" ESCREVER É PRECISO "

segunda-feira, 25 de abril de 2016

POESOFIA

6- O VERDADEIRO VISÍVEL



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Saímos do invisível para o visível
e voltamos para a invisibilidade,
e nisto está o verdadeiro visível.
O que era invisível e indivisível
se tornou visto e divisível aos olhos da terra.
O visível percebido na realidade
ainda é um fenômeno para os nossos olhos.
Da preexistência para a existência
passamos a viver e a conviver visivelmente.
E em cada movimento existente
está a vida visível do invisível.
O que não vemos ainda em vida
passaremos a enxergar na invisibilidade
saindo do visível para o invisível.

(Janeiro/2012)







REALIDADE ULTERIOR



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Nem com a morte
não saímos do universo
porque nele acontece a escatologia
e tudo é consumado como realidade ulterior.
Na natureza do eterno
o ser é infinito
e nada vem do acaso.
O nosso conhecimento nos torna desconhecedor.
e sabendo que não se sabe de toda a realidade
sabe-se que se conhece muito pouco.
E na dimensão transcendental
 a origem vem do alto e vai além
e está em nosso ser,
no centro da vida
e segue em frente.
Assim experimentamos
o nosso verdadeiro humanismo
sem reduzi à determinação
do materialismo.

(Janeiro/2012)








SENTIDO UNIVERSAL




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Como saber da vida sem ter um porquê para viver?
No caminho da existência há um sentido universal.
Sem um significado vital, sobra depressão e desespero.
Sem a percepção da realidade do outro deixamos de ver o todo.
É no sofrimento que aprendemos a não silenciar,
a não neutralizar e lutar pra não morrer.
Mas, se morrer, que seja lutando.
Quem se omite na opressão
atormenta ainda mais as vítimas.
Na vida amamos, apegamos e partimos.
 O amanhecer de um novo dia
desperta dentro de cada um.
Ocupemos em servir intensamente
assim como o vento agita as árvores.

(Janeiro/2012)








terça-feira, 15 de março de 2016

POESOFIA

POESOFIA



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1- ORADOR


Eloquente orador, pois, se és justo,
prima a justiça na verdade
como súplica da política original.

Venha atender os oprimidos
visto que está posto em vida um jugo.
E sem que julgue injustamente
uma condenação, repetindo: Crucifica-o!

Saiba fazer o maior gesto humano.
Lutar é não ser ingênuo
e quem se corrompe, se faz tirano.

E eis que no tribunal do povo
ninguém escapará da própria morte.
E quando chegar a hora da justiça
será visto nas praças e não em cavernas de gabinetes.

(Janeiro/2012)





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2- FILÓSOFO POETA


Instruído a respeito dos assuntos divinos,
segue uma viagem sem fronteira,
e ao partir, ó filósofo poeta,
como andarilho conhecerás o próprio caminho.

Dirigindo-se ao Oráculo de si mesmo,
sabe-se de si que não sabe,
sendo isto a grande verdade,
vaticina (ou profetiza) o anúncio da vida.

Conhecendo o dever e o poder ,
os guias interlocutores do ego,
deparam-se além disso com o amor,
e vem o sentido que liberta das ilusões.

E nesta instrução itinerante
é que saímos das sombras para o universo luminoso.

(Janeiro/2012)




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3- SOFISTAS

É ou parece, ou deveria ser.
É o argumento de muitos sofistas,
interlocutores cheio de paradoxos e falácias
que refutam em sua retórica
com princípios relativistas ou de pura evidência,
ou com convicção sem provas,
entre a subjetividade de sua teoria mercenária
e a realidade marginal humana.
Aos que agem com sinceridade
no sentido simples da vida
podem falar na causa da justiça
pois tem no pensamento a verdade
e no coração a razão que direciona para o bem.
E ao contrário do que escraviza,
segue a liberdade seu caminho sem fronteiras.

(Janeiro/2012)




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4- RACIOCÍNIO DA JUSTIÇA

O que é o infinito senão em nossa finitude.
Nos movemos desde o princípio
tentando alcançar o inalcançável.
Ultrapassamos o limite humano
num ciclo contínuo e eterno.
Se falamos de algo é porque existe.
Nada escapa ao conhecimento.
Conhecer, portanto, não se limita ao que vemos ou tocamos.
Existe na percepção humana uma lei maior,
um discernimento benéfico
em que o raciocínio da justiça prevalece
no combate as desigualdades.
E o devir de um novo tempo
surge no nosso 
engajamento
comunitário.

(Janeiro/2012)





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5- TEIA UNIVERSAL

Buscamos fora o que está dentro de nós.
Estranhamos a realidade como algo fora de nossa essência.
A nossa consciência se limita ao conhecimento real.
Mas o real do pensamento em si já é uma realidade.
Conceber uma ideia e materializá-la 
já evidencia a materialidade do pensamento.
E o que é individual em cada mente, coletiviza universalmente.
Nada é por acaso ou neutro!
 O que passa a existir e viver
não acaba jamais, refloresce noutra dimensão.
A nossa razão, logos, palavra e ação
são uma realidade necessária,
posto que se encontra numa teia universal
sendo da mesma origem 
e tendo
o mesmo 
fim.

(Janeiro/2012)




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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

EREMITA


CAPÍTULO 1 – EREMITA

Eremita era uma mulher consagrada ao trabalho missionário em favor dos pobres oprimidos, professora atuante na cidade de Fortaleza, capital do Ceará. Pessoa de fé consciente, racional, de luta e de festa. Centrada na missão com os mais necessitados e ponderada nas decisões. Sentia-se serva na causa do povo sofrido. Atendia ao chamado de viver livre em função da verdade. Sua meta: Justiça e paz se abraçando.

O tempo que começa esta história converge com o governo da presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, quando políticos opostos ao Partido dos Trabalhadores resolveram aplicar um golpe de estado, no ano de 2016, contra um projeto favorável aos pobres.
Eremita seguia como peregrina nesta estrada entre fé e vida. Pensava que os acontecimentos não eram por acaso. E não é. As manifestações populares que defendiam de fato e de direito a justiça social em nome da democracia alimentava a força da mulher eremitana como uma possibilidade da convivência humana. Esse vigor era uma inspiração para melhor conhecer o rosto humano e feminino de Deus.

Às vezes não compreendemos a nós mesmos. Nem refletimos bem sobre cada amanhecer. Mas nada está no vazio. Nosso raciocínio pode ser insuflado a ponto de obscurecer diante de lideranças que falam mentiras como verdades, ou de deixar a condição humana mais precária por enganação de gente que defende a lógica capitalista neoliberal. Não era o caso de Eremita. Esta tinha uma liderança independente. Agia com base nos valores fundamentais da vida. Se alguém tentasse propor algum suborno, estava fora de cogitação. Para os corruptos só sobrava denúncia e punição. Contudo, a resistência não alcançava os três poderes. Principalmente o judiciário.

Num determinado dia, no centro de uma praça da cidade, alguns vendedores ambulantes estavam numa discussão por causa da decisão da prefeitura que resolveu mudar o lugar de venda desses ambulantes para longe dos transeuntes, os compradores constantes do comércio. Era uma situação difícil. Entre esses comerciantes havia alguns que faziam parte do círculo de amizade de Eremita. Ao lado estava passando uma procissão para dentro de uma igreja que vivia movimentada. Tinha também seu comércio. Mas nada da prefeitura intervir. No meio daquela multidão uma voz ecoou como a de João Batista: “Raça de cobras venenosas, quem lhes ensinou a fugir da ira que vai chegar?”...

A cada dia que passava sempre havia cenas reais da vida mostrando a realidade nua e crua, expressando sinais da opressão contra os pobres. Em cada rosto, a presença viva da divindade, o sopro da vida circulando no sangue de cada pessoa e em cada ser que respira. A sociedade assim era compreendida no olhar e no sentimento da consagrada Eremita. O dia passava e parecia que o sol entregava a lua como lenitivo para aliviar o cansaço da vida. Sem querer julgar a passagem de um dia, fica a esperança como semente plantada e adubada pelo agito dos desafios do cotidiano. Além de qualquer outra coisa, sempre fica um pensamento no ar. E nisso, a história contará.            Rm2



terça-feira, 19 de janeiro de 2016

COÉLET


COÉLET


Um ancião muito simples e de grande sabedoria, caminhava por uma calçada entre as pessoas que se batiam ao andar, sem ao menos olharem umas para as outras. De um lado e do outro da rua asfaltada estava repleto de prédios e lojas com vendedores que gritavam como loucos para venderem seus produtos. Todos os objetos oferecidos à venda eram de origem industrializada e a maioria era importado. O sábio ancião observava tudo naquela cidade e anotava algumas coisas em um pedaço de papel enquanto andava como um itinerante isolado em meio a uma multidão.

Havia muitas pessoas pedindo esmolas e em todas as calçadas e praças se encontravam famílias inteiras no chão, comendo os restos de comida retirados de alguma lixeira... 


CONFIRA EM 2023, DEZEMBRO.   


domingo, 27 de dezembro de 2015

POEMAS CIENTÍFICOS

PESANDO A HISTÓRIA

O pensamento lógico surgiu e a escrita consagrou sua eficácia.

Entre trevas e luzes, chegamos às metrópoles sombreadas, e com a fé e a razão explicamos o  mundo.

Renascemos com o avanço da ciência e da tecnologia, reconstruindo a história no sonho da modernidade, sendo o liberalismo econômico um modelo e uma nova linguagem.

No processo da realidade há também a realização do espírito, e uma nova concepção do ser e do tempo surge, em que o Eros e o Logos se unem em harmonia.

(Agosto/2009)



ANIMAL RACIONAL


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O animal racional é sábio em sua ciência
e demente em sua desumanidade.
Sua razão está além da matéria
porque os arquétipos incorpóreos
estão em si inerentes no seu autorreconhecimento.
Em nosso forma corpórea no mundo existente
há uma memória imortal que justifica os conhecimentos
e fundamenta o apoio racional e real
da transcendência do ser.
A nossa inteligência e sensibilidade
são os meios que nos livram das ilusões
e nos encaminham para o amor.

(Setembro/2009)


POEMAS CIENTÍFICOS

INATO ( em Leibniz)


Impulsionando pela intuição escrevo algo sobre as ideias inscritas no coração, grafadas de forma bela como um princípio inato, transparente ou não claro, mas são ideias do espírito que está no intelecto e em todo o Universo que se passa pelos sentidos.


Na percepção de cada pessoa se expressa um poder interior, assim como o som ecoa e o sol tem seu calor, percebe-se, portanto, o bem, sendo inato e todos têm, podendo ser praticado combatendo todo o mal sob a ética e a moral, e assim é possível ser amado.

O mundo em que vivemos pode ser o melhor possível pois é o planeta que temos e não precisamos torná-lo horrível. Temos em nós o Entendimento mas é preciso o discernimento. Para viver em nossa Terra será preciso maior cuidado, sentir-se mais iluminado, viver a paz e não a guerra.

Os nossos princípios internos quando chegam à nossa razão trazem ideias do Eterno, da verdade, da percepção... São grandes sensibilidades com muitas possibilidades. E como substâncias que somos, nos dirigimos ao Infinito, mesmo com todo o limite, vivemos melhor quando amamos.

Além da aparência da matéria existe o espírito humano com noções e  muitas ideias sobre o Sagrado e o profano. As palavras e o conhecimento são os maiores e bons exemplos e que em nossa natureza dispomos de verdades inatas como a liberdade e a graça e o Universo com sua beleza.


(Outubro/2008)




INVESTIGAÇÃO


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1 - É a ufologia ou é a bebida que anda alucinando as pessoas?


2 - O que faz gritar: a dor ou a ausência de tudo?

3 - Será que a ferida e o sangue provam a vida, assim como o ar, a água, o fogo, a terra e o espírito provam a existência no mundo moderno?


4 - A última notícia já nasceu no princípio da Criação, ou vem pelos jornais 
escatológicos das religiões?

5 - É no sobrenatural que reside a finalidade de toda a natureza?

6 - Mesmo com todo o peso, a leveza é insustentável?

7 -  Podemos dizer que ultrapassamos com rapidez e exagero os limites éticos pela desobediência?

8 - O que ainda não vimos poderá ser visto pela sensibilidade?

9 - É na unidade que está a pluralidade?

10 - Diante de tanta complexidade é simples afirmar que o único eterno é Deus?

                           * (Poema Científico - Jonas Serafim)





POEMAS CIENTÍFICOS

ALTERIDADE





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O OUTRO É UM MISTÉRIO PARADIGMÁTICO,
ALTERIDADE QUE CAUSA ALTERAÇÃO.

NO OUTRO SE VÊ E SE ESCUTA,
ACOLHE, SENTE E COMPARTILHA.

SEM O OUTRO NÃO SE VIVE,
NÃO TEM DIÁLOGO,
E A VIDA NÃO TEM SENTIDO.
FORA DO OUTRO NÃO HÁ HUMANIZAÇÃO.

O OUTRO É DESAFIO DIALÉTICO E INQUIETAÇÃO.
É A PRIMEIRA LINGUAGEM DE IDENTIFICAÇÃO.

O OUTRO É O SER VIVO DA ESPERANÇA,
DE CONVIVÊNCIA E DE ENCANTAMENTO
QUE NÃO SE PODE MATAR.
É A RELAÇÃO NECESSÁRIA DA ÉTICA POR EXCELÊNCIA.

O OUTRO SOLICITA O SAIR DE SI MESMO
PARA O ENCONTRO FRATERNO E PARA A ESPIRITUALIDADE.

O OUTRO É UMA HIEROFANIA QUE REVELA A TOTALIDADE
E O INFINITO TRANSCENDENTE DA VIDA.

O OUTRO EXISTE, VIVE E SENTE,
LOGO, SOMOS UMA ÚNICA REALIDADE EM CONSTRUÇÃO.

O OUTRO É O PRÓXIMO
QUE ESTÁ AO LADO,
QUE INTERPELA,
QUE GERA O VERDADEIRO SABER
E QUE DÁ AUTONOMIA.

O OUTRO É O CAMINHO PARA O BEM.

(AGOSTO/2016)