que desliza no horizonte utópico.
enquanto observo a sabedoria das formigas.
carrego no peito o jardim de teu abraço.
pele na pele, penetrante, convexo.
no oceano de cada gesto.
e admiramos o paraíso.
e a grama nos serve de leito.
sobre os olhares da desesperança.
seguimos na trilha da perseverança.
profundo e vivido.
com flores e espinhos.
a força está com a gente.
com bela elegância e naturalmente.
com um olhar sutil e simpatizante.
champanhe, chalé, abajur… e eu nativo.
Recuse em não entender os desafios dos amantes,
esses momentos são cruciais para pensar,
para testar a paciência na jornada relacional
que pede calma perante a carência
e entre embaraços, recrie-se pela sensatez.
Aceite o momento por enquanto num instante,
respire fundo com o suspiro revigorante,
não se esconda diante dos seres provocantes,
sacie a fome do corpo-espírito relutante,
siga a sina dialética no paradoxo da divina comédia humana de Dante.
Resoluto da sentença de um vivente
se levante e se erga aguerrido
e na trilha que segue decidido
leve o impulso sedento com ansiedade
pondere as noites maus dormidas
supere os dias com trabalho e poesia
e em quantos momentos já corroídos
deparando com a figura de outras imagens
reconstrua a vida no fôlego de fogo sobre o amor vivido.
E quanto for mais exigente a convivência
sinta-se em doação à causa primeira
estimule outras motivações
abra o portal de outras leituras
deite-se na rede e escute a natureza
entenda as marés que fazem reviravoltas vitais.
Amantes desafiantes,
tão inquietantes e cheio de vontades,
militantes que poetam a vida plena
intensifiquem o vigor da chama acesa
perseverem com ânimo e serenidade
realizem os sonhos possíveis
sendo razoáveis e com a intensidade do amor.
708 - A porta é o coração
Não diga tanto além do limite
ame com o cuidado de ouvinte
que acolhe nos braços com abraços.
Não faça chorar seu coração ferido
dizendo palavras à toa a quem ama
se dói também na veia da voz de quem diz.
Não olhe de lado desprezando o essencial
pois o caminho escolhido da vida é o maior sonho.
E o sonho maior é o amor fraternal.
Diga palavras não para o choro
mas, que sejam abertas para o sorriso
com mensagens que libertam.
Sinta a beleza de ser um recomeço
pense na causa viva, apesar das pedras,
da fome e da tristeza humana.
Veja a realidade do mundo relutante
entre as desigualdades e decepções
e levante a cabeça para o combate.
Ande entre os normais transeuntes
que trabalham na cidade e depois dormem,
mas não se limite em ser feliz.
Fale para a sociedade que sentir vai além de viver,
que o medo deixa todos perdidos
e a fé está no pão nosso de cada dia.
Seja ponte e lute pela terra que somos,
pela estrela que ascendemos,
pelo bem contra o mal.
Faça a diferença que não escraviza,
saia da caverna de tantas camisas,
siga na rua onde a porta é o coração.
709 - Essência do amor
Penso que a essência do amor não morre.
Não quero romantizar a esperança que é um porvir.
E a morte, entendo no termo da transformação.
Para quem pensa que não ama,
compreenda a causa a que se apega,
a razão pela qual luta em vida,
o sentido que dá significado e direção
pelo ar que respira.
Quando um ciclo acaba
é sinal de um novo recomeço,
de uma nova de-cisão.
A cada dia a gente passa por mudança,
como um rio que corre dialeticamente para o mar.
A dor e a tristeza afetam os sentimentos,
quando o amor se torna amargo.
Crer na vida é um passo para a transcendência,
e isso não exclui os efeitos das causas.
O verdadeiro amor, a gente carrega conosco
e dura o fôlego do universo.
Morrer, é um ato de limite humano,
é uma partida e um nascimento.
E entre a razão e a paixão existe um elo tênue,
sem determinismo,
com possibilidades de superação.
710 - Mulher amada
Às vezes falamos tempestuosos
e ficamos entre nuvens escuras que sangram,
perdendo-se nas palavras impensadas
e distanciando do elo que une a nossa estrada.
Saturamos e desgastamos o nosso corpo
com gestos que nos transformam;
nos reconciliamos com outras aventuras
num quadro para uma nova pintura.
E entre os afazeres e os atritos fúteis
perdemos a força e o prazer da presença,
deixamos de viver a beleza do momento
até que perceba a grandeza do sentimento .
Ao dizer por impulso o insociável
saímos do eixo que nos revigora.
Se podemos anunciar a bonança,
urge contra a indiferença que se aclama.
E na precisa atenção que se busca
a confiança anda meditante
independente e conjugada
enquanto admiro a mulher amada.
711 - Nós somos o poema.
Parei o carro para escrever um verso insuflado à mente,
antes que esquecesse,
e não lembrei das palavras certas para te dizer.
Acordei de madrugada para anotar no celular
o poema que eu queria te dizer,
mas a inspiração encontrou outro caminho.
Fiquei admirando a tua beleza gestual
e me entreguei no ato simples de te olhar.
Te olhei demoradamente. E como te olhei…
Percebi que todos os versos que já escrevi para ti,
estão na trilha dos passos reais de nossas passagens.
Por fim, vi que nós somos o poema.
712 - Ideia poética
Um amigo me disse que sexta é dia de poesia,
mas, pensando melhor, poesia é todo dia,
por estar presente no ar que respiramos,
pelo simples gesto cuidadoso e carinhoso,
por recorrer contra a rotina e a fadiga.
Direi ainda sobre a turva ideia poética,
que subindo na curva do horizonte
percebo os transeuntes entre os monstros,
que com os soluços fabris, fumaça os plasmas das veias,
ecoando ainda um sentido nos sonhos dos amantes.
E do leito que levanta o bravo sentimento
faz-se brilhar o ventre numa nova ideia,
a concepção como semente que aflora
e traduz-se fecunda, floresce, sustenta!
Eis o germe do pólen do afeto.
Porque dos frutos colhidos do amor,
outros sabores amargos são acumulados.
Ide ver a paisagem dos moradores de rua,
difere do progresso e da ordem exposto no estandarte,
pois, os dias passam como vento entre nuvens.
Mas, do sonho real coletivo, nasce a perspectiva,
a empatia entre casais, ou a indiferença inclemente.
E antes que a luz se apague na imagem do tempo,
evidências apontam estímulos na realidade gritante,
que inspiram sentido no desejo fraterno que transcende.
713 - Amadomante
Intensidade de ser
interioridade de mim
com você
que invade além do espaço
num encontro complexo
do próprio sentido vivente
que extrai de mim emergente
aqui dentro de um amplexo.
Na intimidade dos lábios
senti o gosto do teu corpo
tornei-me sábio
expandi no conhecimento
recriei, transfigurei-me,
aventurei amadomante
como teu imigrante
e sendo semente, eternizei.
714 - Um dia de amor
Um dia de amor para te sentir
um dia para te tocar
como já fizemos saudosamente
podendo ser mais intensamente
um dia amadamente
podia ser um dia inesquecível
dos desejos que sinto
com os teus caprichos e apetites
vontades que atraem
— nossa volúpia
prazeres contidos entre nós
momento eterno de contentamento
que com o fervor do sentimento
acalma-me sutilmente
e expande cautelosamente
o universo de um dia.
715 - Do jeito que amamos
Entre a lua cheia e o pôr do sol
estamos entreolhando o nosso ser
refletindo no reflexo das águas
as inspirações mais veladas
o segredo de viver
a arte do saber.
Uma tela nos pinta além da imaginação
na realidade do chão que pisamos
na paisagem do espaço admirado
pelo sentimento animado
conectados naturalizamos
do jeito que amamos.
E entre o nascente e o poente
reconstruímos pontes
que nos revigoram em luz
que nos conduz
onde encontramos a fonte
imerso em nosso horizonte
716 - ADMIRADOR
Sou teu admirador
nada secreto
recíproca complexa
que busca o teu cheiro
que lembra teu semblante
quando está ausente
e de pertinho com maior afeto
monogâmico liberal
entre beijos e abraços
nos passeios imaginários
com corpos comestíveis
de desejos resguardados
sonhos e fantasias
não realizados.
Admirante constante
amável, degustável
aprazível vontade
tocante pegada
dança de pernas
deslize de dedos
suculenta boca
olhar brilhante
suspiro delirante
aviva-me estimulante
nostálgica emoção
apega-me em tua pele
pélvica posição
desabotoados entre os lençóis…
717 - Filosofia do amor
Na filosofia do amor
caminho itinerante
atravesso pontes e rios
entre dúvidas e certezas
ciência, mística e ceticismo
buscando ser feliz e livre
sentindo a música das águas
no tempo de cada instante
refletindo Aristóteles, Nietzsche, Beauvoir…
Abro a porta da luz
retorno para mim
com a vontade da arte que fala:
– Segue adiante!
Meu corpo atende em seu limite
no porvir da novidade
entre a ilusão e a realidade.
Ando com o sonho existencialista
na louca razão de amar
que revela o sublime
com a força do encontro vital
como um ato revolucionário.
718 - Filosofia do corpo
O corpo se fez humano
sopro vital de passagem
desnudo transcende o mundo
cria um pensamento anatômico
transporta memória da terra
no tempo finito contínuo
revestido de carne e sentimento
encontra sentido por dentro.
Corpo movimento
orgânica consciência
relação e reação social
matéria essencial da existência
metáfora filosófica
travessia do ser sendo
poros que respiram vontades
vontade de te abraçar.
719 - Metafísica do amor
Minha intuição tem o impulso da vontade
sobrepõe aos tabus repletos de paradoxos
sente além do limite pela imaginação
tem visão complexa que completa o ser.
O princípio fundamental da existência
é uma força natural que entende os mistérios
tem uma linguagem simbólica do amor
que expressa atitude de alegria e dor.
Em nossa mente materializada
a possível substância real
a qualidade sensível e inteira
o desconhecido subjetivo revelado.
Em nosso corpo está a compreensão
das ideias perceptíveis e inquietações
inscritas e em conexões internas
na intimidade com a verdade.
Depois de tudo, a fonte do abstrato,
com o impacto do sofrimento,
evidencia o sentido inteligível
de todas as coisas que nos afetam.
720 - Fenomenologia do amor
Minha consciência entende com o coração
segue a vivência com intuição
experimenta a finitude imediata do cotidiano
une ao pensamento contemporâneo.
Sinto pela verdade do que é pensado
assim amo pelo que conheço
e sei que tuas vontades não são as minhas,
mas nosso caminho vamos pisando juntos.
A validade objetiva do sentimento
a maior expressão do entendimento
não se entrega ao empirismo
não se fecha ao determinismo.
Estamos em constante processo
com diferentes modos complexos
pela percepção ao levantar da cama
ao lado de quem a gente mais ama.
E por cada intencionalidade
brota uma finalidade
com sentido e significado
pleno pelo ser amado.
Nossos afetos nos afetam
assim como todos que amam
como seres conscientes
em cada instante presente.
Somos o outro para os outros
entre ideias e tabus
e perante o incognoscível
a motivação possível do amor.
721 - CREUZA E JONAS EM CORDEL
(Pelos 13 anos de vida conjugal - 10/10/2012-2025)
No dia dez de outubro
do ano de 2012
conheci a amada Creuza
e na tela fizemos close
através da internet
houve uma metamorfose.
Entre uma busca e outra
veja que novidade
o namoro pela internet
encontrei um de verdade
foi pelo computador,
vi o amor, a cara-metade.
Curtimos por muito tempo
falamos um pouco de tudo,
no início pelo notebook,
depois, num quarto escuro,
mas, antes, foi muita conversa,
já preparando o futuro.
Combinamos um encontro
numa casa familiar
tudo com muito cuidado
saímos para um jantar
cheguei com minha moto,
era noite pra namorar.
Apreciamos muitas viagens
praia, serra, e sertão
festas, estudos e preces
fotos nas praças com emoção
e nos movimentos populares
também lutamos com paixão.
Passamos por pandemia
combatemos a falsa política
entre a história e a poesia
fizemos as nossas críticas
e no amor amadurado
partilhamos bem a vida.
Dos nossos melhores momentos
celebramos bem com a família
reconhecendo a nossa história
passando por muitas trilhas
servindo para filhos e netos
nossa mensagem escrita.
Nessa breve memória
eu, Jonas, o bem-amado,
fiz livros à minha flor do dia
juntos criamos um legado
continuamos nossa biografia
voando livres como pássaros…
722 - A arte de amar
O que é o amor? Será arte?
Na minha teoria é a maior expressão humana
como resposta à nossa existência
que causa sensação agradável.
As razões de nossas conquistas
encaminham-se pelas raízes naturais
na maneira como nos aproximamos
na relação que fortalece a liberdade.
Com o tempo a gente aprende a amar
se lança como uma flecha do cupido
mergulha no coração da partilha
se une à criatividade das ideias.
Deixe-se conduzir pela sedução
sem medo de receber um não
com a estética poética em que acredita
com desejos e o poder da fala.
Entre mistérios, fantasias e emoções,
a linguagem corporal sob a roupa,
o encontro da música das intenções,
o jogo talentoso da satisfação.
723 - Trilha do amor
Vejo pelo meu caminho percorrido
o que tem combinado com a gente
e os motivos de nosso romance.
Sei que faz parte do que foi vivido
os desejos dos beijos quentes
na trilha do amor amante.
Vamos vivendo nosso sentido
no que converge ou no diferente
em todos os melhores instantes.
724 - Amor contemplativo
Como ponto de luz
no instante do agora
no cheiro do café
vivendo intenso e por inteiro
sinto na profunda respiração
o amor contemplativo.
Com o corpo relaxado
resgato o vigor interior
sigo o caminho da meditação
alivio a ansiedade
vivencio no chão em que vivo
as possibilidades de paz.
Decido com consciência pela verdade
de forma amorosa
vendo ao redor a realidade natural
pelo autoconhecimento
sabendo que somos frutos dos ancestrais
com um propósito na existência.
Meu eu me diz que a vida é um estudo
para o respeito, o perdão, a esperança,
o desapego que escuta o coração,
enfrentando o medo e sem comparações,
sentindo a presença do ar como oração
rompendo as tensões invisíveis que aprisionam.
Sereno encontro o equilíbrio com arte
imerso entre a tempestade e a bonança
escuto o sussurro interior
no fluxo da existência, apesar das ameaças,
vou construindo o inesperado
e reestruturo todo o meu ser.
725 - Romântico
Eu sou romântico
e realista político.
Meus poemas líricos narram os dramas sociais
disformes, flexíveis, livres!
Sendo alegre ou triste
faço o meu caminho
com ideias críticas
sem deixar de amar.
Experimento o concreto
na carne viva e suada
nas páginas do cotidiano.
Falo cedo para ver a noite
acordado agora para depois
ver o sonho.
726 - Indesejável
Meu corpo mudo fala trêmulo e desnudo,
na sombra da penumbra em tua pele nua
e com sussurros da melodia que não escuta,
da partitura avulsa no encaixe e na recusa.
Indesejável junto aos ímpetos egocêntricos,
com o jeito imperfeito de quem seduz
com o beijo solto em tua epiderme,
intenso, te convida, mas não traduz.
Em sonhos e silêncio sapientes,
dos oráculos habitantes do teu olhar,
desvelo a verdade rompendo o tempo
como areia fina de um castelo para amar.
Oh, (in)desejável e ardente néctar proibido,
resquício do amor que pode ser pleno,
incômodos do afeto, às vezes, ilha do exílio,
carne quente que esfria e se desfaz.
A crítica que em mim mora e se mostra,
apela ao grito à sociedade cruel,
e penso que o peso que pesa naquele que chora
reverbera e devolve aos tabus sagrados do fel
Indesejável condição humana e profana
que define o belo, a forma e o padrão
e sendo as falhas ainda mais indesejáveis,
a dissonância que corrói o coração.
Assim, a vida ensina a melodia e o lamento,
com a cicatriz do afeto que não pôde ser.
E no jardim onde há tanto sentimento,
plantamos flores que um dia irá morrer.
727 - Psicologia do amor
O amor é um sentimento
complexo da pulsão sexual
com libido noutro corpo
na subjetividade dual
com desejo de ser amado
na realização pessoal.
O amor segue caminhando
entre o desejo e o poder
com a força do coração
em busca de se conhecer
no cultivo do cuidado
sem possuir o poder.
O amor busca suprir uma falta,
vínculo de uma relação,
reciprocidade sem apego,
partilha e doação,
carências e fantasias,
respostas do afeto ou da ilusão.
O amor se liga à infância
com uma segurança inata,
com uma afeição genuína,
por uma necessidade básica,
pela interdependência
favorável e sempre grata.
O amor é a maior expressão
da subjetividade humana,
é uma força da libido,
uma energia sacro-profana,
com sentido e significado,
na via histórica dinâmica.
O amor é um caminho vital
no processo em construção
sintetiza as motivações:
intimidade, desejo e decisão,
flui como um rio para o mar,
é uma gota da imensidão.
728 - pó e mar
pó e mar poemar põe no mar
partícula fina matéria natural
água terra areia e sal
livre paz - riso rio amar
mar matéria partícula do pó
fluxo d'água da terra
sabor e sal natural
rio e riso da paz e amor
matéria d’água do pó natural
terra partícula - areia do mar
sal livre no percurso do corpo
paz e riso na correnteza do rio
água nascente da paz
areia líquida infinita
sal e rio fontes oceânicas
amar em profunda imensidão
729 - Mulher
Cantares do Eclesiastes
que me encanta quando escuto o teu ser mulher
quando defendo a causa feminista com amor e fé
hás de existir e de vivenciar com
resistência.
Relutante em teu resgate
firme em manifestos contra o machismo
este massacrador de mulheres pelo egoísmo
articula mulher a tua voz contra toda a violência.
Revolucionária de combate
empoderada pelas conquistas férteis
sucumbe a misoginia da nossa espécie
faz história atuante e com sapiência.
Mulher é vitalidade
sobre o assédio, o estupro e os tabus estéreis
reconheçamos étnica em seus saberes
matriz da criação e de amor em sua essência.
730 - Maturidade
Com maturidade da vida vivida
Acordo com sol e ando com o tempo.
Aprendo a ser livre sem apoio ou falsa segurança.
Vejo o horizonte em construção a cada instante.
Interajo com a natureza para ensinar a sustentabilidade responsável.
Cuido do equilíbrio, do autocontrole e da empatia.
Aceito as críticas e reconheço os limites com sabedoria.
Busco nas vivências as reflexões que humanizam.
Observo minha relação pelo que penso, coerente no que falo como um ato
de abrir o livro do sentimento e pôr em prática em favor do bem comum.
Envolvo minha razão com a paixão de viver com autodomínio e
serenidade.
Descubro a importância de amar sem apego.
731 - Entre o meu ser e o teu.
No espaço infinito me encontro num ponto
que aponta do todo para uma parte
como letras se agrupando em palavras
formando sentimento no corpo.
Estou dentro de uma página de um livro
e mergulho no oceano da arte literária
navego na poesia das músicas
entre as marés das partituras vivas.
Da profundidade elevo pelas labaredas
subo no alto do calor dos vocábulos
aquecido e cálido sinto-me um farol
como magma escrita nos rochedos.
Sinto os pés na terra molhada pelo céu
vendo estrelas brilhantes e emergentes
inscritas nas entrelinhas das paixões
ascendendo no amor entre o meu ser e o teu.
732- Bodas de Seda ou de Ônix
(17/01/2026 - 12 anos de casados)
Tal como a seda delicada e protetora
olhai-nos com a esperança e a sutileza
validados no tempo com presteza
andantes no horizonte das metáforas.
Como ônix de força e segurança
enérgico, combativo e harmonioso,
seguimos em construção e cuidadosos
fortalecidos e tecidos na confiança.
Unidos com suavidade e parceria
celebramos a beleza construída
de cada momento conquistado
com a raridade preciosa da alegria
com o brilho que valoriza a vida
com o voo livre que nos foi inspirado.
733- Não é porque não
Não é porque não voo que não consigo voar.
Minha vida e meus pés são as minhas asas.
Não posso ficar olhando para trás
se a vida é um voo livre para frente.
Permita-se voar.
Não é porque não declamo que não canto um mundo novo.
Manifesto minha poesia na alegria e na tristeza.
Não posso viver apenas sem me envolver com a diversidade.
Cada fase é um aprendizado com muitas possibilidades.
Não é porque não mato que não tenha matado.
A vida nos surpreende em cada gesto ou palavra.
Não é possível ver diversos tipos de mortes
e não diferenciar o que é vital ou letal.
A lei: não matarás.
Não é porque não me apego que não tenha apego.
Desprendido sigo em frente livre para voar.
Não consigo pensar desconexo do coletivo.
Vivo a cada instante afeiçoado pelo amor e isso me afeta.
734 - Desafio
Tu caminhas apressado para viver,
imaginas o pensamento das pessoas
segues vivendo às espreitas do medo
ou da ousadia que sabe que nada é à toa.
Escreves um desafio que mora em teu ser
na estrutura rígida real da metafísica
e entre imagens encravadas de pré-juízos
escavas no concreto a inefável lírica.
No ápice das nuvens feres o silêncio
com os pés num lago calado e reflexivo
captas da lua amor na trama da vida
fazendo viver em ti um instante lenitivo.
Entre o ser e o nada num hiato sutil
na dureza do mármore do tempo
vais devorando tua luz como sopro salutar
enquanto pelejas como o fogo e o vento.
735 - Lume afetivo
Com tua imagem inscrita em minha face
escrevo o que ainda não foi dito
revelo o segredo que em mim cogito
o que antes em enigma já era verdade.
Em ti me vejo sem véu ou com mistério
no lume afetivo do desejo e do imaginário
onde encontro fervor profano ou sagrado
de tudo que pude sentir em nosso elo.
Por ti agora comigo a síntese unificada
ambos oferecidos no mesmo ofertório
no silêncio ou em palavras reveladas
reconhecidos são pelo brio e o belo
qual pintura que brilha num ostensório
nítidos no convívio do próprio reflexo.
736 - Corpo-território
Simplicidade profunda que vem no vento
inquieta, inacabada, que esmaga a dor
e que no autoexílio leio, escrevo e luto,
sendo meu grito infinito antimisógino.
Corpo-território sagrado e florescente,
jardim do chão que em mim habita
livre e alegre, mesmo com a sua agonia,
meu sangue severo colide com o patriarcado.
Dança displicente um rastro dito nos versos,
conduz no caminho ou num labirinto,
o sentido meu e teu em descoberta
nas fendas abertas de nossos desejos.
Enraizados na carne como sementes,
ergo-me floresta reexistindo e sendo
nas horas acesas de nossos olhares
que se estende despidos no calor do amor.
737 - Portal de Eros
Se passar pelo Portal de Eros
vem comigo pelo jardim colher os frutos
com desejo ardente e sedutor
com todo o corpo e por inteira
o vento trará a beleza da noite.
Se sabe dos desejos que queres
não se sufoque com fugas paliativas
não se deixe abater, não se desanime
é possível se encantar com que é simples
naturalmente agindo pelos impulsos.
Se o afeto atinge o coração, sinta-o
com a força da poesia dançante no corpo
pulsando versos e abraços intensos
à luz da lua que reflete no mar
deixa fluir como um rio que se faz oceano.
Se ao passar pela Portal de Eros
e sabe dos desejos do coração
com a sede reservada ao carinho
te apega a esse vigor potente
e aventure-se na luta corpo a corpo.
738 - Disposição do corpo
Aprouve-me conhecer melhor o teu corpo
esse campo tão perto e tão distante
versátil cheio de ânimo, humor e vigor
com os arranjos de todos os amantes.
Com a disposição do corpo em prontidão
enérgico e inclinado ao fogo intenso
determinado ir contra toda a rotina
busco na carne viva o agradável alento.
Com a razão e a alegria dos loucos
sigo a sina da bela aventura
toco sutil a tua pele aos poucos
e em teu ouvido a minha voz sussurra
no clímax desejante do gozo
no imaginário de todas as loucuras…
739 - Intacta
Intacta estás na cama
e eu a escrever versos no tempo frio
entre palavras perdidas relutantes
de livros que pego na estante.
No silêncio vago das ideias
um vento sopra e me sacode
na noite parada em desconstrução
quando te busco na solidão.
E na busca física da meta
quebro o silêncio retraído
desvelo o cobertor do corpo
abro a porta e a janela
corro à procura da vida
presente em todos os rostos.
740 - Passeio
Observo atento enraizado no solo fértil
o jardim contido nos espaços das praças.
Vejo pessoas vivas, mórbidas, cantantes,
andantes perdidas pelo tempo esquecido.
Passeio como pequena semente na terra
vagante pelo mundo onde muitos dormem.
Viajante entre sonhos e a dura realidade
aprendi conhecimentos e o grande afeto.
Agora árvore crescida amanheço radiante
entardeço a contemplar o jardim das praças.
Avisto acontecimentos com outro olhar
sinto a imagem, o abraço, as falas, o lugar…
Acredito no esperançar da boa notícia
combatente aos males do paraíso perdido.
Vendo as árvores como guardiãs acolhedoras
inspiro-me em sua força e resistência.
E na dança dos ventos que entardecem
conto história da memória ancestral.
Caminhante pela estrada observada
agora entendo o sentido dos Baobás.
741 - Tecendo fios
Tecendo fios na trama do afeto
entrelaço fibras no tecido da pele
confeccionando um texto com os dedos.
Manuseando o tear do teu corpo
arquiteto a escrita natural com as mãos
elaboro teias fazendo-me casulo.
Entrelaço teu físico com o meu
compondo uma nova estruturação
e configuro a simbologia do amor.
Crio um plano articulado
com o instinto de um animal
preso na vestimenta da afeição.
Seduzo os fios da vida
com linhas reais do momento
unidos na mesma rede.
742 - Poema erótico
Minhas mãos tocam a tua pele encantada e macia
com as carícias e a leveza da magia do olhar
no encontro dos dedos sutis e prazerosos
no corpo despido e desejante para o gozo
com a carne desnuda pulsante e quente
falo em teu ouvido com a voz do silêncio
− sussurro gostoso
o corpo ereto, hirto, goteja como a língua sensível
um licor do fruto proibido
um sobre o outro com fogo, sangue e suor incendeia
pelas curvas e relevos do corpo úmido
suspirando na cama da vida
tocando o ponto infinito do amor
eleva-se pelo aroma que revigora
como perfume que ressuscita
respiramos o mesmo hálito
o sopro com gosto de vinho
minha boca na delícia da tua boca
a cópula perfeita
o desejo intenso realizado
o laço apertado no calor de um abraço
o sentimento da entrega total flui…
743 - Lógica surreal do amor
Na solidez do modernismo e na vibração lírica
sonho com a lógica surreal do amor.
No teorema do tempo que se esvai
a minha voz ecoa no sentimento concreto.
Pelos caminhos trilhados na terra do coração
uma razão reflete sobre o complexo da paixão.
Entre os beijos e o cansaço das rejeições
uma ponte cruza com fantasias e ilusões.
Em cada pulsação de liberdade
uma decisão na frente de um abismo.
Perante as convenções lineares e tradicionais
as contradições da vida em processo.
No encanto da atração profunda e intensa
o espaço quântico conectado prevalece.
744 - O amor que sinto
O amor que sinto também dissolve
mesmo em sua profundidade
precipita, torna-se áspero, limita-se.
Passado o calor que nos habita
entre discurso e silêncio, a queda,
os fantasmas do desejo relutam.
Os gestos dóceis de pura luz
aquecem o cansaço revelado
expandem poeiras da vaidade.
A duração do tempo entra com força num vácuo
com resistência contra a ruína
e uma mudança crítica redireciona.
745 - Mensageiro do amor
Não te escrevo do alto de um monte
sagrado,
nem venho anunciar as máximas dos
papiros.
Escrevo o agora com todos os sentidos
com o corpo nu que fala a verdade.
És tu uma carta viva, amante e
denunciante,
guarda nas entrelinhas as palavras e
o afeto.
E na tradução do silêncio escuto o
teu ventre
que no tempo gesta o verdadeiro
sentimento.
Minha voz cansada, pensada, avisa,
o significado real que se
revela
nesta mensagem que nos entrelaça
que se fez carne e sensação da vida
e no compasso que nos expressa
fica o escrito e o amor que não
passa.
746 - Dialética do amor
Na realidade do sentimento
existe um plano intermediário
que contempla a sapiência.
O saber é a síntese de uma relação
coexistente entre duas vidas
que relutam pela autorrealização.
Nossas ações estruturam sentido
envolvem intimidade e paixão
com outra dimensão diversa.
E na diversidade de cada ser
começa o entendimento empático
a dialética do amor.
Contradizendo as negações
ilimitamos a missão com
motivação
no espaço da autoafirmação.
747 - Clamor
Ó, felicidade, vem me beijar
e que os meus sonhos sejam
realizados.
Que o que sabemos para a harmonia
seja praticado.
Escuta, o clamor do amor.
Atende a vontade que atinge
naturalmente
que de verdade reencontra a chama
acesa.
Inflama os sentidos para do
fervor
sem controle ou dominação.
Clamo com os meus versos e a minha
voz
a arte da paz.
Entrego-me! Acolhe-me!
Convencido na crença dessa letra viva
clamo ao fogo
para o programa, o espetáculo, a
atração.
748 - Entre o amor e a paixão
Mais do que existo, vivo pela
procura
como um ser pensante racional,
amante da natureza - a minha maior
fonte,
a trilha peregrina onde faço
aventura.
Imagino um grande amor utópico e
real,
onde a vida vislumbra no horizonte
os sonhos que não são imagens tão
longe,
e assim, sinto o vigor, a verdade e a
beleza,
que ostentam em mim sem fronteira
uma vasta alegria com a companheira,
embora sinta também a dor e a
tristeza.
E como saber das intenções mais
ousadas?
Ora, veja! É preciso ir adiante
noutra estrada,
deixar que fale a voz do coração…
e se tiver que acontecer o grande
evento,
que diga o tempo, entre o amor e a
paixão.
749 - Chama da vida
Escrevo com um propósito resistente,
mas uma parte do ser é desconhecida,
como um iceberg em profundidade,
com intensos sentimentos inerentes.
Não se deve apagar a chama da vida,
posto que o bem existe na essência,
no âmago da natureza como
referência,
apesar do desânimo oculto no olhar,
ou do desinteresse disfarçado,
até mesmo no convívio mais velado,
percebe-se uma luz que faz brilhar.
E se por um tempo sentir a solidão
ame sempre como manda o coração,
pois o amor acende o entusiasmo,
reanima os passos da caminhada,
e na jornada, um novo significado.
750 - Eco amante
Ecoa a voz em mim e se esvai
no olhar perdido do horizonte,
na imagem dinâmica de uma pintura,
um instante eterno que se desfaz.
E como no percurso de uma ponte
que vê o rio escorrer em sua
aventura,
sinto na sensação dessa gravura
a saga do eco amante que resiste.
Reflito o esforço que vivencio
com o vigor da terra em cio,
andante como água que não desiste,
percorrendo pelas margens do
corpo,
no leito que nem sempre é conforto,
busco encontrar o elo atraído.
E na busca dessa realidade velada,
aqui ampara todo o meu sentido.
745 - Mensageiro do amor
Não te escrevo do alto de um monte
sagrado,
nem venho anunciar as máximas dos
papiros.
Escrevo o agora com todos os sentidos
com o corpo nu que fala a verdade.
És tu uma carta viva, amante e
denunciante,
guarda nas entrelinhas as palavras e
o afeto.
E na tradução do silêncio escuto o
teu ventre
que no tempo gesta o verdadeiro
sentimento.
Minha voz cansada, pensada, avisa,
o significado real que se
revela
nesta mensagem que nos entrelaça
que se fez carne e sensação da vida
e no compasso que nos expressa
fica o escrito e o amor que não
passa.
746 - Dialética do amor
Na realidade do sentimento
existe um plano intermediário
que contempla a sapiência.
O saber é a síntese de uma relação
coexistente entre duas vidas
que relutam pela autorrealização.
Nossas ações estruturam sentido
envolvem intimidade e paixão
com outra dimensão diversa.
E na diversidade de cada ser
começa o entendimento empático
a dialética do amor.
Contradizendo as negações
ilimitamos a missão com
motivação
no espaço da autoafirmação.
747 - Clamor
Ó, felicidade, vem me beijar
e que os meus sonhos sejam
realizados.
Que o que sabemos para a harmonia
seja praticado.
Escuta, o clamor do amor.
Atende a vontade que atinge
naturalmente
que de verdade reencontra a chama
acesa.
Inflama os sentidos para do
fervor
sem controle ou dominação.
Clamo com os meus versos e a minha
voz
a arte da paz.
Entrego-me! Acolhe-me!
Convencido na crença dessa letra viva
clamo ao fogo
para o programa, o espetáculo, a
atração.
748 - Entre o amor e a paixão
Mais do que existo, vivo pela
procura
como um ser pensante racional,
amante da natureza - a minha maior
fonte,
a trilha peregrina onde faço
aventura.
Imagino um grande amor utópico e
real,
onde a vida vislumbra no horizonte
os sonhos que não são imagens tão
longe,
e assim, sinto o vigor, a verdade e a
beleza,
que ostentam em mim sem fronteira
uma vasta alegria com a companheira,
embora sinta também a dor e a
tristeza.
E como saber das intenções mais
ousadas?
Ora, veja! É preciso ir adiante
noutra estrada,
deixar que fale a voz do coração…
e se tiver que acontecer o grande
evento,
que diga o tempo, entre o amor e a
paixão.
749 - Chama da vida
Escrevo com um propósito resistente,
mas uma parte do ser é desconhecida,
como um iceberg em profundidade,
com intensos sentimentos inerentes.
Não se deve apagar a chama da vida,
posto que o bem existe na essência,
no âmago da natureza como
referência,
apesar do desânimo oculto no olhar,
ou do desinteresse disfarçado,
até mesmo no convívio mais velado,
percebe-se uma luz que faz brilhar.
E se por um tempo sentir a solidão
ame sempre como manda o coração,
pois o amor acende o entusiasmo,
reanima os passos da caminhada,
e na jornada, um novo significado.
750 - Eco amante
Ecoa a voz em mim e se esvai
no olhar perdido do horizonte,
na imagem dinâmica de uma pintura,
um instante eterno que se desfaz.
E como no percurso de uma ponte
que vê o rio escorrer em sua
aventura,
sinto na sensação dessa gravura
a saga do eco amante que resiste.
Reflito o esforço que vivencio
com o vigor da terra em cio,
andante como água que não desiste,
percorrendo pelas margens do
corpo,
no leito que nem sempre é conforto,
busco encontrar o elo atraído.
E na busca dessa realidade velada,
aqui ampara todo o meu sentido.
751 - Amor e desejo
Onde encontro amor, busco prazer,
e esse é o meu mais singelo desejo.
Mas, entre o desejo e o amor
não encontro bem o que procuro.
As emoções pelo afeto desejado
coexistem intensos no inconsciente,
mas, uma cisão, um tabu, uma cultura,
normatiza o amor e o desejo.
Impulsos desafiadores da
intimidade
residem também com a carência,
enquanto tento me aproximar com
desejo
vem o amor sem nenhum beijo.
Fantasias, motivações e
estabilidade,
vagam no pensamento vulnerável.
O corpo passa junto com os
sentimentos
e o vento segue e leva até o que não
foi vivido.
752 - Amor e desejo
Onde encontro amor, busco prazer,
e esse é o meu mais singelo desejo.
Mas, entre o desejo e o amor
não encontro bem o que procuro.
As emoções pelo afeto desejado
coexistem intensos no inconsciente,
mas, uma cisão, um tabu, uma cultura,
normatiza o amor e o desejo.
Impulsos desafiadores da
intimidade
residem também com a carência,
enquanto tento me aproximar com
desejo
vem o amor sem nenhum beijo.
Fantasias, motivações e
estabilidade,
vagam no pensamento vulnerável.
O corpo passa junto com os
sentimentos
e o vento segue e leva até o que não
foi vivido.
753 - Poema-Poesia
Poema expressa uma ideia suprema
sobre um tema
ou capta um problema
do sistema com o seu espectro
dilema
que arquiteta um torpe esquema
timbrado com teorema
e sutil emblema
divulgado em cinema
contaminando todo ecossistema,
mas, denuncia em fonema
e emerge do filosofema.
Poesia inspira a realidade com
autonomia
sendo combatente com melodia
estimula com fantasia e magia
é luta e alegria
faz uma boa companhia
se envolve com empatia
é uma bela terapia
é denúncia e cortesia
e faz analogia
em nossa moradia
no amor e no sonho da utopia.
754 - Amor satisfeito
No percurso itinerante que me toca
sinto o ânimo que em mim se estende
faço versos contrapondo as bombas
sendo um corpo vivo emergente
e relutante pelo equilíbrio humano
vislumbro a vida plena e autônoma.
Tentando conviver sem me prender
enlaçado por opção numa só carne
contente dos momentos dos agrados
mesmo sabendo dos impasses
de cada instante que já passou
preservo o afeto como legado.
Desprendido vivo livremente
esse sobrevivente passageiro
resistente e também grato
pelo amor satisfeito.
755 - Momento épico
Na aventura histórica do amor
em constante busca heróica
entre sussurros e proclamações
um véu se abriu como uma porta.
Vindo do céu, Jaci, reluzente,
que da lua me trouxe inspiração
fez entregar-me e dedicar a toda a
floresta
os versos de ânimo de uma paixão.
Segui numa viagem pelo imenso mar
com a força de Tupã contra os
inimigos,
fui ungido numa missão para
pacificar.
Superei os obstáculos; o fogo me
atingiu;
aprendi que se ama só com a empatia;
e uma profecia dizia o que ninguém
sentiu.
756 - Entre vontades e desejos
No compasso desigual dos amantes
descobri pela força da vontade
que um acende o fogo do desejo
e o outro se acalma confiante.
Sinto a vontade por inteiro
sem saber de verdade os teus
anseios
vejo com pressa de viver o instante
enquanto o desejo me faz cativeiro.
Nos momentos rotineiros da vida
procuro a satisfação e o ânimo
busco nos instantes de um ensejo
realizar o sonho que em mim define
e se por algum motivo não for pleno
que seja ao menos um pouco do desejo.
757 - O amor e o tempo
Ao longo do tempo
o amor fez história
e em minha vida desafiou
fronteiras
o vento soprou do firmamento
do infinito um sentimento
e na aventura da idade
entre lembrança e esquecimento
venci batalhas apaixonantes
guardei com firmeza os bons
momentos
mesmo sabendo dos vagos pensamentos
criei poemas na linha do tempo
e na poeira da estrada
as pedras gravadas com afetos
o olhar no topo do horizonte
os passos na canção amante
o sol brilhante inscrito nas palavras
passando em silêncio e
lentamente
com o adorno que cultivei
semeando paz
para o encontro com a vida.
758 - O amor guarda segredo
O amor guarda segredo
que a gente tenta desvelar com o
olhar
com a ousadia de um rochedo
mas nos deixa no chão
para erguer a ternura
e segue seu caminho
cúmplice do dia e da noite
na mansidão musical das águas
que em silêncio abriga as flores
com simplicidade
embora nossos anseios
tentem conduzir outra melodia
querendo descobrir tudo do jardim
nessa hora vem de mansinho o amor
chega com calma e passa na nossa
frente
faz nascer o verdadeiro sentido da
vida
que não toca em nada sem
permissão
permite abrir uma janela de
decisão
deixa o sol entrar
inicia uma nova manhã iluminada
com cantos inesquecíveis e
atemporais
e faz morada no compasso do coração.
759 - A vontade do amor
A vontade do amor acende a vida
anima, encanta, embeleza o coração
apazigua com esperança e ternura
realiza sonhos semeando pelo caminho.
A vontade do amor não se rende
sente a imensidão do jardim
tem um olhar sobre o mar
é contemplativo e admirável à lua.
A vontade do amor começa na concepção
vem das estrelas e se beija nos
lábios
abraça um renascimento e floresce
inspira um novo tempo para
habitar.
760 - O tempo do amor
De manhã o sol desperta como colibri
na alvorada da vida envolvida na
floresta
assim desponta a admirável flor
modesta
relembra o princípio de quando nasci.
Ao meio dia, na força diurna
imperiosa
o calor ardente aquece a pele humana
marca o tempo do amor e cria a trama
desvenda o jardim e as suas rosas.
À tarde, a luz declina cansada,
acalma-me
sereno fico tranquilo por tudo que
honro
caminhante, seguindo edificante.
Ao anoitecer, as estrelas abraçam-me
acalentam-me no mistério dos sonhos
seduzem-me pelo espaço e elevam-me
cativante.
761 - A luz do amor
Não é mais o fogo que me consome
nem a carne que se desgasta na terra
o ardor que sinto cá dentro do peito
é a passagem para outra atmosfera.
O sentido de tudo que se revela
é uma mistura natural e complexa
é a luz do amor que temos inerente
é assim como cada ser vivo sente.
Nesse espaço que se realiza
todo o sentido e o sabor da vida
é como se vivencia toda a
essência.
Sob o respeito que me ilumina e
admiro
no corpo que em mim consome e dedico
passo a cada instante da existência.
762 - A força do amor
Na intensidade do poder
holístico
ergue-se da pele o cônscio
sentimento
desperta o fulgor em grandeza
eleva a coragem de viver
refaz o vigor e a potência
fortalece pelo tempo rígido
todo o sentido da força do amor
e por cada momento que foi
vivido
bendita seja essa força que
anima
que afasta a dor e as horas
amargas
e faz do pranto uma semente no solo
refloresce da terra pelo cuidado
a flor do campo rompendo o chão
se faz floresta em movimento
763 - O amor tolerante
O tempo que me abriga sem ter pressa
e que me afeta contigo e enlaça
caminha com nossos passos
paralelos
às vezes no silêncio de um casulo
tecendo uma história de amor
tolerante
fazendo ou desfazendo outro mundo.
O espaço do abraço que nos cabe
no olhar esperançoso e urgente
acolhe com paciência os sonhos
que imagino contigo perfeito
com a arte que traduz a entrega
com os contrastes de uma dança
flexível.
A palavra dita ecoa nos gestos
com a cor e o som de nossas
linhas
nos descobre em nosso encontro
interliga residindo um com o
outro
segue livre com as nossas
falhas
no entendimento de ser
afetuoso.
764 - Gosto e desgosto
Vivo aceso com uma chama imanente
onde o sangue pulsa o sumo gosto
e num ardente afeto explícito no rosto
afoito-me na carne que se prende.
Quanto mais meu ser se estende
expande-se também os desagrados
e entre o gosto e o desgosto atados
penso se o teu olhar me compreende.
Busco o laço que espero que queiras
na luz preferida que no corpo vibra
tanto em mim como em ti a sedução
aquela atração que encanta a vida.
Sentir estimado com o gosto carinhoso
é um sonho que a todos fascina.
765 - Surpreendente amor
Em vós, estrela, que o brilho ilumina
a íris da beleza humana e consola
a mente ansiosa perdida no espaço
vem a mim como lenitivo agora
e na certeza ou na fragilidade
devora-me em tua vasta imensidão
conduz-me no afago de tua rota
naturalmente e com satisfação.
Surpreendente amor, encantai-me!
Enlaça-me em tua razão e dispõe
a satisfação do grande deleite.
Quão admirável seja por tuas felicitações.
Seja o vosso ato a minha maior graça
que a surpresa e a glória me compõem.
766 - Composição
Ergo os olhos e vejo a luta da razão
sobre os ombros e com a força do silêncio
que me lembra o tempo da promessa
habitante em todo o sentimento
e nisso acredito.
Arremessado pela comoção
sem pressa de viver cada instante
deixo o rastro das euforias
dos beijos deslumbrantes
mesmo em conflito.
Fico livre como um vencedor
pelos abraços de afetos
andante pelo caminho dos dias
contra o vazio da rotina do abjeto
seguindo minha composição.
767 - Outro olhar
Do fogo consumido com o tempo
pulsante e forte fez-se frágil e despido
o que antes de tanto desejo vivo
passou pelo crivo das adversidades.
O caminho agora está entrelaçado
ganhou novos rumos e tem outro olhar
expandiu no horizonte do mar
fez a travessia da história.
768 - Momentos de prazer
De um raro e sereno encanto
entre os olhares na estrada da vida
sinto os instantes renováveis
compartilhados em silêncio
repartidos nos descansos
descobertos na simplicidade dum sorriso
nos cafés das manhãs esperançosas
na chuva inesperada que afeta
nos afetos dos abraços
contemplando o horizonte utópico
até na realidade onírica
e no sentido do sentimento lembrado
velado na memória da jornada
impresso na pele amante
na sensibilidade de um crepúsculo
em um novo amanhecer
encontro a inteireza dos momentos de prazer.
769 - Imensidade do amor
De todos os momentos vividos
faz-se presente o sentido da vida
o abraço acolhedor como morada
o cuidado partilhado com empatia
a travessia racional para o coração
a superação diante das vicissitudes.
No campo aberto da existência
a vida exige força nas trincheiras dos dias
ousar amar na conquista do afeto
mesmo que o mundo exploda em guerra
passar pela ponte da liberdade
sentir a real imensidade do amor.
770 - Possibilidades
Nas palavras, nos gestos ou no silêncio
compartilhados entre os nossos espaços
descubro o brilho traçado pelo carinho
que mapeia o corpo pela entrega
que tenta afugentar as maldades
relutando em renascer a cada dia.
O tempo em que se vive traduz a emoção
um toque de gentileza acende o coração
a certeza é um caminho em processo
que dá força como um escudo
que alimenta o ânimo do fôlego
elevando para outras possibilidades.
771 - Revelação do amor
Como o fogo que inflama invencível
acende o corpo combatente em viver
cruza fronteiras e faz a travessia
sobre pontes entre florestas e mistérios
seguindo o rumo dos rios e mares
cumprindo a missão humana.
Passa o tempo junto com o vento
sopra no rosto tantos desafios
dias e noites afincos se vão
passando também todo sentimento
e na viagem dessa vida
prevalece a revelação do amor.
______________________________________________________________________
MENSAGEM DE UM POETA AMADO
... (2026 - ... ) - 7º Caderno
(772 a 851)
772 - Maracatu do amor
(ritmo do maracatu)
TUM túmtum tumtúm TUM túmtum tumtúm
TUM túmtum tumtúm TUM túmtum tumtúm
Ma raca-tué doa-mor ô ôô
Ma raca-tué doa-mor ô ôô
TUM túmtum tumtúm TUM túmtum tumtúm
TUM túmtum tumtúm TUM túmtum tumtúm
Ma raca-tué doa-mor ô ôô
Ma raca-tué doa-mor ô ôô
Chegou a Nação nascente do mar
escravizados com tambor a ecoar
ergueram a bandeira Nagô Iorubá
Mãe África, estrelas te viram a navegar.
Guerreiros do maracatu a dançar
o samba que salva, ó salve Oxalá
das águas profundas emerge Iemanjá
batuque alegria, zabumba, ganzá.
Compasso apitou, maracás e agbê
rufa os tambores, agogô e gonguê
na marcação o canto não pode calar
Brasil africano chacoalha o xequerê
O lê lê lêlê vem cantar o refrão
levanta o estandarte e ergue a mão
abre caminho na rua a dançar
pisa no chão como um trovão.
Toca o atabaque tum túmtum tumtúm
Ma raca-tué doa-mor ô ôô
resiste no toque no riso e na dor
tum túmtum tumtúm tum túmtum tumtúm…
773 - Ode de um poeta
I
Ó poeta que canta as dores do mundo
ergue a voz para o alto como pássaro
reluta corajoso com o poder das
palavras
combate firme o pranto dos famintos
qual rocha defensora dignifica a vida
livre
e entre o céu e a terra, o rio e o mar,
depara com o sentimento mais profundo
com ecos do encanto que reivindica paz
que segue na luta contínua por onde
trilha
e vai em busca da causa que te motiva
e ainda estimula o corpo como semente
que germina a seiva revigorante
envolvendo todo o sentimento
do cuidado mútuo civilizatório.
II
Eis o grande astuto lírico e peregrino
sutilmente gentil e austero passarinho
recebe a recompensa das escritas
contra as guerras das indiferenças
protege a amada dos sequestradores
segue o vento apesar dos perigos
recebe de volta da terra a resposta
nativa
abrange teu sentimento a todo o povo
espalha a bonança em revoada
como brasa de anjos das florestas
que faz renascer a fênix resiliente
que do barro vivifica e transforma
apesar dos corações de pedra
percebe o humanismo no rosto do Outro.
III
Unido pela pulsação do sentimento
pelas veredas do jardim e dos cânticos
prediletos com as marcas dos passos
lembrando dos vulneráveis sobreviventes
entrelaça o mundo ao anúncio profético
rebaixando os tiranos dos tronos
guia, ó ilustre, mestre da esperança
os amantes encantados no engajamento
reconhece a existência do existente
o ser vivente em convivência
sendo acolhedor e hospitaleiro
sabendo do desapego que conforta
como o esforço do nascimento
que sente dor e alegria na dialética da
vida.
774 - Linhas de um diário
Abri a gaveta e comecei a vasculhar…
roupas, desejos contidos, pensamentos…
O relógio na parede não parava de me
avisar o tempo infinito.
O momento é fugaz.
Descalço, solfejava uma música pela
sala
fazendo uma sonoridade dos meus relatos
triviais e pertinentes,
contra o vácuo dos caminhos insanos e
desolados que não chegam a nenhuma praia.
Estou vivo! É óbvio!
Não como um adorno nostálgico sobre um
chão ausente, silencioso e trágico.
Mas como alguém amoroso que segue um
futuro incerto engolido pelo tempo.
Meu corpo fala.
Paro para falar com as plantas
chuviscadas no ermo.
Penso no mundo interior e com a vontade
potente.
Vejo minha caricatura no quadro como um
labirinto que reflete a verdade budista do desapego.
Abro a porta de um trajeto e observo as
teias que nos conectam.
Sinto o amanhecer como uma chave dos
ancestrais
e uma força me faz escrever o que
sustenta para nutrir a história.
Como andarilho semeador da paz sigo em
frente
confrontando novas histórias.
Mas quem vai me ouvir?
775 - O amor é a lei