
− Platão foi um filósofo grego, que
criou a teoria do Mundo das Ideias, como algo eterno e perfeito, na busca pela
verdade − e ponderou − compreendem o que
isso quer dizer para a convivência humana?
- IDOSO
Quando eu fazia pagamentos pelo
autoatendimento do banco, aconteceu que num desses dias, demorei porque tinha
que pagar todos os boletos. A minha filha, que me esperava ao lado da fila,
ouviu uma menina dizendo para a mãe:
− Ah, mãe. A fila está demorando porque
tem um idoso ainda fazendo pagamento.
- INVENÇÃO
Serei uma estrela lá no céu, como um
grão de areia que vejo aqui da Terra. Lá, estarei brilhando na imensidão,
igualzinho agora, como quem me lê nessa invenção.
- INSÔNIA
- JACARÉ
No rio Amazonas, na Ilha de Marajó, vi um jacaré que ficou paralisado, porque um pescador ofuscou com uma lanterna os olhos do animal à noite. Mas não durou nada para um ataque.
- KARAOKÊ
A família reuniu em casa os parentes para um karaokê no dia das mães. Na hora, faltou energia.
- LABORATÓRIO
No início do ano letivo, o professor
afirmou aos discentes:
− A sala de aula é o laboratório do
pensamento.
Enquanto isso, entre os alunos havia
joguinho de papel.
- LÁPIS
O aluno, toda semana, pedia um lápis na coordenação da escola, até que um dia passou a estudar pelo notebook.
- LÁGRIMA
Contei para a minha mãe sobre a minha
separação. Ela escutou tudo em silêncio, enquanto a lágrima escorria pelo rosto como um
caminho de uma vida.
- MACACOS
Na trilha amazônica, o garoto apontou para a copa vazia e perguntou pelos macacos. O guia, sem parar a caminhada, respondeu que sessenta por cento deles já não tinham onde morar; a família seguiu em silêncio, ouvindo apenas o eco distante de uma motosserra.
- MÃE
O menino chegou em casa cheio de
curiosidade e começou a falar abertamente, indagando:
− Sabem o que é na vida a terra, a água,
as árvores e a lua? Respondo: a mãe!
- MAL
Olhou para o corpo na terra, limpou o sangue da faca e percebeu o mal que fez.
- NAMORO
A professora combinou com a turma do 9º ano um debate sobre namoro. Dois olhares se cruzaram e a timidez perdeu de goleada.
1 - NETO.
Voltamos do cemitério sem o meu neto de seis meses. No jardim de casa, uma borboleta pousou no meu ombro e sussurrou o nome dele.
1 - NOITE
Passei a noite vendo o tempo passar.
1 - NÚMERO
No hospital:
− Qual é o número?
Na varanda de domingo, balancei a rede, fechei o livro. Dos meus pés descalços, escorreu a areia do oásis dos Lençóis Maranhenses.
1 - OLHOS
Elisa olhou para o espelho e depois
encarou Mona Lisa de Da Vinci. Seu sorriso nordestino e seus olhos negros
sustentavam o mundo.
1 - PAI
Madrugada alta no quarto. Como pai, sorri ao ler sobre os hormônios do cuidado, enquanto ouvia, no quarto ao lado, o filho ninar o bebê com a mesma paciência que passei.
1 - PAIXÃO
Tive uma grande paixão. O tempo passou.
Fiquei maduro.
1 - PALAVRA
Atrasei para a oficina de mímica no
Centro de Eventos. Assim que abri a porta, o instrutor apontou o dedo em minha direção e
disparou:
− Com a palavra!...
1 - PAZ
No muro estava escrito com sangue: Paz!
1 - POESIA
Abriu o livro de poesia para resumir sua vida. Bastou uma rima para contar todo o casamento.
1 - POLÍTICA
Na dividida cidade de Esperança, onde a mídia trocou debates por agressões, um estampido seco no palanque tombou a líder da reforma agrária, executada pelas sombras de uma elite. Enquanto a multidão chorava no caixão simples do cemitério periférico sob a chuva, a direita brindava em jantares de gala, certa de que a ideia morrera por asfixia sob a terra trancada. Três dias depois, o vigia correu com olhos saltados: a lápide rachara e, de volta à praça manchada de sangue, ela discursava com o furo da bala visível no peito surrado, espalhando o pânico pela política do Congresso como uma semente viva renascida da terra.
1 - POMBO
O pombo voou até a janela, acenou, abriu as asas e partiu.
1 - PRESO
O juiz bateu o martelo e absolveu o político dos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. No mesmo tribunal, noutro momento, a lei funcionou célere: um lavrador foi condenado e preso por raspar casca de árvore em área de preservação, cujo único crime fora tentar fazer um chá para salvar a mulher doente.
1 - QUADRA
Em período de inverno, a quadra da
escola estava alagada e os alunos improvisaram um futsal aquático. Um chute na
bola embarcou direto para o quintal do vizinho que tinha um casal de pit bull.
1 - QUADRO
No Museu do Ipiranga, o historiador explicava que Pedro Américo pintou "Independência ou Morte" em Florença, em 1888, sessenta e seis anos após o fato, assemelhando-o a Napoleão Bonaparte. Diante dos visitantes confusos, ele revelou que D. Pedro I não usava trajes oficiais, viajava em mulas e burros — mais resistentes ao terreno lamacento e íngreme — e não em cavalos. Apontando para o canto esquerdo da tela, mostrou o camponês com o carro de boi, símbolo de um povo passivo que assistia à cena ao lado de uma cocheira, enquanto o herói da Pátria, na realidade, queixava-se de fortes cólicas intestinais.
1 - RACISMO
Uma mulher foi barrada ao entrar no shopping. O segurança esticou o braço, frio e intransigente.
−
Não pode passar por aqui, senhora!
−
Por quê? − ela perguntou, segurando firme a alça da bolsa.
−
Prestadores de serviços de limpeza não devem passar pela loja.
−
Mas...
−
Não tem mais! − o homem cortou, elevando o tom de voz diante dos clientes que
começavam a olhar. − Você, com esse “cabelo duro”, está “escurecendo a loja”.
O chão pareceu faltar sob os pés dela, mas o orgulho falou mais alto.
− Isso é racismo!
O segurança cruzou os braços, adotando uma postura defensiva e cínica.
−
Como é? Está me acusando? Agora está sendo violenta. Volte para a sua região de
origem?
Ela
ergueu a cabeça, as lágrimas de humilhação transformadas em uma promessa firme
de
justiça.
−
Saiba que vou denunciar por me tratar com racismo.
Ele
soltou um riso de desdém, dando as costas como se o teto de vidro do shopping o
protegesse de tudo.
−
Será mais uma denúncia de pessoas como você. Acha que vai dar em alguma coisa?
1 - RÁDIO
Numa roda de conversa entre amigos, o mais velho do grupo tentava resgatar o passado:
− Sabia que a famosa Torre Eiffel foi curiosamente salva da demolição por se tornar uma antena de rádio para transmissões militares e públicas no início do século XX?
Olhando para a tela do celular, sem pressa de entender a história, o mais novo revidou:
− Muitos franceses pensam que essa torre parece mais um monte de ferro enferrujado, não é?
O silêncio que se seguiu na mesa deixou claro que, para os novos tempos, a utilidade de um monumento — ou de um velho — dura apenas enquanto serve de sinal.
1 - SABER
Era uma noite chuvosa numa escola da prefeitura de Fortaleza.
Um grupo de trabalho assustou-se com um raio, mas o estrondo retumbante
do trovão foi amedrontador.
Outro raio faiscou escola adentro.
− O que foi isso?
− Vai saber...
Era a luz da lanterna do vigilante que deambulava pelo corredor da
escola.
1 - SAGRADO
Andei de sala em sala, numa escola do Bom Jardim, em Fortaleza, com um caderno na mão e uma pergunta na mente: o que é o sagrado?
Os primeiros alunos responderam com o peso da tradição: a eucaristia, a oração fervorosa, os símbolos religiosos e os gestos de caridade. Mas o giz parou no ar quando cheguei aos fundos da última classe. Ali, onde a realidade aperta o estômago antes de tocar a alma, encontrei a resposta que redefiniu o templo: o sagrado é, simplesmente, um prato de comida.
1 - SERRA
A sombra
escura da serra vista de longe lembrou-me os anos da Criação. De perto, porém,
o som das motosserras anunciava o Apocalipse.
1 - SÍLABA
Cravei na parede da gruta o meu macroestudo sobre as sílabas do português, crente de que a gramática faria brilhar nossa cultura. Cruel foi a decepção diante do analfabetismo funcional do país. Ali, um pedreiro instruído contemplou o cartaz e leu os versos sobre a promessa de um atleta afrodescendente, lesionado em um acidente, que buscava um milagre da padroeira caminhando com uma flor na mão. Naquela noite, percebi que tinha muito a aprender nas entrelinhas complexas do povo. Sob uma chuva que inundava as ruas de águas barrentas, peguei a bicicleta emprestada, ajeitei o chapéu e segui o ciclo, refletindo sobre o globo e respeitando o pluralismo de cada sílaba.
1 - SONHO
Tive um sonho. Sonhei com ex-alunos já
formados, casados e bem-sucedidos. Eu ainda não estava aposentado.
1 - TABUADA
O aluno contava nos dedos perdidamente.
− Professor, por que esse nome “tabuada”?
− Porque a palavra
"tabuada" vem de "tábua", referindo-se às tábuas de argila
ou pedra, criadas pelo filósofo grego Pitágoras para fazer seus cálculos.
O menino continuou a atividade no caderno sem entender contando nos dedos à toa.
1 - TECNOLOGIA
O cliente acariciou o aço carbono do novo veículo, sorrindo com a promessa de total isolamento. Trancado na cabine à prova de fuzil, ele não ouviu os gritos de socorro na calçada, celebrando a tecnologia que enfim o protegia da barbárie humana.
1 - ÚLTIMO
No leito de morte, no último suspiro, a ancestral disse que via uma dimensão dinâmica e imensurável.
1 - VASO
Quando eu era menino e morava em Olinda, minha avó usava um vaso para urinar. Depois que mudamos para Fortaleza, vovó adoeceu e foi internada num hospital. Foi aí que aprendi a chamar o vaso de comadre.
1 - VELÓRIO
O culto terminou e o céu de Caucaia finalmente limpou. Prometi que a pegaria se não chovesse, mas o atraso já não importava mais: o velório para o qual corríamos agora era o dela.
1 - WHATSAPP
Na hora do almoço, a mãe chamava o filho
adolescente várias vezes. Depois de algum tempo, encontrou-o no quarto enviando
mensagens pelo WhatsApp.
1 - XADREZ
O menino chegou em casa e disse para a mãe:
− Ô, mãe! O professor falou lá na escola
que vamos fazer parte da equipe do xadrez.
− Que é isso, menino? Vocês vão ser presos?!
− Não, mãe. Xadrez aqui é um jogo de
tabuleiro para duas pessoas.
1 - YAKISOBA
Chegando em casa, a avó perguntou para a neta:
− O que tem para comer?
− Yakisoba, vó.
− Só tem uma sobra? – Indagou a avó, sem entender.
− Não, vó. É macarrão.
− Ah! Vou querer a sobra mesmo.
200 - ZANGÃO
No primeiro dia de aula de ciências, a professora perguntou o que era um zangão. Uma menina disse ser um monstro brabo; outra jurou que era um garoto zangado. No fundo da sala, o menino abriu o livro e leu a definição sobre o macho e a rainha. A professora sorriu, sem saber que, na hora do recreio, seriam os punhos do garoto zangado que ensinariam a real força daquele bicho.
FÉ
Aconteceu o inesperado. A filha que sofria na UTI não resistiu. Assim que a mãe entrou o médico disse para ter fé. A filha se levantou.
FELICIDADE
Andando pelas ruas encontrei a felicidade. Hoje estou casado com ela.
FESTA
No final do ano as crianças fizeram a festa na escola ......
F: Ficha Figura Filosofia Física Flauta Flor Floresta Foca Fogo Folclore Fome Forma Formiga FRATERNIDADE Frio FUTEBOL
G: Garrafa, Garfo, Gato, Geladeira, Geografia, Girafa, GIRASSOL, Gostar, Gota, Grafite, Gramática, Grupo, Guarda, Guarda-chuva, Guerra (o absurdo que desumaniza)
H: HABILIDADE HARMONIA Helicóptero HIPOPÓTAMO Horário Horta Hospital HUMANO
I: Inclusão Interpretar, Investigar, Imagem, Idade, Ilustração, Igreja, Incêndio, INDÍGENA, Inovação, INDÚSTRIA, Irmão, Ilha, Inseto, Infância, Instagram.
J: Janela, Jangada, Jardim, Jogo, Jornal, Judô, Juntar, Justificar
K: Karma, Kiwi
L: Laranja, Leão, LEI, Leite, LEITURA, LETRA, LIBERDADE, LIMÃO, LINGUAGEM, LISTA, Livro, LIXO, Lua, LUCRO, Luta, Luto, Luz.
M: MALA, MAL-EDUCADO Mandacaru MANGA MAR Matemática MATERIAL MÉDICO MEDO MEIA MEIOAMBIENTE MELANCIA MENSAGEM MENTIRA MERENDA Mesa MISTÉRIO Modelo Morte MOTORISTA MOVIMENTO Multimídia MUNDO Museu MÚSICA
N: NÃO, NARRATIVA NATAL, NATIVO, NATUREZA, NAVIO, NEVE, NINHO, NÍVEL, NOITE, NOME, NORDESTINO, NOTÍCIA, NOVO, NUVEM.
O: OBJETO, OBSERVAR, OCEANO, Óculos, OFICINA, ONÇA, ÔNIBUS, ORAÇÃO, Orelha, OSSO, Ouvir, Ovelha, Ovo.
P: PANELA, PÃO, PAPEL, PASSATEMPO, PATO, PAU-BRASIL, PAZ, PÉ, PEDRAS, PÉ-DE-MOLEQUE, PEIXE, PENSAR, PENTE, PERDÃO, PERIGO, PESSOA, PETRÓLEO. PIANO, PICOLÉ, PIPA, PINTAR, PIPOCA, PLANTA, PLANETA, POBREZA, POESIA, POETA, PONTE, PORTA, PORTUGUÊS, PRAIA, PRATO, POTE, POVO, PRAÇA, PRODUÇÃO, PROFESSOR/A.
Q: Qualidade Quarto QUEBRA-CABEÇA Queijo Quente Quilo Química Quintal
R: RATO, Razão, RECREIO, Rede, REGRA, Relógio, RESOLVER, RESPEITO, RETRATO, REZA, RIACHO, Rima, RIO, Roda, Rosa, Rosto, RUA.
S: SAL, 200 SANGUE, SAPATO, SAPO, SAÚDE, SECA, SECRETARIA, SEGREDO, SEMÁFORO, SEMENTE, SENTIMENTO, SENTIR, SEQUÊNCIA, SERRA, SERTÃO, SEXTA-FEIRA, SILÊNCIO, SIM, SINO, SÓ, SOCIAL, SOFÁ, SOL, SOM, SORRISO, SUCO.
T: TAPETE, TARTARUGA, TATU, TELEFONE, TELEVISÃO, TEMPO, Terra, TESSOURA, Texto, TIJOLO, TINTA, Tigre, TOMATE, TRABALHO, Transporte, TRAVA-LÍNGUA, TREM, Tristeza, Tupi.
U: UMBIGO, UNHA, Unidade, UNIFORME, UNIR, UNIVERSO, Urso, URUBU, Utensílio, Utopia, Uva
V: VACA, VALOR, VELA, VELHO, VENTO, VERBO, VERDADE, VESTIDO, VIAGEM, VIDA, VINHO, VIOLÃO, VISUAL, VIVÊNCIA, VOLUME, VOTO, VOVÓ, VOZ.
W: Whisky Wi-Fi
X: XAMPU, XAROPE, XERETA, Xerife, XEROX, XÍCARA, XILOGRAVURA
Y: Yoga, YouTube
Z: Zebra, Zíper, ZOOLÓGICO, ZOMBAR, Zona. 289 (+ 11 = 300)
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