" ESCREVER É PRECISO "

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

POESOFIA

MOVIMENTO


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Depois de tanta ortodoxia
e muito transcendentalismo
o movimento retoma animado
no corpo vivo do universo,
no corpo dos sujeitos coletivos marginais
e na garra feminina contemporânea.
Tudo se move a partir do seu interior
até mesmo a razão humana,
assim acontece com o pensamento,
com as palavras e a voz.
O movimento é uma vontade natural,
expansivo transmutante
causado pelo universo e pelos seres 
e tem dimensão infinita.
Tudo é pelo ânimo existencial
até a verdade existe em movimentação;
o começo, o fim e a contínua evolução;
as partículas e a imensidão.
O coração é a nossa parte central
e do cardiocêntrico nos vemos e nos movemos
antropocêntricos,
cosmocêntricos,
teocêntricos,
sempre em movimento.


(Junho/2012)

segunda-feira, 31 de julho de 2017

POESOFIA

SABER E PODER


Diz o empirista que "saber é poder".
Mas quem sabe nem sempre pode
e quem pode nem sempre sabe.
Como poder é saber e saber é poder,
se o que se sabe e o se pode,
sabendo sem o poder,
podendo sem o saber,
se finda em saber que não sabe
e poder que não pode?
Com tantos obstáculos científicos
ou noções falsas e mecanicistas
a natureza lembra que somos em ciomum
no único reino da vida.
Quem sabe o poder seja o maior empecilho
para o verdadeiro caminho do saber
e as palavras confundam
por fazer crer num poder
que são nossos próprios fatos e ações.

(Junho/2012)


quinta-feira, 29 de junho de 2017

POESOFIA


FORÇA FRACA



Temos uma força fraca
que causa fraqueza humana
qual Moisés ao ver seu irmão oprimido
reagiu em legítima defesa lá no Egito.
E como Jesus que fez um chicote de cordas
e expulsou todos do Templo, 
ao ver a casa de seu Pai sendo um mercado.
É força coletiva também
como os maias, os astecas e os incas
que resistiram e lutaram até a morte
em defesa da vida, contra a colonização.
A força que nos oprime 
pelo poder do capitalismo
causando tanto genocídio
nos obriga a relutar
e enquanto houver vida humana
a força fraca vai está.
E quem pensa nas religiões 
achando que não tem violência
talvez seja o maior sacrifício 
e o mais antigo ofício
que a humanidade tem vivenciado 
pois em nome de Deus tem-se matado,
morrido queimado depois de torturado,
fazendo valer um império sacrossanto
por trás de uma política absolutista.
E como se não bastasse 
no mundo contemporâneo
sofremos a crise com o Planeta
como a crise da fraqueza humana,
do descuido com o outro,
do narcisismo e da indiferença.
Enquanto baixarmos a cabeça 
 e não seguirmos uma bendita desobediência 
numa caminhada comunitária 
onde se promove uma vida feliz para todos
com justiça e dignidade
não teremos paz,
não seremos pacíficos.

(Maio/2012) 









terça-feira, 23 de maio de 2017

POESOFIA

DEVANEIO À MONTAIGNE

Do Renascimento humanista aflorou Montaigne,
antropocêntrico, cético e apológico.
De sentimento unificante entre seres,
teorizou um reino de liberdade.
Uniu o ser humano e o mundo
entrelaçando uma comunidade essencial
 prendendo todos a tudo:
terra, água, ar, vegetal e animal.
Questionador de si mesmo
entendendo que jamais poderia se compreender
e que ninguém atingiria a si mesmo, assim,
o ser humano nunca conheceria suas próprias razões.
Todo o conhecimento encerraria dentro do próprio ser pensante
de forma insegura, duvidosa e enigmática.
A pessoa é a sua própria metafísica, sua própria moral e religião.
Empirista, subjetivista, individualista, escravo da razão.
Em Montaigne a natureza do ser é pouco definida,
e o futuro é uma preocupação infeliz.
"Nunca estamos em nós; estamos sempre além."
Mas a morte não é a última palavra.
Esta é uma realidade verdadeira e não passa como mentira.
De fato, convivemos com as coisas existentes
e atormentados com a ideia que temos as coisas.
Ainda não aprendemos a viver,
muito menos a morrer,
e assim não aprendemos a ser livres.
A vida já é completa em si.
Basta agir para o bem.
O resto é discurso.
A ciência ajuda no conhecimento e na felicidade
além disso somos vítimas da curiosidade.
E da nossa lei primeira, a obediência,
intentamos ao contrário martirizando avida.
Nossa opinião é o que nos resta integralmente
e como sábio sentimos a fraqueza e a superioridade.
Nada somos senão barro, cinza e sombra no reflexo da luz.
Conhecemos melhor quando compreendemos a subjetividade.
Diante de tudo o que já conhecemos ainda é ínfimo perante nossa ignorância.
A dúvida nos perturba ao lado da fé e da razão
e em vão tentamos adivinhar o Transcendente.
Somos o objetivo de tudo o que existe.
Olhai o céu mas sem esquecer onde pisa.
As controvérsias ocorrem em torno do soberano bem.
Querer saber de nós é querer segurar a água
que escorre e transforma continuamente.
E querer saber de Deus, verdade inesgotável,
é querer elevar-se ao ápice imensurável.
Julgamos as coisas pelo tamanho de nosso pensamento.
O que vemos segue neste mesmo caminho.
Diante da incerteza é que acertamos.
Quanto maior a dificuldade, maior o desejo.
O desejo faz sofrer e o desapego liberta.
Como ficar tranquilo com tanta injustiça?
Voltando para dentro de cada um é que encontramos as respostas coletivas.
A nossa condição humana reside na simplicidade.
Nada é puro inteiramente, nem mesmo a religião.
Entre o meio e o fim existem diversos modos de agir e não é por acaso.
A crueldade é o ato do covarde e do ignorante que o faz tirano.
Devemos seguir sempre o caminho da fé, da moderação, da modéstia e da humildade,
na arte da conversação amigável e deixar o resto pela imaginação.

(Maio/2012)




segunda-feira, 17 de abril de 2017

POESOFIA


PAN



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Quem sou senão com o todo?
O que seríamos sem a unidade da realidade?
Somos chamas em movimento pelo ar
unidos à matéria.
Somos a partícula consciente do cosmos.
O sentido da vida está na grandeza da unidade.
Somos um caminho interior 
que mergulha para dentro do nosso próprio ser
e sem sair de si
transcendemos na totalidade do universo imensurável.
Somos o centro e a margem,
Confrontamos com o nosso próprio espectro.
E na dimensão vivencial da espiritualidade
visualizamos e sentimos
o que é de mais sagrado,
e na sacralidade encarnada nos humanizamos.

(Maio/2012)

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POESOFIA

SOFIA



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SOFIA,
ESTA MULHER ENDEUSADA,
PRIMÍCIA DOS FRUTOS DO CONHECIMENTO,
QUE DESALIENA DAS CAVERNAS OBSCURAS
E FAZ MERGULHAR NO VENTRE DA ESSÊNCIA,
AFLORANDO AS IDEIAS
ENTRE A RAZÃO E A PAIXÃO.
CONCEBIDA NO ÂMAGO DO SER
FAZ GERAR O AMOR
E REFAZ NOVA CRIAÇÃO.
FEMININA OUSADA
QUE DESPERTA A IMAGINAÇÃO,
ANIMA E ASCENDE COMO FOGO,
QUESTIONA OS MISTÉRIOS DO PRÓPRIO CORPO
REINVENTANDO E SEDUZINDO.
FONTE INSPIRADORA GERMINATIVA
FAZ-NOS RENASCER ILUMINADOS
SEM PERDER DE VISTA O BELO ADMIRADO.

(Maio/2012)

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POESOFIA

TRAIÇÃO DE PRINCÍPIOS

A rejeição é uma traição de princípios numa relação.
Traição de princípios mata por dentro.
Princípios egocêntricos desaconchega.
O sentimento íntegro conjugal negado é infiel, é enganação.
O orgulho é doentio, cabe no vazio.
O princípio da traição começa com a traição de princípios.

(Maio/2012)

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